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:: ‘Artigos’

A SOMBRA DE CHUCK NORRIS QUE QUASE TODO MUNDO TEM

RODRIGO MELO
Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Tem esse sujeito que mora quase na mesma rua que eu. Bastante conhecido, acho que vende capeta ou ligante em entrada de show. Uma vez nos encontramos no posto de saúde do bairro, ambos estávamos com dengue, e passamos a conversar. Ele parecia ser um desses caras simples e sem muitas complicações, dois e dois igual a quatro, não mexa comigo que não mexo com você – a sombra do Chuck Norris que quase todo mundo têm.

Nos identificamos, ficamos camaradas ali mesmo. Firmeza. Depois da dengue, no entanto, toda vez que eu passava por ele e acenava, ou ele fingia não ver, ou demorava um tempo do caralho até responder. Nunca fui de ligar para o desdém alheio. Geralmente deixo pra lá e sigo na caminhada, e foi o que fiz, passei a não falar com ele também: a gente carrega o recreio da escola a vida inteira.

Quando o identificava de longe, imediatamente passava a olhar para o outro lado da rua, ou lia um letreiro, analisava uma mulher passar. Uma vez, ao subir a ladeira do “Meia Embreagem”, repentinamente nos vimos frente a frente e eu simplesmente levei a mão ao ouvido e fingi atender um telefonema. E assim voltamos a nos entender mais uma vez.

Conta que ontem, enquanto pedia um pastel de carne lá na padaria de Raimundo, senti alguém bater levemente nas minhas costas. Era ele, esticando-me a mão.

– Porra, e aquela dengue, hein?! – disse.

– Foda – eu respondi. 

Ele se sentou no banco ao meu lado, perguntou se eu tinha visto a derrota do Cruzeiro para os argentinos, depois falou da partida do Colo-Colo contra o Serra Talhada e do show de Igor Kannario que talvez venha a rolar. Cada um comeu dois pastéis. Falamos alto, sorrimos e encaramos uma morena que entrou. Quem visse de longe pensaria que a gente era primo ou qualquer coisa assim.

ESSÊNCIA INTERIOR

RODRIGO MELO

Rodrigo melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Volta e meia todo mundo desliza, vacila, troca os pés pelas mãos. Todo mundo às vezes se confunde, entende o recado errado e viaja na maionese, assemelhando-se a um trapalhão, e depois fica parecendo um avestruz à procura de um buraco para se esconder. A depender do humor, do horóscopo, do clima ou de outra atenuante, todo mundo derrapa. Comigo, no entanto, isso parece acontecer com mais frequência. Acontece bastante, aliás. Talvez eu tenha caído do berço, pode ser isso.

Na sexta passada, quando chegava à rua em que moro, reparei que o vizinho, que é professor de ioga e escuta Kitaro até umas horas, jogava brita e a espalhava sobre a rua, que é uma verdadeira superfície lunar. Atitude bacana a dele, já que a prefeitura não fez nem faz a sua parte e no dia da vaquinha para comprar a brita eu não pude participar. Que Deus me perdoe por isso e por tentar entrar em casa sem cumprimenta-lo. Mas não consegui. Tão logo coloquei a chave na fechadura, ele gritou, todo sorridente:

-E aí, vizinho, trabalhando muito?

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O PORQUÊ

RODRIGO MELO

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Sentou-se no banco e deixou sobre a mesa de cimento o envelope. À sua frente, a grande avenida e o prédio em que, na semana anterior, fez os exames. Lembrou-se de ter pensado que o achara familiar, como se já tivesse estado ali, o corredor ao sair do elevador, os cabelos longos e ondulados da atendente, a disposição do balcão e do cesto com as revistas. Lembrou-se também de que o médico sorriu ao lhe estender a mão úmida e fria.

Ficou a olhar para o envelope sobre a mesa, para o seu nome escrito no adesivo branco, uma ou outra formiga a encurtar seu caminho por cima dele – elas carregavam pedaços de folhas e farelos de pão. Não o abriria outra vez. A mulher, o filho, talvez a nora, eles sim leriam o que havia ali dentro, palavra por palavra, e depois o abraçariam cheios de lágrimas nos olhos, a dizer que eram todos uma família e que tudo ficaria bem, que ele não precisaria se preocupar.

Quis gritar, mas a praça estava cheia, pessoas caminhavam pra lá e pra cá, crianças a andar de bicicleta, elas que tinham tanta vida pela frente…

-Porquê?!!! – finalmente disse, baixo, mas forte o suficiente para que Deus pudesse escutar.

Sobre seu braço, uma das formigas encurtava o caminho com uma coisa amarela nas costas. Ele a olhou por um instante, depois esticou o polegar e a esmagou.

MAURO

RODRIGO MELO

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

A luz do sol entra pela janela, iluminando e esquentando um dos lados do seu rosto. Minutos depois ele desperta, a espremer os olhos, colocando a mão entre eles e a luz. Senta-se e olha ao redor. Um quarto branco e pequeno, nada de móveis, tevê, quadros ou porta-retratos. Somente uma cadeira com uma bolsa e algumas roupas em cima e, preso ao teto, um fio a segurar uma lâmpada apagada.

Ao lado, sobre a cama, ela ainda dorme. Observa-se esparramada, a boca aberta, o rosto amassado, os cabelos desalinhados, e pensa que agora já não se parece mais com a mulher da noite anterior.

Levanta-se da cama, vai até a cozinha. Um cacho de uvas e algumas latas de cerveja na geladeira. Vai até a sala e se debruça na janela, comendo as uvas e cuspindo os caroços a olhar para uma parte da cidade que não conhecia: uma praça mal cuidada, uma padaria, um bar, uma casa lotérica e, do outro lado, um ponto de ônibus. Alguns prédios, todos com a mesma fachada, ao redor.

-Bom dia, meu amor.

Ela está parada na porta do quarto, os olhos inchados, um sorriso pálido. Caminha até ele, passa o braço ao redor do seu pescoço e tenta beijá-lo.

-Não escovei os dentes – ele diz, recuando e evitando o beijo. – A boca está amarga.

-E o que é que tem? – ela fala, suspirando.

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LOIRO D’ÁGUA

RODRIGO MELO

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

A campainha toca e eu largo a caneta e o papel sobre a mesa e vou atender. Talvez seja o oficial de justiça. É uma senhora com uma sacola cheia de tecidos. Minha mulher costura, de maneira que sempre aparecem essas madames, quase todas usando óculos escuros, carros bacanas, cheirando bem, elas que não deixam de apertar a campainha até eu aparecer e dizer, pronto, estou aqui. São mulheres de médicos e também de advogados e de toda essa turma que parece ganhar dinheiro. Mesmo assim elas costumam ir às lojas caras, pegam cinco ou seis roupas para experimentar em casa, no caminho compram tecidos e trazem tudo pra cá. Dois dias depois retornam às lojas dizendo que as roupas ficaram longas ou curtas demais. Ou qualquer merda do tipo. Essa que tocou a campainha agora é uma senhora de 50 e poucos anos. Não sorri nem nada.

-Ela saiu – digo.

-Ah, que coisa. Não vou voltar depois. Essa rua é péssima. Tenho medo.

-Vai ser calçada em breve.

Ela não parece escutar.

– Vou deixar em sua mão e você fala pra ela que é pra fazer tamanho M – diz, sua voz estridente como a de uma mulher que vende produtos na tevê. – O molde é G mas eu quero M. Ela não pode errar nisso.

-Certo.

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NÃO EXISTE AMOR EM “BA”

RODRIGO MELO

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Então eu estava lá, na fila do supermercado. Uma fila enorme, é bom que se diga, e havia essa mulher que queria entrar na frente de todo mundo com o seu carrinho lotado de coisas. Ela realmente parecia estar, como quem não quer nada, forçando a passagem. Não reclamei por que hoje em dia é complicado sair por aí reclamando. Todo mundo tem feito isso, de modo que ou você se revolta de verdade e começa a gritar e a espernear ou então assume logo a culpa e sai de fininho. Eu, que não estava com ânimo para gritar nem sair de fininho, resolvi fingir que não tinha notado nada.

O sujeito que estava atrás de mim falou algo, reclamou da demora para sermos atendidos. Era do rio, passava as férias. Achara a cidade bonita e suja demais. Falei que a história do meu próximo livro se passava no Rio: um sujeito em busca do seu amor. Não falei que era um amor frustrado, que nunca vingaria, que o personagem só se fodia e que o nome dele era Lemuel Pitkin. O sujeito não entenderia. Ele achava que as histórias tinham mesmo que ter amor. O mundo anda sem amor nenhum, ele me disse. 

Foi nessa hora que a mulher do carrinho começou a gritar.

– Eu já estava aqui! – ela disse, olhando para nós.

Havia um sujeito com ela, baixo, usando boné, um desses caras que vão à academia seis ou sete vezes por semana

-Como assim? – o carioca perguntou pra ela.

-Eu já estava aqui, meu senhor – a mulher respondeu com a voz alterada, olhando pra mim. – não era isso que vocês estavam falando?!!

-Não, a gente falava de outra coisa – respondi.

-Outra coisa o caralho. Eu ouvi bem. Quer saber? não estou nem aí para as merdas que vocês falaram. Eu estava aqui e quero ver quem vem me tirar. Eu já estava aqui!!! – ela então gritou, desta vez para o supermercado inteiro ouvir.

E o supermercado realmente ouviu, por que todo mundo nessa hora olhou em nossa direção. 

O baixinho ficou parado, em uma pose que pensei ser de artes marciais, esperando a gente falar alguma coisa, mas nem eu nem o carioca falamos nada. o mundo anda sem amor, imaginei ele falar pra si. Não existe amor na Bahia, falei pra mim.

Então o casal passou as suas compras, e, mesmo sem ninguém falar nada, ela seguiu resmungando, como se tivesse sofrido alguma imensa injustiça, como se ainda precisasse se vingar. Depois seguiram para o carro. Antes de chegar lá, no entanto, pararam num jardim que havia no estacionamento. Era um jardim baqueado, as plantas estavam secas e quase mortas, amareladas, mas havia um pequeno chafariz a cuspir uma água rala e escurecida. Sentaram-se em volta do chafariz, ela meteu a mão na bolsa e puxou uma máquina fotográfica. Abraçaram-se e sorriram e tiraram a porra da foto. Pareciam satisfeitos. Talvez por que lá em cima o sol brilhasse. Talvez por que o fundo do carro estivesse cheio de compras. Ou, quem sabe ainda, por que eles, independente da fúria do mundo, seguiam a viver.

Na hora que tiraram a foto, lembro bem, ela juntou as duas mãos e fez um enorme coração.

INTEMPÉRIES

RODRIGO MELO

Rodrigo melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

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Ed traga o cigarro e olha para Mitsuplic caminhando ao seu lado, para as marcas no rosto magro dele. Nota as olheiras, as rugas, a pele muito seca e os cabelos muito ralos e constata, assim quase ao acaso, que Mitsuplic envelheceu e não é mais o mesmo cara de antes, uma espécie de playboy atlético e galanteador. A alma romântica e um certo distanciamento das coisas práticas, além das noites e dos sonhos perdidos, acabaram com ele. Hoje, somente aquele sorriso amarelo, um sorriso um tanto fora de moda, envergonhado e meio gasto, que carrega por aí. Ed suspira, ele que nunca foi de suspirar. Porque o tempo realmente passa. E Mitsuplic deve ter hoje uns 44, 45, a mesma idade sua: a mesma escola, a mesma turma, as mesmas festinhas embaladas ao som de Blondie e Bowie – cigarros escondidos, sorrisos e pose de Bogart. Pensa, entre a tragada na ponta do cigarro e o peteleco que dá nela, em tanta gente que desapareceu com o passar dos anos, no meio do emaranhado de acontecimentos e possibilidades que fazem a vida, e então sumiu, morreu, ficou louco, foi preso ou se deu bem. Calculou, ele mesmo, que existir era mais fácil e que pra ganhar bastava não desistir. Mas ali do lado vai ele, Mitsuplic, com os dentes fodidos, a gengiva inflamada, os pulmões e os rins em petição de miséria. Completamente acabado, coitado, tão confiante quando moleque. O segredo de tudo, desconfia, está em acordar enquanto é tempo. Entender ou acordar, tanto faz. Mitsuplic não entendeu, Ed também não. Passa as mãos pelos cabelos, mais crespos e mais ralos. Talvez a sua pele esteja mais ressecada também. De frente para a vitrine de uma loja, para e olha para o seu reflexo. O rosto parece o mesmo, mas há algo estranho, fora o lugar. A orelha, quem sabe, ou o nariz? Não descobre e pensar nisso é como flertar com o precipício que ele mesmo criou, ali parado, solto no ar, descobrindo que pode cair. Olha para Mitsuplic outra vez. Talvez devesse abraça-lo, dizer que tudo está bem, que eles são fortes e que o jogo ainda não começou. Mas estaria mentindo e Mitsuplic, por sua vez, não o entenderia – por debaixo da armadura, há mais do que ferrugem, há a anestesia e uma certa embriaguez. Ed então desiste do abraço. Enfia as mãos no bolso da calça, do jeito que Bogart fazia, e segue, pensando que, se bem quisesse, facilmente pararia de fumar.

Texto publicado originalmente no livro “O Sangue que Corre nas Veias”, do autor, lançado em 2012 pela editora Mondrongo.

CARNAVAL E TURISMO EM ILHÉUS

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Estamos há cerca de 20 dias do carnaval 2015, que neste ano será na terça-feira, dia 17 de fevereiro, mas que para os baianos que gostam desta festa começará na sexta-feira anterior, dia 13 de fevereiro.

Entretanto, em Ilhéus – até onde eu tenha conhecimento – ninguém sabe dizer se haverá carnaval ou não, nem a prefeitura, nem os comerciantes, nem o setor turístico, em ninguém.

Este fato ultrapassa em muito a mera omissão, a simples ausência de definição administrativa por parte dos gestores públicos municipais: é um dos fatores que impedem Ilhéus de crescer como cidade e de se estabelecer minimamente como polo turístico.

Sem ter uma definição prévia e com bastante antecedência sobre se haverá carnaval ou não, não há como investir, como contratar, como ganhar economicamente. Não há como acumular e crescer com este importante evento típico da cultura brasileira e baiana.

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MEUS HERÓIS NÃO TIVERAM GRANA PRA MORRER DE OVERDOSE

RODRIGO MELO

Rodrigo melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Tem esse cara que já foi um tipo de ídolo no início da adolescência, mas que hoje vive pedindo grana no centro.

Basta me ver e vem logo correndo, a sonhar com cinquinho ou até mais, e eu às vezes dou, sem pensar muito no destino daquilo, embora nunca tenha sido um cara abonado. Talvez por isso o dinheiro saia mais fácil do meu bolso. De todo modo, hoje, ao passar pela praça Cairú, ele me viu, em seguida gritou e veio correndo em minha direção numa velocidade incrível.

Parou na minha frente, apertou forte a minha mão e, quando ia dizer algo, eu mandei:

-Fera, me empreste dez pilas.

Ele ficou parado, sem entender. Depois de alguns segundos, apertou mais forte a minha mão, e respondeu, sem jeito.

-Agora eu não tenho, mas pode me procurar depois.

Deu pena. Acho mesmo que ele me emprestaria a grana se tivesse naquele instante, respeitando uma espécie de código de ética que existe na malandragem, porque de certa maneira, e de algum modo, eu sou um tanto malandro também, ou pelo menos finjo ser mais ou menos bem. Mas a verdade é que eu me arrependi de ter pedido a grana. Eu o tinha constrangido. Esse tipo de coisa não se faz com os heróis, mesmo os falidos. 

– Man, você foi meu ídolo – eu disse pra ele.

– Pode crer – respondeu.

– Sério. Lembro de você com os cabelos grandes entrando com uma turma naquela casa abandonada da avenida pra fumar baseado. Eu achava que vocês botavam pra fuder.

Ele ficou rindo. Os dentes em petição de miséria. Acho que não sabia o que falar. Então alguém passou do outro lado da praça, ele esticou o pescoço e gritou. Em seguida saiu em disparada, já esquecido do que eu tinha acabado de lhe dizer.

ENSAIOS SOBRE O APOCALIPSE: OS EFEITOS DA PEC 215/00 E VOCÊ

Gabriel Henrique Moreira dos Santos é graduando em História pela Universidade Estadual de Santa Cruz, pesquisador em educação indígena e relações sócio-ambientais.

Gabriel Henrique Moreira dos Santos é graduando em História pela Universidade Estadual de Santa Cruz, pesquisador em educação indígena e relações sócio-ambientais.

Bom, se você for indígena ou quilombola, os efeitos serão catastroficamente imediatos. Se você não o for, as consequências – provavelmente irreversíveis – serão a médio e longo prazo. Sim, mas o que é essa tal de PEC 215/00 mesmo em?

Esta sigla alfanumérica que me dá calafrios toda vez que a escuto, é uma Proposta de Emenda Constitucional, que em suma, pretende retirar do poder executivo e seus órgãos competentes, e conferir ao poder legislativo (Congresso Nacional), a decisão final sobre a demarcação de novas terras indígenas, a criação de unidades de conservação ambiental e a titulação de terras quilombolas, ou seja, toda essa responsabilidade estaria nas mãos de um congresso, cujo grupo mais influente é figurado pelos deputados ruralistas,  maiores inimigos dos povos indígenas, quilombolas e do meio ambiente desse Brasil varonil.

Pois bem, senhoras e senhores, se por ventura (bate na madeira três vezes), essa tal PEC 215/00 saia do papel e entre de fato na Constituição, os seres humanos que também são índios e quilombolas, sofrerão um mortífero golpe em seus direitos e em todos os aspectos de sua vida, pois, se hoje em dia da maneira que as coisas estão, o processo de demarcação e titulação já é marcado por duelos homéricos entre o poder executivo e os movimentos sociais, imagine quando esse poder de decisão estiver nas mãos dos antagonistas históricos desses segmentos humanos?

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dom eduardo

lm mudancas













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