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:: ‘Artigos’

O BRASIL PIOROU?

RAYMUNDO SÁ BARRETO
Raymundo Sá Barreto Neto é ilheense, estudante de Geografia na Uesc.

Raymundo Sá Barreto Neto é estudante de História, coordenador do Centro de Memória de Ilhéus, membro do Conselho Municipal de Cultura e pai de Ian.

O Brasil depois de 21 anos de governo militar e 17 anos de governos do PMDB/PSDB chegou no século XXI com tudo por fazer, de escolas à hospitais, do saneamento básico à qualificação de mão de obra, com milhões de brasileiros sem ter mesmo, até o que comer. 

Em 2003 o Brasil tinha 3,5 milhões de estudantes nas universidades, de 2003 pra cá, gradativamente, a partir da criação de políticas públicas visando dar acessibilidade do brasileiro ao ensino superior, este número hoje é 7,5 milhões de estudantes. 

O salário mínimo nos anos 70,80 e 90 valia em média 70 dólares, no início do governo FHC era 60 dólares, oito anos depois era 80 dólares, hoje, com a política de valorização do salário, proposta pelo atual governo ele é de 240 dólares. 

O Brasil não tinha autonomia financeira, vivia a mercê do FMI a dívida pública durante o governo FHC foi elevada de 30 para 60% do PIB, o que até hoje não conseguimos reverter, sem falar no descaso com a população excluída e desnutrida, que simplesmente foi ignorada por todos esses governos que antecederam o governo Lula… 

Mas, segundo o “mercado”, a Globo e outros tantos sacripantas, o Brasil piorou muito depois da chegada deste governo. 

Nos últimos dois anos, um congresso composto em sua grande maioria por batedores de carteira, juntamente com os donos da telecomunicações no Brasil, que é programada pra defender o interesse de meia dúzia de corporações, intituladas de “mercado”, este mesmo mercado que anda nervoso nos noticiários, a cuspir fogo, não tem outro objetivo se não fazer com que esse governo eleito nas urnas em 2014 não tenha êxito, pois o êxito de um projeto de Brasil inclusivo é o êxito do povo brasileiro, e isto significa o fim do entreguismo, o fim do neocolonialismo, da mão de obra mal paga, o fim do lucro fácil e concentrado na mão de poucos.

Doe ter inteligência neste país, doe assistir os noticiários e enxergar nitidamente tudo o que ele tenta ocultar.

TCHAU QUERIDA!

MÁRIO SCHNEIDER SHI
Mário Schneider é turismólogo, funcionário público, membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela Ufsb.

Mário Schneider é turismólogo, funcionário público, membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela Ufsb.

De ti me despeço, após tão curta convivência.

Nem tudo foram flores, quer dizer, quase nunca flores,

Sempre divergindo, contradizendo e respeitando o discordar,

Foram tempos bons, imaturos, de curiosa descoberta.

Essa rebeldia que hoje você nos permite,

Há duras penas, através de você, aprendemos a valorizar.

Açoitada, fuzilada, pisoteada por coturnos engraxados…

Querida, obrigado por me permitir vaiar-te.

Obrigado por me permitir bater panela, gritar e o mais importante,

Cumprir meu cívico dever de dizer o que penso, como penso, livremente.

Você que é um terror para os que detém poder, pois o populariza.

Que permite plebiscitos, referendos e iniciativas populares.

Que sobrevive ao uso da força, aos cassetetes e as bombas de efeito ‘moral’.

É com pesar que escrevo-te, pois duros tempos virão,

E com o seu aprendizado que sei, nada vem tão fácil.

E vai ter luta, muita.

Tchau, tchau, querida Democracia,

Até breve!

MANIFESTO AO POVO BRASILEIRO

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Manifesto aqui, diante da vida e da História, meu sólido posicionamento CONTRÁRIO AO IMPEACHMENT, por existir uma flagrante desproporcionalidade entre o ato ilícito imputado à Presidente, conhecido como pedalada fiscal; e a punição de afastamento e perda do cargo que lhe será aplicada em eventual e previsível condenação.

Quem conhece bem o Estado brasileiro sabe que todos os dias vemos as piores condutas praticadas por inúmeros gestores públicos, os quais dilapidam intencionalmente aos bens públicos, fazendo-o de todas as formas e em benefício próprio, além de se envolverem em atos de corrupção, peculato, apropriação indébita, prevaricação e outros tão graves como tristemente comuns em todas as esferas da administração pública, agindo assim, repita-se, para seu benefício pessoal e direto.

A pedalada fiscal, frente aos ilícitos supracitados, se constitui em conduta muitíssimo menos grave, e que não reverteu em enriquecimento pessoal da gestora, a Presidente Dilma, que nunca se beneficiou economicamente de tal fato.

Entretanto, neste momento de ódio e acirramento de ânimos criado tanto pela péssima conduta de vários componentes do governo; quanto pela mídia que habilmente instigou ao máximo tais sentimentos junto ao povo, criou-se um clima no qual a razão não consegue ter voz, e que exige o sacrifício de uma Presidente que mesmo tendo permitido a pedalada fiscal, tem, pessoalmente, as mãos limpas de dinheiro público, o mesmo não se podendo dizer de seus julgadores no processo meramente político em que se transformou o impeachment, retirando o Direito de cena para que as paixões desenfreadas pudessem punir de forma absolutamente desproporcional – e por isso mesmo indevida e injusta – à Presidente Dilma. :: LEIA MAIS »

TOLERÂNCIA JÁ !

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Há um crescente apelo, no mundo atual, para que as pessoas se tornem mais tolerantes com os demais membros da população humana. E o apelo, além de cabível e oportuno, mostra-se cada vez mais necessário.

Até cerca de um século atrás um indiano jamais conviveria com um brasileiro, uma mulher americana não precisaria dar nem um bom dia a um muçulmano e este não precisaria pedir emprego e um inglês, por encontrar-se morando na Inglaterra.

Porém, com a verdadeira Revolução que se operou primeiro nos transportes e, agora, nas comunicações, todos temos de conviver, de alguma forma, com todos, por mais estranho que algum membro de nossa espécie possa ser para nós.

Mas aceitar e conviver com os outros, e especialmente com os diferentes, não é nada fácil.

Não sejamos hipócritas! É muito difícil, sim, conviver com um fundamentalista religiosos que acredita piamente que tudo o que não está de acordo com sua religião deve ser mudado a força para adaptar-se a ela, seja ele um muçulmano ou um cristão. É difícil conviver com homossexuais que se trajam e se comportam como se fossem do sexo oposto. É extremamente difícil conviver com quem acha que a finalidade única da vida é se drogar, seja com álcool ou com qualquer outra substância. E também é bastante difícil conviver com uma típica família chinesa, para quem é normal comer carne de cachorro!

Porém, acredite, todas as pessoas ou grupos acima citados também acham extremamente difícil conviver comigo e com você, mesmo sendo igualmente humanos.

Nossos hábitos e gostos mais comuns pode ser – e frequentemente são, aos olhos das pessoas de outros países e outras culturas – brutais, nojentos, profanos, cruéis, desumanos ou sacrílegos.

Por isso, a tolerância é imprescindível no mundo de hoje, tanto quanto o cartão de crédito ou a carteira de identidade do país onde se vive.

Exercitar a tolerância para poder conviver em um mundo moderno é algo que devemos fazer diariamente, com sincero e reiterado esforço, para benefício de nós mesmos e de quem convive conosco.

A vida não anda para trás, o tempo não para e nada será como antes. Tolerância não é luxo, nem qualidade: É necessidade, é requisito humano básico, fundamental para quem vive no mundo de hoje e, sobretudo, para conviver e sobreviver no mundo que virá.

JAIR BOLSONARO X JEAN WYLLYS

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

O Brasil inteiro assistiu ao vivo, quando da votação da admissibilidade do impeachment contra a Presidente Dilma Rousseff, o voto dos Deputados Federais e arqui-inimigos Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e Jean Wyllys (PSOL-RJ), ocorrido na tristemente histórica e patética sessão da Câmara dos Deputados do dia 17 de abril de 2016.

Oscilavam os votos entre as afirmações calorosas e as manifestações envergonhadas, entre o verossímil e o inacreditável quando o Dep. Bolsonaro fez o que ninguém acreditaria que pudesse ser feito: dedicou seu voto ao Coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, que representa o que houve de pior, mais covarde, desumano e infame no contexto da ditadura militar que existiu no Brasil entre 1964 e 1985.

Muitas pessoas não conseguem entender o motivo de tamanha indignação e revolta por parte de tantas pessoas em todo o Brasil, talvez por desconhecer a biografia do Coronel Ustra. Pois bem: Foi este Coronel que comandou, durante o período mais sanguinário da Ditadura, entre 1970 e 1974, o DOI-CODI do 2º Exército (São Paulo), órgão destinado a promover a repressão armada aos opositores do regime, o que era feito sem nenhum limite de legalidade e de humanidade, extrapolando violentamente o papel de mantenedor da ordem social.

Condenado em primeira e segunda instância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em sentença declaratória que o reconheceu como responsável por sequestros e tortura à frente do DOI-CODI, e acusado com base em um documento do próprio Exército pela morte de pelo menos 50 pessoas no mesmo período, o Cel. Ustra era, segundo o depoimento de um sargento que serviu na mesma unidade, “senhor da vida e da morte”,que “escolhia quem ia viver e ia morrer”.

Ora, a lei brasileira jamais permitiu a quais quer órgão de segurança a prática de sequestro, execução sumária e tortura, que neste caso incluíam “pau de arara”, eletrochoques na boca e regiões genitais e introdução de ratovivo na vagina das vítimas, segundo relatos das sobreviventes, o que explica e justifica o repúdio da imensa maioria dos brasileiros aos atos de Ustra à frente do DOI-CODI. É o inaceitável, e ponto final!

Voltando à votação, logo após o voto de Bolsonaro na sessão da Câmara, votaram a Deputada Jandira Freghali(PCdoB-RJ) e o Deputado Jean Wyllys. Entretanto Wyllys, imediatamente após votar, sob a argumentação de ter sido ofendido por Bolsonaro, desfere um cuspe no rosto deste.

Ora, o campo da política é o do debate, da disputa verbal, da votação. Exaltar um torturador assassino como Ustra pode até ser bem mais grave do que cuspir em alguém. Mas ambas as ações são inaceitáveis, incompatíveis com a conduta de um deputado em plenário e com os princípios de dignidade humana. Bolsonaro pode até ter merecido a cuspida na cara, mas cabia a Jean NÃO responder desta forma, e sim politicamente, mediante o uso de sua prerrogativa de manifestar-se como Deputado, dentro de princípios do mínimo de respeito que deve reger as relações entre seres humanos.

Entretanto, o pior resultado das ações de Bolsonaro e Jean, mais do aquilo que ocorreu em si mesmo, talvez seja empurrar os brasileiros em direção a uma postura ou de extrema e desumana agressividade, ou de total distanciamento da política. Uma é tão prejudicial ao Brasil e aos brasileiros quanto a outra.

Posso até compreender as razões alegadas por ambos para tentar justificar suas condutas. Mas, sinceramente, agindo como agiram, nenhum dos dois me representa.

SOBRE O IMPEACHMENT

JÚLIO GOMES
Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Júlio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Nesta semana em que será votado o impeachment da Presidente da República tenho visto milhares de brasileiros clamando para que Dilma seja retirada do poder em virtude de má conduta moral, senão dela, de pessoas de seu partido e que compõem seu governo, e que de escândalo em escândalo fulminaram a esperança dos brasileiros de ter um governo mais justo, mais transparente, mais honesto.

Embora entenda que Dilma, ela mesma, não tenha cometido crime de responsabilidade que justifique o impeachment, tenho de concordar com os que se indignam com o mar de corrupção em que se converteu boa parte de seu governo – que não é só do PT, é também de todos os demais partidos que o compõem.

Também tenho visto, por outro lado, pessoas dizendo que não adianta tirar Dilma para colocar no poder um Vice-Presidente que também preside um PMBD tão enfronhado em graves acusações quanto o próprio PT, e que o tempo todo conspira pela queda da Presidente unicamente para tomar-lhe o lugar. E que de nada adiantará retirar Presidente e Vice para colocar no Poder o sulista Eduardo Cunha, Presidente da Câmara; ou o nortista Renam Calheiros, Presidente do Senado – ambos acusados de prática reiterada e contínua de atos de corrupção.

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O MANIQUEÍSMO É O ÓPIO DOS TOLOS

LUIZ RUFFATO/EL PAÍS

odio

A frase que encima essa coluna é de Iacyr Anderson Freitas, um dos maiores poetas brasileiros contemporâneos. Ela revela bem o estranho e perigoso momento que estamos vivendo, no qual posicionarmo-nos em relação a todo e qualquer assunto, dos mais singelos aos mais polêmicos, tornou-se um exercício complexo. A sociedade brasileira encontra-se dividida em duas porções, a das pessoas que pensam como nós (os bons, inteligentes e honestos) e a das que pensam diferente de nós (os maus, burros e corruptos). A partir desse dualismo primário temos redefinido nossas amizades, amores e visão de mundo. Aceitar isso, no entanto, é trilhar o caminho pantanoso da mediocridade.

Recentemente, voltando de uma viagem de trabalho a Macau, ouvi, no trecho entre Dubai e São Paulo, um homem de seus trinta anos explicando à jovem argentina que regressava a Buenos Aires após o intercâmbio de um ano na Austrália, que a principal característica dos brasileiros era a tolerância. Decerto, ele buscava impressionar a moça com uma conversa mais intelectualizada e evocava a favor de seus argumentos todos aqueles estereótipos autocomplacentes que usamos para absolver as nossas mazelas, a “democracia racial”, a “alegria”, a “liberdade sexual”, a “diversidade da composição étnica”, etc.

Se pudesse interferir na conversa deles – o que não fiz – teria perguntado se podemos classificar de tolerante uma sociedade racista (que discrimina os descendentes de africanos e os índios), machista (cerca de cinco mil mulheres mortas por ano, o quinto maior índice de feminicídio do planeta), homofóbica (líder mundial de assassinatos de homossexuais), xenófoba (no caso, nossa intransigência é seletiva, apenas contra imigrantes pobres), e também, descobrimos há não muito tempo, fascista. Porque é uma atitude autoritária tentar impor nossas opiniões ao outro, e, quando frustrados, procurarmos desclassificar agressivamente nosso interlocutor. O totalitarismo não tem lado – ceifa à esquerda e à direita com a mesma intensidade.

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TEXTO EJACULAÇÃO OU O “SE” DO CINEMA

DI ROCHA
Fabio Di Rocha é artista multiplataforma e pesquisador das artes visuais e sonoras. Tem investido na expansão de um CINEMA VIVO, uma mistura de tudo que foi experimentado em seu próprio corpo, com notas e registros documentais e um pouco de ficção com uso de novas tecnologias. Tem investido em poéticas tecnológicas interativas e compartilhadas, no intermezzo entre a cultura digital e o espírito dos tempos. Costuma vagar pelas ruas capturando imagens do cotidiano, e sempre que é questionado sobre a obra de arte, ele responde que ela é feita para que ninguém ignore os gritos de dor do artista...Seus restos mortais serão encaminhados para a Ilha de Tinharé, de onde ele saiu e ficou....

Fabio Di Rocha é artista multiplataforma e pesquisador das artes visuais e sonoras. Tem investido na expansão de um CINEMA VIVO, uma mistura de tudo que foi experimentado em seu próprio corpo, com notas e registros documentais e um pouco de ficção com uso de novas tecnologias. Tem investido em poéticas tecnológicas interativas e compartilhadas, no intermezzo entre a cultura digital e o espírito dos tempos. Costuma vagar pelas ruas capturando imagens do cotidiano, e sempre que é questionado sobre a obra de arte, ele responde que ela é feita para que ninguém ignore os gritos de dor do artista…Seus restos mortais serão encaminhados para a Ilha de Tinharé, de onde ele saiu e ficou….

Se o cinema não tivesse morrido, faria da geografia da Cidade do Salvador, da falha geológica que marca o seu cenário, um elemento essencial da narrativa que estaria em vias de nascer. Trataria da cidade escaldada, apodrecida e abandonada como personagem. Reforçaria essa divisão, a bipolaridade – tão em voga – com muros e barricadas que separam as classes sociais, e as inúmeras dicotomias históricas: velho x novo; vícios  x virtudes, baixo x alto; etc.  Nessa divisão, alguns portais que controlam o fluxo de pessoas, com um forte esquema de segurança pulariam do ecrán. O que estaria em jogo, se o cinema não tivesse sucumbido a um esquema fundido de competições e jogatinas de ego, seriam as tentativas de fugir do controle.

Usaria a primeira (terceira) pessoa – Cartografemas –  para a narratologia, que deveria refletir o desejo de um artista-malandro de burlar os aparelhos de captura. No acaso de seu curso: lembranças falidas, os retornos tão eternos, suas descrições afetivas, os delirious (estou farto de falsos esquisitos!), as reflexões dolorosas e muitas superações ad infinitum, o esquadrinhamento social, os bons e maus encontros. O filme buscaria, se não tivesse um bando de escroto cortando os fluxos, apreender e apresentar estas oscilações que ameaçam a todo o momento a estabilidade dos lugares fixos, os procedimentos disciplinares, a clarividência do lugar do poder e as amarras das cidades-mundo.

O diagrama seria desenhado da seguinte maneira: um conjunto de relações de força, com a abertura para novos operadores sociais; a resistência e fixidez, os muros aparentemente invisíveis e tanto pixo. Esse personagem-vida seria uma força afirmativa, seu objetivo úno-múltiplo-último: exercer uma intensa ação sobre as forças que tendem para um outro tipo de funcionamento reativo desse organism social abjeto que está em curso, com suas oposições simplerrímas. Haveria uma ambição na vontade de cinemar, e que habitaria essas forças que fogem à forma-controle, justo as que conservam uma relação singular com o fora, com a exterioridade, essas multidões de “nós” mesmos escapando o tempo inteiro a tudo que é sedentário.

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ASSASSINATO DE MULHERES: UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE

JULIO GOMES
Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Julio Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

O Jornal A Tarde, em sua edição on line do dia 05/04/2016, noticiou o assassinato da professora Marilene Silva, de 37 anos, morta pelo ex companheiro, no município de Maiquinique, na Bahia, no último dia 3 de abril ( http://atarde.uol.com.br/bahia/noticias/1759938-professora-e-morta-na-bahia-apos-terminar-relacionamento ). De acordo com informações da Delegacia de Polícia, Marilene havia terminado o relacionamento com o ex convivente, que não aceitou a separação e invadiu a casa da vítima, esfaqueando-a até a morte na frente do filho de 17 anos.

Este episódio, além da tragédia que encerra em sim mesmo, torna-se ainda mais cruel e degradante por tratar-se de simplesmente mais um assassinato de mulher no Brasil, ocorrido em razão de sua condição feminina e da não aceitação, por parte do homem, do fim daquilo que seria uma relação afetiva.

Infelizmente, ainda é muito forte, em nossa cultura machista, o sentimento de posse em relação às mulheres, como se objeto fossem. A expressão: “ela é (ou foi) mulher de fulano”, tão equivocada como fartamente utilizada entre nós brasileiros, expressa o quanto estamos impregnados desse absurdo sentimento de posse, já que desde o fim da escravidão, ocorrido em 1888 – portanto há 128 anos atrás – ninguém é mais propriedade de ninguém.

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EXISTE JUSTIÇA SEM OUVIR O OUTRO LADO?

MÁRIO SCHNEIDER (SHI)
Mário Schneider é turismólogo, funcionário público,  membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela Ufsb.

Mário Schneider é turismólogo, funcionário público, membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela Ufsb.

Pois é justamente o que acontece quando você fala mal dos indígenas sem ouvi-los.

Não existe um meio de comunicação indígena, se quer ouvir o outro lado é preciso ir numa aldeia, ver com os seus próprios olhos e falar com os índios, pois os inimigos dos indígenas, desde muito tempo, colocaram notas nos meios de comunicação (que forma a opinião pública) e o resultado é que grande parte do povo foi formado nessa concepção contrária a luta indígena, achando que é fonte de fraudes, falsificações e é composta por preguiçosos que não querem trabalhar.

Até quando os meios de comunicação abordam os assuntos indígenas, quando por exemplo ocorre a divulgação dos conflitos por terra, as matérias a respeito do caso são pouco didáticas, não realizam uma abordagem necessária da legislação e das questões políticas e econômicas que estão por trás desses conflitos. Além do essencial, NÃO DÃO VOZ AOS ÍNDIOS.

No Brasil, muito diferente dos outros países, não existe nenhuma concessão de rádio ou televisão destinado para comunidades indígenas. Nenhuma! Até mesmo um programa com esse tema. Apesar da vasta e reconhecida produção de conteúdo de autoria indígena, não há onde se veicular.

A falta de uma opinião crítica a respeito dos dados apresentados e a forma como são expostos os fatos acerca dos conflitos, gera não apenas a desinformação, mas principalmente a formação de opiniões sem consciência e capacidade crítica ampla.

O argumento de que há fraude no sistema de reconhecimento da etnia, que busca deslegitimar a luta indígena, é de uma tremenda fragilidade, pois em todo lugar há problemas. Todos sabem que há fraudes no INSS, agora vamos parar a Previdência Social no país? Pelas falhas nos bancos vamos parar o sistema financeiro do país? Ou paralisar o campeonato brasileiro pelas roubalheiras da CBF? Não! Então não paremos com as demarcações e a preservação das culturas e saberes tradicionais dos povos indígenas e quilombolas.

Sem ouvir a voz dos índios, vai ser mais difícil garantir o direito ao território aos povos tradicionais e tomar conhecimento das ações que existem no Congresso, como a PEC 215 que transfere a responsabilidade de homologar Terras Indígenas, Unidades de Conservação e territórios quilombolas para o Poder Legislativo, local onde os interesses dos financiadores de mandatos (empreiteiras, latifundiários, banqueiros) são colocados acima dos interesses do povo, principalmente os povos tradicionais.

Sem ouvir a voz dos índios fica ainda mais difícil trazer à tona o fato de seis índios terem sido presos, supostamente em flagrante, após protesto contra a PEC 215 que, na prática, representaria a paralisação de todos os processos de criação dos territórios indígenas.

Sem ouvir a voz dos índios, vamos aceitar que juízes autorizem a grosso modo, a extração de areia em uma terra já demarcada e ainda aceitaremos que aqueles que estão protegendo o patrimônio natural sejam presos em meio a um protesto pacífico contra tal exploração.

Precisamos escutar o que conta os povos tradicionais, suas histórias e saberes, este conhecimento possibilita a apresentação de suas demandas ao Estado e o reconhecimento de sua existência enquanto pessoas humanas e cidadãs, detentoras de cultura e modo de vida próprios, fazendo valer assim os seus direitos.

Existem vários lados de uma história, vamos explorá-los e conhecê-los. Não é plausível que não vejam que nas prisões dos índios Babau e Teity, não existam outros fatos que não foram apontados, além da já contradição apontada nos motivos da prisão. O fato é que estavam lutando contra a exploração comercial de NOSSO patrimônio natural que, pasmem, foi autorizado por um juiz que ainda determinou a escolta da polícia para garantir tal exploração. Babau e seu povo lutam há anos contra a extração de minério, contra o desmatamento avançado, as queimadas criminosas, as difamações dos latifundiários e as tentativas de criminaliza-lo, para viabilizar a exploração comercial do seu território.

Precisamos denunciar os outros interesses por trás de toda ação contra os indígenas em nosso país. Nos unir em prol da garantia dos nossos direitos garantidos na constituição, pois ninguém fará isso por nós. A nossa elite – política e econômica – sabe bem utilizar seu poder com dois pesos e centenas de medidas para perpetuar a desigualdade, de forma cínica e covarde para nos separar, causar intrigas e impedir que nós questionemos todo o sistema como está posto.

Aqui estávamos quando outros vieram, aqui chegamos quando outros estavam, atravessamos oceanos e nos mesclamos num só povo, mas nossa história sempre foi contada e remontada sob a ótica do explorador e dos poderosos. Tal história como é contada, encontra ressonância no povo pobre que não se identifica como classe e acaba por não se juntar na luta com seus semelhantes.

Deem voz aos silenciados!

dom eduardo

arquiteto











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