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:: ‘Artigos’

DEUS FEMININO

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Há quem acredite que em mesa de bar nada há que possa prestar. Em parte é verdade. Mas em parte é um grande equívoco.

Em animada palestra regada a cerveja para a maioria e a refrigerante e suco para alguns poucos, em Ilhéus, numa mesa situada na Barrakítica (olha o marketing!!! rsrsrsrs), conversávamos – ou discutíamos – entre outras coisas sobre a presença da divindade nas sociedades humanas, quando uma jovem questionou o fato de Deus estar sempre identificado com o gênero masculino, o que reforça a concepção ideológica machista historicamente dominante em quase todas as sociedades e épocas.

A pergunta, feita com a criticidade e audácia típica das jovens que frequentam os movimentos que questionam o “status quo” dominante, tais como são os que lutam pelos direitos das mulheres, além de ser inteligente,possibilita uma reflexão extremamente oportuna.

De fato, por uma questão de lógica, o Deus supremo, em uma concepção monoteísta; e os deuses ligados à criação, do ponto de vista politeísta, deveriam sim ser todos do gênero feminino. Assim, se antecedido de artigo definido deveria ser este do gênero feminino, ou seja: A Deus, e não O Deus. É bem simples entender o porquê disso. Veja:

Se alguém concebe e cria em si mesmo a vida entre os humanos não são os homens, e sim as mulheres. Nelas se dá a fecundação. Dentro delas se desenvolve o óvulo, que se transformará em embrião e em feto, e são elas que darão à luz o novo ser. Pode doer no orgulho masculino, mas falando do ponto de vista estritamente biológico, só somos fundamentais para fornecer os espermatozoides. E só, fisicamente falando.

Se são as mulheres as geradoras, as mães da vida, Deus e os deuses associados à criação deveriam mesmo ser todos do gênero feminino – ou então de gênero nenhum, se entendermos que Deus não tem sexo. É de fato no mínimo impróprio, ilógico mesmo, associá-lo ao masculino.

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E O CASAMENTO ENTRE HOMOSSEXUAIS NO BRASIL?

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Vivemos neste momento a euforia gerada pela aprovação, pela Suprema Corte dos Estados Unidos, da decisão que torna obrigatória, em todo o território nacional daquele país, a realização e o reconhecimento do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Esta posição favorável ao casamento homoafetivo, que já havia sido adotada por diversos países em todo o mundo, tem significado especial, em face da força política, econômica e da hegemonia ideológica dos EUA no ocidente, que tornam os Estados Unidos referência de comportamento, verdadeiro paradigma para inúmeros outros países e para milhões de pessoas.

É oportuno lembrar que no Brasil já existe a união civil entre pessoas do mesmo sexo desde 2011, quando o STF, Supremo Tribunal Federal – que equivale, no Brasil, à Suprema Corte dos EUA – decidiu que casais homossexuais passariam a ter os mesmos direitos e deveres que os casais heterossexuais; e que o casamento já pode ser realizado em cartório desde, pelo menos, 2013, ano em que o CNJ normatizou os procedimentos referentes à matéria, consolidando de fato o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Assim, os EUA acolhem, com anos de atraso em relação aos brasileiros, um direito civil que entre nós já se encontra plenamente consolidado. Mas – como é singular o nosso comportamento de colonizados ideológicos – no Brasil, em 2011 e 2013, quase ninguém comemorou da forma pública e entusiasmada a conquista desse direito.

Como este tema já se encontra bastante debatido, penso ser oportuno chamar a atenção para duas questões sobre as quais bem menos se falou. Uma é a omissão da imensa maioria dos deputados e senadores, que tanto lá nos EUA quanto aqui no Brasil nunca se dispuseram a votar para alterar a legislação relacionada ao casamento, a enfrentar a questão do casamento civil homossexual. Nossos parlamentares preferiram se omitir, para pousarem de “bonzinhos” e ficarem “bem na foto” com todo mundo, permanecendo, na imensa maioria, omissos, sendo exceções aqueles que corajosamente se posicionaram sobre o tema, fosse contra ou a favor.

Ante esta inércia do Poder Legislativo, coube ao Judiciário, através de sucessivos julgamentos que instância após instância chegaram até nossa mais alta Corte de Justiça, o STF, decidir favoravelmente à união homoafetiva, que o CNJ interpretou definitivamente como casamento em Resolução no ano de 2013. Isto demonstra tanto o oportunismo que caracteriza a maioria dos deputados e senadores quanto a importância que o Poder Judiciário tem em uma democracia, seja nos EUA ou no Brasil. :: LEIA MAIS »

NAZISMO E CRISTIANISMO

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Há algum tempo tento estabelecer as relações, sobretudo antagônicas, entre a ideologia e prática nazista; e os ensinamentos deixados por Jesus, consubstanciados na doutrina cristã. É o fruto desta reflexão que ofereço, agora, à apreciação pública.

O Nazismo, doutrina política vigente na Alemanha nas décadas de 1930 e 40 e que levou este país e o mundo à Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), é dotado de inegável conteúdo filosófico, que valorizava primordialmente aos fortes, aos poderosos, aos vencedores. Não havia lugar para deficientes físicos ou mentais, nem para homossexuais, nem para “raças inferiores”, nem para discordantes, tampouco para qualquer tipo de derrotado. Isso explica porque na Alemanha dos anos 30, ao tempo em que se exaltoutodo o tipo de atividade física – o que é positivo – paralelamente se escondeu, discriminou e retirou do convívio, de todas as formas possíveis, as pessoas consideradas fisicamente ou mentalmente não aptas – o que é péssimo.

Essa exclusão social do mais fraco, do necessitado, do diferente, do irmão mal sucedido é, em essência, a negação de qualquer resquício de amor ao próximo e, por conseguinte, da compaixão, da caridade e da solidariedade exemplificadas por Jesus.

Esta ação nazista de exclusão se expressou, na sua forma mais avançada, por meio do extermínio sistemático das minorias, dos opositores ao regime e, durante a Guerra, dos prisioneiros e de seis milhões de Judeus. E nada é mais anticristão do que este extermínio, a representar o ápice de ódio que se contrapõe a qualquer possibilidade de amor social ou humano. :: LEIA MAIS »

ONDE VOCÊ LEVA A SUA FAMÍLIA?

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

No último dia 27 de junho ocorreu, no Centro de Convenções de Ilhéus, a solenidade de formatura dos cursos técnicos ministrados pela Rede Estadual de Ensino no CEEP – Centro Estadual de Educação Profissional (antigo Colégio Estadual de Ilhéus), referente aos cursos de nível médio nas áreas de Logística e demais cursos ministrados naquela instituição.

Sou professor do CEEP e compareço todas as vezes que há formatura, para prestigiar meus alunos e colher, de minha profissão, a satisfação de ver frutificar o resultado de nosso trabalho docente, concretizado na formação de meus queridos alunos e alunas.

É sempre muito gratificante ver as famílias dos alunos presentes e orgulhosas pela vitória alcançada pelo parente querido, que sobe ao palco para colher o certificado de sua graduação, fazendo brilhar os olhos e acelerar de emoção os corações de pais, mães, avós, irmãos e demais parentes daqueles jovens de família quase sempre humilde, que agora melhor se capacitam para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e da vida.

Tais fatos, entretanto, me remetem a outras reflexões…

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UMAS LUZES PISCANDO

RODRIGO MELO
Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Conheci Ilma numa sala de bate-papo da internet. Dias depois, peguei emprestado o carro de um primo e segui rumo à Cidade Baixa, mais precisamente para a Rua São José, casa 263, perto da Igreja do Bonfim.

Toquei a campainha e, enquanto esperava, pensei: aí vem a morena sensacional que vi nas fotos, a recompensa pelas madrugadas iluminado apenas pela tela do computador, morrendo de sono mas com uma vontade imensa, morrendo de sono mas aceso por dentro, sonhando acordado, com ela, com nós, com o futuro, com uma cama redonda e macia em algum lugar. Ilma tinha seios fartos. Viver é fácil, eu imaginava. Aí vem ela.

A porta foi aberta, um velho apareceu.

– Boa noite, Ilma está?

– Você que é o Rodriguez?

– Sou.

– Eu sou o pai da Ilma. Pode entrar.

Ele virou-se e eu fui atrás. Passamos por um corredor, depois guinamos para a esquerda, entramos por outro corredor e, por fim, chegamos a uma sala. Havia uma senhora sentada no sofá, assistindo TV. Era a mãe. Ilma desceria logo, acabava de se arrumar. Sentei-me numa das poltronas e acompanhamos o Jornal Nacional. Houvera um derramamento de óleo em algum lugar – peixes e gaivotas metidos num mar negro demais. Às vezes comentávamos as reportagens. Tudo muito medido, formal. Não me sentia incomodado, de qualquer maneira. Eu me sentia, claro, como um homem escrevendo o seu próprio destino. O vento entrava pela janela e era bom estar ali.

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A SOMBRA DE CHUCK NORRIS QUE QUASE TODO MUNDO TEM

RODRIGO MELO
Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Tem esse sujeito que mora quase na mesma rua que eu. Bastante conhecido, acho que vende capeta ou ligante em entrada de show. Uma vez nos encontramos no posto de saúde do bairro, ambos estávamos com dengue, e passamos a conversar. Ele parecia ser um desses caras simples e sem muitas complicações, dois e dois igual a quatro, não mexa comigo que não mexo com você – a sombra do Chuck Norris que quase todo mundo têm.

Nos identificamos, ficamos camaradas ali mesmo. Firmeza. Depois da dengue, no entanto, toda vez que eu passava por ele e acenava, ou ele fingia não ver, ou demorava um tempo do caralho até responder. Nunca fui de ligar para o desdém alheio. Geralmente deixo pra lá e sigo na caminhada, e foi o que fiz, passei a não falar com ele também: a gente carrega o recreio da escola a vida inteira.

Quando o identificava de longe, imediatamente passava a olhar para o outro lado da rua, ou lia um letreiro, analisava uma mulher passar. Uma vez, ao subir a ladeira do “Meia Embreagem”, repentinamente nos vimos frente a frente e eu simplesmente levei a mão ao ouvido e fingi atender um telefonema. E assim voltamos a nos entender mais uma vez.

Conta que ontem, enquanto pedia um pastel de carne lá na padaria de Raimundo, senti alguém bater levemente nas minhas costas. Era ele, esticando-me a mão.

– Porra, e aquela dengue, hein?! – disse.

– Foda – eu respondi. 

Ele se sentou no banco ao meu lado, perguntou se eu tinha visto a derrota do Cruzeiro para os argentinos, depois falou da partida do Colo-Colo contra o Serra Talhada e do show de Igor Kannario que talvez venha a rolar. Cada um comeu dois pastéis. Falamos alto, sorrimos e encaramos uma morena que entrou. Quem visse de longe pensaria que a gente era primo ou qualquer coisa assim.

ESSÊNCIA INTERIOR

RODRIGO MELO

Rodrigo melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Volta e meia todo mundo desliza, vacila, troca os pés pelas mãos. Todo mundo às vezes se confunde, entende o recado errado e viaja na maionese, assemelhando-se a um trapalhão, e depois fica parecendo um avestruz à procura de um buraco para se esconder. A depender do humor, do horóscopo, do clima ou de outra atenuante, todo mundo derrapa. Comigo, no entanto, isso parece acontecer com mais frequência. Acontece bastante, aliás. Talvez eu tenha caído do berço, pode ser isso.

Na sexta passada, quando chegava à rua em que moro, reparei que o vizinho, que é professor de ioga e escuta Kitaro até umas horas, jogava brita e a espalhava sobre a rua, que é uma verdadeira superfície lunar. Atitude bacana a dele, já que a prefeitura não fez nem faz a sua parte e no dia da vaquinha para comprar a brita eu não pude participar. Que Deus me perdoe por isso e por tentar entrar em casa sem cumprimenta-lo. Mas não consegui. Tão logo coloquei a chave na fechadura, ele gritou, todo sorridente:

-E aí, vizinho, trabalhando muito?

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O PORQUÊ

RODRIGO MELO

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Sentou-se no banco e deixou sobre a mesa de cimento o envelope. À sua frente, a grande avenida e o prédio em que, na semana anterior, fez os exames. Lembrou-se de ter pensado que o achara familiar, como se já tivesse estado ali, o corredor ao sair do elevador, os cabelos longos e ondulados da atendente, a disposição do balcão e do cesto com as revistas. Lembrou-se também de que o médico sorriu ao lhe estender a mão úmida e fria.

Ficou a olhar para o envelope sobre a mesa, para o seu nome escrito no adesivo branco, uma ou outra formiga a encurtar seu caminho por cima dele – elas carregavam pedaços de folhas e farelos de pão. Não o abriria outra vez. A mulher, o filho, talvez a nora, eles sim leriam o que havia ali dentro, palavra por palavra, e depois o abraçariam cheios de lágrimas nos olhos, a dizer que eram todos uma família e que tudo ficaria bem, que ele não precisaria se preocupar.

Quis gritar, mas a praça estava cheia, pessoas caminhavam pra lá e pra cá, crianças a andar de bicicleta, elas que tinham tanta vida pela frente…

-Porquê?!!! – finalmente disse, baixo, mas forte o suficiente para que Deus pudesse escutar.

Sobre seu braço, uma das formigas encurtava o caminho com uma coisa amarela nas costas. Ele a olhou por um instante, depois esticou o polegar e a esmagou.

MAURO

RODRIGO MELO

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

A luz do sol entra pela janela, iluminando e esquentando um dos lados do seu rosto. Minutos depois ele desperta, a espremer os olhos, colocando a mão entre eles e a luz. Senta-se e olha ao redor. Um quarto branco e pequeno, nada de móveis, tevê, quadros ou porta-retratos. Somente uma cadeira com uma bolsa e algumas roupas em cima e, preso ao teto, um fio a segurar uma lâmpada apagada.

Ao lado, sobre a cama, ela ainda dorme. Observa-se esparramada, a boca aberta, o rosto amassado, os cabelos desalinhados, e pensa que agora já não se parece mais com a mulher da noite anterior.

Levanta-se da cama, vai até a cozinha. Um cacho de uvas e algumas latas de cerveja na geladeira. Vai até a sala e se debruça na janela, comendo as uvas e cuspindo os caroços a olhar para uma parte da cidade que não conhecia: uma praça mal cuidada, uma padaria, um bar, uma casa lotérica e, do outro lado, um ponto de ônibus. Alguns prédios, todos com a mesma fachada, ao redor.

-Bom dia, meu amor.

Ela está parada na porta do quarto, os olhos inchados, um sorriso pálido. Caminha até ele, passa o braço ao redor do seu pescoço e tenta beijá-lo.

-Não escovei os dentes – ele diz, recuando e evitando o beijo. – A boca está amarga.

-E o que é que tem? – ela fala, suspirando.

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LOIRO D’ÁGUA

RODRIGO MELO

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

Rodrigo Melo é Catitu, pai de Amaralina, filho de Ilhéus, escritor e fera no pingue-pongue.

A campainha toca e eu largo a caneta e o papel sobre a mesa e vou atender. Talvez seja o oficial de justiça. É uma senhora com uma sacola cheia de tecidos. Minha mulher costura, de maneira que sempre aparecem essas madames, quase todas usando óculos escuros, carros bacanas, cheirando bem, elas que não deixam de apertar a campainha até eu aparecer e dizer, pronto, estou aqui. São mulheres de médicos e também de advogados e de toda essa turma que parece ganhar dinheiro. Mesmo assim elas costumam ir às lojas caras, pegam cinco ou seis roupas para experimentar em casa, no caminho compram tecidos e trazem tudo pra cá. Dois dias depois retornam às lojas dizendo que as roupas ficaram longas ou curtas demais. Ou qualquer merda do tipo. Essa que tocou a campainha agora é uma senhora de 50 e poucos anos. Não sorri nem nada.

-Ela saiu – digo.

-Ah, que coisa. Não vou voltar depois. Essa rua é péssima. Tenho medo.

-Vai ser calçada em breve.

Ela não parece escutar.

– Vou deixar em sua mão e você fala pra ela que é pra fazer tamanho M – diz, sua voz estridente como a de uma mulher que vende produtos na tevê. – O molde é G mas eu quero M. Ela não pode errar nisso.

-Certo.

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dom eduardo

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