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:: ‘Artigos’

O MANIQUEÍSMO É O ÓPIO DOS TOLOS

LUIZ RUFFATO/EL PAÍS

odio

A frase que encima essa coluna é de Iacyr Anderson Freitas, um dos maiores poetas brasileiros contemporâneos. Ela revela bem o estranho e perigoso momento que estamos vivendo, no qual posicionarmo-nos em relação a todo e qualquer assunto, dos mais singelos aos mais polêmicos, tornou-se um exercício complexo. A sociedade brasileira encontra-se dividida em duas porções, a das pessoas que pensam como nós (os bons, inteligentes e honestos) e a das que pensam diferente de nós (os maus, burros e corruptos). A partir desse dualismo primário temos redefinido nossas amizades, amores e visão de mundo. Aceitar isso, no entanto, é trilhar o caminho pantanoso da mediocridade.

Recentemente, voltando de uma viagem de trabalho a Macau, ouvi, no trecho entre Dubai e São Paulo, um homem de seus trinta anos explicando à jovem argentina que regressava a Buenos Aires após o intercâmbio de um ano na Austrália, que a principal característica dos brasileiros era a tolerância. Decerto, ele buscava impressionar a moça com uma conversa mais intelectualizada e evocava a favor de seus argumentos todos aqueles estereótipos autocomplacentes que usamos para absolver as nossas mazelas, a “democracia racial”, a “alegria”, a “liberdade sexual”, a “diversidade da composição étnica”, etc.

Se pudesse interferir na conversa deles – o que não fiz – teria perguntado se podemos classificar de tolerante uma sociedade racista (que discrimina os descendentes de africanos e os índios), machista (cerca de cinco mil mulheres mortas por ano, o quinto maior índice de feminicídio do planeta), homofóbica (líder mundial de assassinatos de homossexuais), xenófoba (no caso, nossa intransigência é seletiva, apenas contra imigrantes pobres), e também, descobrimos há não muito tempo, fascista. Porque é uma atitude autoritária tentar impor nossas opiniões ao outro, e, quando frustrados, procurarmos desclassificar agressivamente nosso interlocutor. O totalitarismo não tem lado – ceifa à esquerda e à direita com a mesma intensidade.

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TEXTO EJACULAÇÃO OU O “SE” DO CINEMA

DI ROCHA
Fabio Di Rocha é artista multiplataforma e pesquisador das artes visuais e sonoras. Tem investido na expansão de um CINEMA VIVO, uma mistura de tudo que foi experimentado em seu próprio corpo, com notas e registros documentais e um pouco de ficção com uso de novas tecnologias. Tem investido em poéticas tecnológicas interativas e compartilhadas, no intermezzo entre a cultura digital e o espírito dos tempos. Costuma vagar pelas ruas capturando imagens do cotidiano, e sempre que é questionado sobre a obra de arte, ele responde que ela é feita para que ninguém ignore os gritos de dor do artista...Seus restos mortais serão encaminhados para a Ilha de Tinharé, de onde ele saiu e ficou....

Fabio Di Rocha é artista multiplataforma e pesquisador das artes visuais e sonoras. Tem investido na expansão de um CINEMA VIVO, uma mistura de tudo que foi experimentado em seu próprio corpo, com notas e registros documentais e um pouco de ficção com uso de novas tecnologias. Tem investido em poéticas tecnológicas interativas e compartilhadas, no intermezzo entre a cultura digital e o espírito dos tempos. Costuma vagar pelas ruas capturando imagens do cotidiano, e sempre que é questionado sobre a obra de arte, ele responde que ela é feita para que ninguém ignore os gritos de dor do artista…Seus restos mortais serão encaminhados para a Ilha de Tinharé, de onde ele saiu e ficou….

Se o cinema não tivesse morrido, faria da geografia da Cidade do Salvador, da falha geológica que marca o seu cenário, um elemento essencial da narrativa que estaria em vias de nascer. Trataria da cidade escaldada, apodrecida e abandonada como personagem. Reforçaria essa divisão, a bipolaridade – tão em voga – com muros e barricadas que separam as classes sociais, e as inúmeras dicotomias históricas: velho x novo; vícios  x virtudes, baixo x alto; etc.  Nessa divisão, alguns portais que controlam o fluxo de pessoas, com um forte esquema de segurança pulariam do ecrán. O que estaria em jogo, se o cinema não tivesse sucumbido a um esquema fundido de competições e jogatinas de ego, seriam as tentativas de fugir do controle.

Usaria a primeira (terceira) pessoa – Cartografemas –  para a narratologia, que deveria refletir o desejo de um artista-malandro de burlar os aparelhos de captura. No acaso de seu curso: lembranças falidas, os retornos tão eternos, suas descrições afetivas, os delirious (estou farto de falsos esquisitos!), as reflexões dolorosas e muitas superações ad infinitum, o esquadrinhamento social, os bons e maus encontros. O filme buscaria, se não tivesse um bando de escroto cortando os fluxos, apreender e apresentar estas oscilações que ameaçam a todo o momento a estabilidade dos lugares fixos, os procedimentos disciplinares, a clarividência do lugar do poder e as amarras das cidades-mundo.

O diagrama seria desenhado da seguinte maneira: um conjunto de relações de força, com a abertura para novos operadores sociais; a resistência e fixidez, os muros aparentemente invisíveis e tanto pixo. Esse personagem-vida seria uma força afirmativa, seu objetivo úno-múltiplo-último: exercer uma intensa ação sobre as forças que tendem para um outro tipo de funcionamento reativo desse organism social abjeto que está em curso, com suas oposições simplerrímas. Haveria uma ambição na vontade de cinemar, e que habitaria essas forças que fogem à forma-controle, justo as que conservam uma relação singular com o fora, com a exterioridade, essas multidões de “nós” mesmos escapando o tempo inteiro a tudo que é sedentário.

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ASSASSINATO DE MULHERES: UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE

JULIO GOMES
Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Julio Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

O Jornal A Tarde, em sua edição on line do dia 05/04/2016, noticiou o assassinato da professora Marilene Silva, de 37 anos, morta pelo ex companheiro, no município de Maiquinique, na Bahia, no último dia 3 de abril ( http://atarde.uol.com.br/bahia/noticias/1759938-professora-e-morta-na-bahia-apos-terminar-relacionamento ). De acordo com informações da Delegacia de Polícia, Marilene havia terminado o relacionamento com o ex convivente, que não aceitou a separação e invadiu a casa da vítima, esfaqueando-a até a morte na frente do filho de 17 anos.

Este episódio, além da tragédia que encerra em sim mesmo, torna-se ainda mais cruel e degradante por tratar-se de simplesmente mais um assassinato de mulher no Brasil, ocorrido em razão de sua condição feminina e da não aceitação, por parte do homem, do fim daquilo que seria uma relação afetiva.

Infelizmente, ainda é muito forte, em nossa cultura machista, o sentimento de posse em relação às mulheres, como se objeto fossem. A expressão: “ela é (ou foi) mulher de fulano”, tão equivocada como fartamente utilizada entre nós brasileiros, expressa o quanto estamos impregnados desse absurdo sentimento de posse, já que desde o fim da escravidão, ocorrido em 1888 – portanto há 128 anos atrás – ninguém é mais propriedade de ninguém.

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EXISTE JUSTIÇA SEM OUVIR O OUTRO LADO?

MÁRIO SCHNEIDER (SHI)
Mário Schneider é turismólogo, funcionário público,  membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela Ufsb.

Mário Schneider é turismólogo, funcionário público, membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela Ufsb.

Pois é justamente o que acontece quando você fala mal dos indígenas sem ouvi-los.

Não existe um meio de comunicação indígena, se quer ouvir o outro lado é preciso ir numa aldeia, ver com os seus próprios olhos e falar com os índios, pois os inimigos dos indígenas, desde muito tempo, colocaram notas nos meios de comunicação (que forma a opinião pública) e o resultado é que grande parte do povo foi formado nessa concepção contrária a luta indígena, achando que é fonte de fraudes, falsificações e é composta por preguiçosos que não querem trabalhar.

Até quando os meios de comunicação abordam os assuntos indígenas, quando por exemplo ocorre a divulgação dos conflitos por terra, as matérias a respeito do caso são pouco didáticas, não realizam uma abordagem necessária da legislação e das questões políticas e econômicas que estão por trás desses conflitos. Além do essencial, NÃO DÃO VOZ AOS ÍNDIOS.

No Brasil, muito diferente dos outros países, não existe nenhuma concessão de rádio ou televisão destinado para comunidades indígenas. Nenhuma! Até mesmo um programa com esse tema. Apesar da vasta e reconhecida produção de conteúdo de autoria indígena, não há onde se veicular.

A falta de uma opinião crítica a respeito dos dados apresentados e a forma como são expostos os fatos acerca dos conflitos, gera não apenas a desinformação, mas principalmente a formação de opiniões sem consciência e capacidade crítica ampla.

O argumento de que há fraude no sistema de reconhecimento da etnia, que busca deslegitimar a luta indígena, é de uma tremenda fragilidade, pois em todo lugar há problemas. Todos sabem que há fraudes no INSS, agora vamos parar a Previdência Social no país? Pelas falhas nos bancos vamos parar o sistema financeiro do país? Ou paralisar o campeonato brasileiro pelas roubalheiras da CBF? Não! Então não paremos com as demarcações e a preservação das culturas e saberes tradicionais dos povos indígenas e quilombolas.

Sem ouvir a voz dos índios, vai ser mais difícil garantir o direito ao território aos povos tradicionais e tomar conhecimento das ações que existem no Congresso, como a PEC 215 que transfere a responsabilidade de homologar Terras Indígenas, Unidades de Conservação e territórios quilombolas para o Poder Legislativo, local onde os interesses dos financiadores de mandatos (empreiteiras, latifundiários, banqueiros) são colocados acima dos interesses do povo, principalmente os povos tradicionais.

Sem ouvir a voz dos índios fica ainda mais difícil trazer à tona o fato de seis índios terem sido presos, supostamente em flagrante, após protesto contra a PEC 215 que, na prática, representaria a paralisação de todos os processos de criação dos territórios indígenas.

Sem ouvir a voz dos índios, vamos aceitar que juízes autorizem a grosso modo, a extração de areia em uma terra já demarcada e ainda aceitaremos que aqueles que estão protegendo o patrimônio natural sejam presos em meio a um protesto pacífico contra tal exploração.

Precisamos escutar o que conta os povos tradicionais, suas histórias e saberes, este conhecimento possibilita a apresentação de suas demandas ao Estado e o reconhecimento de sua existência enquanto pessoas humanas e cidadãs, detentoras de cultura e modo de vida próprios, fazendo valer assim os seus direitos.

Existem vários lados de uma história, vamos explorá-los e conhecê-los. Não é plausível que não vejam que nas prisões dos índios Babau e Teity, não existam outros fatos que não foram apontados, além da já contradição apontada nos motivos da prisão. O fato é que estavam lutando contra a exploração comercial de NOSSO patrimônio natural que, pasmem, foi autorizado por um juiz que ainda determinou a escolta da polícia para garantir tal exploração. Babau e seu povo lutam há anos contra a extração de minério, contra o desmatamento avançado, as queimadas criminosas, as difamações dos latifundiários e as tentativas de criminaliza-lo, para viabilizar a exploração comercial do seu território.

Precisamos denunciar os outros interesses por trás de toda ação contra os indígenas em nosso país. Nos unir em prol da garantia dos nossos direitos garantidos na constituição, pois ninguém fará isso por nós. A nossa elite – política e econômica – sabe bem utilizar seu poder com dois pesos e centenas de medidas para perpetuar a desigualdade, de forma cínica e covarde para nos separar, causar intrigas e impedir que nós questionemos todo o sistema como está posto.

Aqui estávamos quando outros vieram, aqui chegamos quando outros estavam, atravessamos oceanos e nos mesclamos num só povo, mas nossa história sempre foi contada e remontada sob a ótica do explorador e dos poderosos. Tal história como é contada, encontra ressonância no povo pobre que não se identifica como classe e acaba por não se juntar na luta com seus semelhantes.

Deem voz aos silenciados!

QUALQUER HORA DESSAS EU VOU MANDAR VER

RODRIGO MELO
Rodrigo Melo tem dois livros de contos publicados, "O sangue que corre nas veias" e "Jogando dardos sem mirar o alvo", ambos pela editora Mondrongo. Em breve lançará o seu primeiro livro com poemas.

Rodrigo Melo tem dois livros de contos publicados, “O sangue que corre nas veias” e “Jogando dardos sem mirar o alvo”, ambos pela editora Mondrongo. Em breve lançará o seu primeiro livro com poemas.

Ele está de frente pra tv. o sono aperta, mas o programa prende um tanto a atenção: uns sujeitos fazendo corridas clandestinas à noite em alguma cidade dos eua. um deles leva um cachorro no banco da caminhonete.
ao lado, ela joga paciência no computador.
– eu vou conseguir – ele de repente diz, entre um piscar de olho e outro.
– o quê? – ela pergunta.
– um filme. ainda vou fazer um grande filme, amor, pode acreditar. ainda vai ter muita gente me procurando pra saber das coisas que passam aqui pela minha cabeça.
– vai, sim.
– um filme foda, desses que as pessoas não conseguem mais esquecer. e vou tirar a gente desse aperto. vou levar você pra passear por aí.
– bem que seria bom – ela diz, sorrindo em sua direção.
um dos caras na tv está zangado depois de perder a corrida e fica dando cavalos de pau no meio da pista. o cachorro late.
ele fecha os olhos, cochila por um minuto ou dois – em seu sonho, um carro plana sobre o asfalto de uma autopista, seguindo numa velocidade além da luz. aos poucos, consegue ver o motorista: é ele mesmo, só que mais jovem. seu rosto está completamente azul. sorri. mesmo sonhando, tenta entender aquilo, mas não consegue. sente algo tocar em seu braço. abre os olhos e descobre é a mão da mulher.
– vamos?
ele se levanta, desliga a tv e os dois seguem juntos pelo corredor. ela deita-se sobre a cama, enquanto ele vai até o banheiro. para de frente pro espelho e olha para o seu reflexo. pensa por um segundo que todo mundo tem que tentar dominar o que traz dentro de si. e o tempo havia passado e quase nada mudara. e ele prometera coisas demais.
– qualquer hora dessas, eu vou mesmo mandar ver – diz baixo, mas o suficiente para que ela escute, ao entrar no quarto e se deitar sobre a cama. depois suspira e fecha os olhos outra vez.

BISSEXUAIS (R)EXISTEM!

NATÁLIA SANTOS
Natália é militante do Levante Popular da Juventude, e feminista negra interseccional. Tem 20 anos e acredita em um projeto popular para o Brasil!

Natália é militante do Levante Popular da Juventude, feminista negra interseccional, tem 20 anos e acredita em um projeto popular para o Brasil.

Precisamos falar sobre bissexualidade.

Quando nascemos tudo a nossa volta é heterossexual, as pessoas sem perceber acabam nos lendo como héteros, antes mesmo de nós conseguirmos proferir a primeira palavra. Logo, imagina o susto de uma mãe quando a filha de 20 anos, depois de namorar por quase sete anos com um bom rapaz de família, decide abrir o jogo e diz ser bissexual?

Não deve ser fácil, a culpa não é dela e nem de ninguém. Não é poder dos pais ou da sociedade determinar a sexualidade de alguém… Onde é que já se viu?

Crianças que passam a vida inteira tendo uma imposição de sexualidade pendendo para a heterossexual não vão se descobrir rapidamente homo, lesb ou bi não é? Normalmente é um processo demorado que necessita de aceitação própria e movimentações muito internas que são externadas aos poucos antes de desabrochar numa linda flor!

Portanto é natural que pessoas bissexuais só se encontrem enquanto Bi, depois de adultas/adolescentes, provavelmente até tendo apenas relação emocional e física com o sexo oposto, sabia?

Pois é , gente…

As pessoas heterossexuais precisam ficar com alguém do mesmo sexo para terem certeza que são heterossexuais? As pessoas cobram isso delas?

Acho que não hein!

Então porque raios é que insistem em ficar cagando regra na forma que as pessoas bissexuais se relacionam?

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ETERNO DESPREPARO EM ATENDIMENTO

NILSON PESSOA

pote de vinagrete

Cena nada surpreendente no cotidiano de Ilhéus, cidade de vasto e incalculável potencial turístico:

Numa cabana de praia, um jovem casal de turistas. Tira gosto de isca de peixe, acompanhado de molho rosé e molho de pimenta. A moça – educadamente – não reclama, apenas comenta com o garçom: “- Moço, sou alérgica a pimenta e acabei comendo pimenta pensando ser vinagrete”.

Eu estava numa mesa próxima e – não sei por que cargas d´água – o garçom me escolheu pra desabafar:  “- É mole? A mulé ali meteu pimenta na boca pensando que era vinagrete…”. 

Perguntei: Você avisou que era pimenta quando serviu?   Resposta do garçom: “- E precisa???”.

Algo inadmissível numa cidade que se diz ou pensa ser turística. No imaginário daquele garçom, todo mundo é obrigado a identificar um molho de pimenta caseiro, até os visitantes oriundos de localidades sem hábito no consumo desse tipo de condimento!

A alternativa econômica prioritária para Ilhéus após a quebradeira do cacau – nenhuma dúvida – seria o turismo. Décadas se passaram e a Princesinha ainda se mantém inerte, parada no tempo e sem se especializar no filão (falo do turismo de verdade), cuja vocação não é privilégio de qualquer município. 

Noventa quilômetros de litoral, a exuberância do que ainda resta da Mata Atlântica, riqueza histórica e gastronomia fascinante. Faca e queijo na mão, mas falta competência.

Inacreditável que Ilhéus ainda não tenha uma escola de garçons, não ministre com frequência palestras sobre bom atendimento e relações com o consumidor, nem sedie um curso de graduação técnica ou superior voltado a turismo e hotelaria. Desconheço, também, qualquer iniciativa pública de busca por aprendizado ou experiência, através de intercâmbio com outras praças bem sucedidas na importante atividade econômica do turismo. Cito, como alguns exemplos, Porto Seguro (aqui pertinho), Gramado, Natal, Campos do Jordão, etc. 

A continuar assim, posso crer que estaremos cada vez mais nos especializando, tão somente, na inútil ciência da perda de oportunidades.

A DEFESA DE DILMA NO PROCESSO DE IMPEACHMENT

JULIO GOMES
Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Coube ao Advogado-Geral da União, José Eduardo Cardozo, fazer a defesa da Presidente Dilma Rousseff no último dia 04 de abril, junto à comissão do impeachment.

A defesa feita por Cardozo se pautou, sobretudo, em argumentos jurídicos, e serviu para mostrar ao Brasil a total ausência de fundamentos legais para que possa haver um processo de afastamento da presidente.

Didático e preciso, o Advogado-Geral demonstrou que Dilma não está sendo acusada de ter cometido nenhum dos crimes capazes de levar a Presidente a uma situação de impedimento. Mostrou também que ainda que a Chefe do Executivo Federal tenha cometido algum deslize administrativo, não há presença de dolo, ou seja, da intenção de agir no cometimento do crime. Haveria, no máximo, uma conduta administrativa equivocada, não mais que isso.

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DE CUECA NO CORREDOR

RODRIGO MELO
Rodrigo Melo tem dois livros de contos publicados, "O sangue que corre nas veias" e "Jogando dardos sem mirar o alvo", ambos pela editora Mondrongo. Em breve lançará o seu primeiro livro com poemas.

Rodrigo Melo tem dois livros de contos publicados, “O sangue que corre nas veias” e “Jogando dardos sem mirar o alvo”, ambos pela editora Mondrongo. Em breve lançará o seu primeiro livro com poemas.

Na época em que morei no Rio eu sonhava em ser um grande escritor. não um escritor qualquer, mas alguém realmente foda, quem sabe uma mistura de joão antonio com sam shepard, ou algo parecido. morava com meus sogros no cachambi e logo nas primeiras semanas consegui um trabalho como auxiliar de caminhões munck em ramos, perto da avenida brasil. foi por conta dele que conheci grande parte da zona norte e da zona oeste, entrei em velhas fábricas de tubos, bobinas e todo tipo de coisas malucas e muito pesadas, fábricas que recendiam aos filmes de mad max. subi morros não pacificados para içar placas enormes. lembro de uma vez em que chegamos a ir no projac, mas não havia nenhuma atriz à vista por lá. eu vivia dependurado nas alturas, uma baita fera gorda a tentar encaixar o gancho do munck nas correntes, torcendo para que nenhuma merda acontecesse até o material estar assentado no fundo do caminhão. pensava que um dia tudo aquilo se transformaria em literatura.
houve então aquela manhã: eu lia o jornal que o motorista havia comprado e deixado sobre o banco e vi o anúncio de uma imobiliária que contratava estagiários para o seu quadro. no dia seguinte, liguei para o munck dando a desculpa de que estava com dor de dente e fui fazer a entrevista na imobiliária, que ficava num prédio lá no aterro do flamengo, o prédio do eike batista, com cinco ou seis elevadores e umas loiras sorridentes na portaria. eu usava uma camisa emprestada do meu sogro, ela que era branca com listras azuis desgastadas, e uma calça jeans com muita história pra contar. a camisa estava com a manga dobrada até o cotovelo por conta de um furo. sentado de frente para o gerente, que chamava-se aldo lomma, um dos vermes menos confiáveis que já conheci, menti bastante e tentei parecer um sujeito agradável e desembaraçado. a coisa funcionou. o canalhão disse que havia gostado de mim, que eu seria um sensacional corretor de imóveis. e então, de um dia para o outro, lá estava eu, livre dos macacões cheios faixas fosforescentes, de óleo e de graxa, e metido nas camisas listradas do sogrão. belos dias foram aqueles em que eu adentrava os lares de copacabana, e também de alguns outros bairros da zona sul, mas sobretudo de copacabana, porque sempre fui caído por aquilo ali. conheci muitas pessoas, todas à sua maneira um pouco tristes e um pouco loucas, todas em busca da sua própria luz, e tudo aquilo me acompanha até hoje. à noite, ao chegar em casa, ao invés de ler e escrever, eu entrava nos sites das imobiliárias e olhava as fotos dos apartamentos, uns maiores e mais bonitos que outros, e imaginava-me andando de cuecas por um daqueles corredores, chegando à sala, depois indo até a janela e olhando lá pra fora, para as pessoas que caminhavam pela calçada. eu acenava para elas. lá atrás, as areias e um mar que não tinha mais fim.

AOS 35 ANOS, O NELSON COSTA LAMENTA ABANDONO

CARLOS SANTIAGO
Carlos Santiago é radialista, publicitário, e morador do Nelson Costa desde 1987.

Carlos Santiago é radialista, publicitário, e morador do Nelson Costa desde 1987.

Um dos maiores bairros de Ilhéus, o Nelson Costa, sofre com descasos de governos ao longo dos seus 35 anos de história. Nascido Nova Ipanema, nome provisório desde que tropas das forças armadas organizaram ocupações no começo dos anos 80, vindo logo em seguida receber como nome oficial, o do médico Dr. Nelson Costa, esse importante lugarejo ao sul ilheense cresceu, e hoje concentra um dos maiores comércios da cidade, sendo responsável por um numeroso giro de capital e oportunidade de negócios notadamente ao longo da sua principal rua, a avenida Lótus, bem como em suas transversais.

Com tudo isso, uma marca triste deste importante bairro, é a falta histórica de atenção por parte de governantes que desfilam pela localidade, a cada quatro anos, prometendo mundos e fundos com seus tapinhas nas costas, demorados apertos de mãos e aquela célebre frase: ”Se eu for eleito, prometo…”.

Os problemas, se listados, vão ocupar uma boa parte do artigo, portanto, resumidamente, aponto a histórica demora nos pontos de ônibus (sempre lotados e sua famosa falta de abrigos, além da qualidade duvidosa dos poucos coletivos que atendem), como das mais antigas reclamações do povo nelsoncostense, seguido de varrição das ruas, manutenção dos espaços públicos, como a quadra poliesportiva da praça da Mangueira, com sua grade destruída, marcação apagada, parque infantil enferrujado e que não vê uma vassoura “há uns três anos!”, segundo palavras de morador.

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dom eduardo

lm mudancas













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