WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia
secom ponte ilheus shopping jequitiba Neste site
julho 2020
D S T Q Q S S
« jun    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

:: ‘Artigos’

A INCRÍVEL HISTORIA DE CHE GUEVARA EM ILHÉUS

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate e Diretor Presidente da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem do Sul da Bahia.

O navio da Costeira havia chegado na madrugada, jogou âncora nas proximidades da entrada da barra, esperou o dia amanhecer, soltou cinco apitos longos e graves entrando na baía do Pontal  com a elegância de um cisne negro, ancorou pouco tempo depois no cais da companhia, o movimento frenético do desembarque começou imediatamente, uma multidão logo se formou na balbúrdia do cais, estivadores, marinheiros, passageiros, pessoas que esperavam parentes, vendedores de pastel, picolé e jornal, carregadores de bagagens oferecendo seus serviços em carrinhos de mãos, e toda fauna humana que habita beiras de cais em qualquer lugar do mundo, pescadores, marujos, prostitutas, meliantes amadores e profissionais. O ar estava tomado pelo cheiro nauseante da maresia, misturado a peixes, perfumes, suor e charutos, tão intenso que  inebriava os mais sensíveis e gerava reclamações dos mal humorados, isso tudo debaixo de uma chuva fina e um calor abafado.

Passou sem ser notado, carregando uma pequena maleta de couro  marrom, vestido em um surrado terno de linho branco, apesar de alto e jovem, caminhou a passos lentos em direção ao Hotel Coelho, duas quadras de distância do porto, lá escreveu na ficha de hospedagem o nome de Ernesto G. de La Serna, natural da Argentina, 30 anos, médico de profissão.

Do contrário, navio, desembarcou com idêntica discrição, o cidadão americano Porter J. Goss, nome que colocou na ficha de hospedagem do mesmo hotel, preenchida dezessete minutos após o argentino Ernesto.

A Ilhéus de 1956, era pequena mas cosmopolitana cidade, com grande presença de estrangeiros, tanto em sua população fixa como de visitantes, muitos deles atraídos pelos milhões gerados no próspero negócio do cacau.

Os hóspedes estrangeiros do Hotel Coelho, juntaram-se a outros tantos que iam e vinham nas ruas próximas ao cais, a cidade fervilhava logo cedo, o movimento dos poucos automóveis disputava o espaços das ruas com tropas de muares carregando cacau para o cais, a estudantada passava fazendo algazarras, e as lojas começavam a abrir suas portas, já era quente e abafado o início do dia, com sol matinal e chuvas eventuais de verão, nesta época, os libaneses e sírios dominavam o comércio, algumas firmas exportadoras de cacau eram de suíços e outras de grandes empresários de Salvador, os ingleses eram os homens da ferrovia, e os sergipanos vindo de todo nordeste inclusive do sertão baiano, tocavam as bodegas, mercearias, vendas e o negocio de quinquilharias em geral, aos negros cabia o trabalho pesado da estiva e os serviços gerais das roças de cacau nas matas úmidas da região, tudo girava em torno do fruto dourado e do movimento de navios no cais do porto.

:: LEIA MAIS »

O OUTEIRO DE SÃO SEBASTIÃO: UMA HISTÓRIA DE ILHÉUS

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate e Diretor Presidente da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem do Sul da Bahia.

O mar calmo do dia 20 de janeiro de 1536, permitiu a fácil navegação até o interior da baía, uma ancoragem tranquila marcou o fim de uma longa viagem que havia começado quatro meses antes em Portugal, era verão nos Ilhéus, já batizado de São Jorge, que recebia a primeira embarcação com colonos enviada pelo donatário da Capitania, Jorge Figueiredo Correia.

A exuberante colina tomada por uma densa floresta que dominava a entrada da baía, foi logo apontada como o ponto ideal para a construção das primeiras moradias e fortificações, a data deu o nome a colina, Outeiro de São Sebastião.

Nascido na cidade do Porto,  experiente em navegações pelos Açores e África, o marujo Manoel Antônio Gonzaga, foi encarregado de derrubar as primeiras árvores, abrir clareira e construir moradias, no dia seguinte acompanhado por mais três marujos subiu o Outeiro com grande dificuldade, trabalho duro, aberto a primeira clareira puderam se deslumbrar com a beleza da paisagem descortinada para o Atlântico, quando se preparavam para descer foram tomados de surpresa ao descobrirem uma família de macacos no alto de uma árvore, Manoel o único que possuía uma arma, não teve dúvidas,  apontou a velha besta carregada de pólvora e chumbo na direção dos bichos, notou que tratava-se de uma fêmea com filhote no colo e um macho forte pouco acima, com a mira feita em distância curta preparou para o disparo quando ouviu a macaca dizer em alto e bom som, “ou Inácio segura aqui Ignacio, vou ver se esse português é macho” descendo em balada carreira na direção ao português Manoel, assustado, tanto pela reação e mais ainda por ver bicho falar, fugiu em disparada desengonçado que escorregou na borda de um precipício e caiu de grande altura, falecendo imediatamente.

Em 1567, a Vila de São Jorge dos Ilhéus já se espalhava do Outeiro ao baixio plano e brejado que circundava o sopé do morro,  da beira mar até a enseada de dentro, onde o cais improvisado aportavam raras caravelas que bordeavam a costa, ligando os pequenos povoados a Salvador e Lisboa.

Foto: Ilhéus 24h.

Por essa época, travava-se no Rio de Janeiro, ainda um povoamento, uma ranzinza batalha entre os franceses liderados por Nicolau Durand de Villegagnon, contra os portugueses, por sua vez liderados por Estácio de Sá. Com dificuldades para vencer a batalha e expulsar os franceses da Guanabara,          o governador Geral do Brasil,  Mem de Sá, resolve formar uma tropa, e ajudar seu sobrinho, recrutou em Ilhéus um exército mambembe formado por índios, caboclos e uns poucos portugueses, partiram por terra para o Rio de Janeiro em outubro de 1567, entre os Ilheenses logo se destacou Felisberto Duvivier, filho de um francês deportado, com uma Índia nativa de Olivença,  catequisada pelos Jesuítas, aceitou casar com o francês, tiveram vários filhos, o mais velho, Duvivier, nasceu no Outeiro de São Sebastião em maio de 1545, recebendo a reencarnação do espírito do finado Manuel, aquele dos macacos.

:: LEIA MAIS »

OH! O NOME DA DELAÇÃO É “PREMIADA”

Agora, as críticas se generalizaram em razão dos benefícios que teriam sido concedidos aos proprietários do grupo empresarial JBS ou outras siglas no acordo de delação premiada.

São reclamações que vêm de todos os setores da sociedade; de alguns com maior ênfase, de outros, mais moderadas, todos numa onda gigante contra o Ministério Público Federal.

Não há argumentos nem análises sobre o fato de ser a delação uma negociação mesmo. Se não fossem pelos benefícios, não haveria delação. Deveria sobrepesar os benefícios trazidos à sociedade decorrentes das delações. Também, se de outra maneira eles surgiriam. Se de outra maneira figurões pegos em gravações seriam alcançados a tempo de sofrerem punições.

Antes das delações, até se poderia chegar ao andar de cima, mas apenas para dar uma aparência de funcionalidade aos órgãos jurisdicionais. Mas, os eventuais atos delitivos já estariam prescritos. Essa tal de prescrição sempre foi uma máquina da impunidade. Uma figura jurídica que 99% dos brasileiros não têm a vaga noção de como e por que ocorre. Era – e ainda é – utilizada por muitos, com bastante rococó dos aplicadores do direito, exatamente por ser desconhecida da sociedade.

:: LEIA MAIS »

O TURISMO ASSOCIADO A CHOCOLATE, UMA NOVA OPORTUNIDADE

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate e Diretor Presidente da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem do Sul da Bahia.

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate e Diretor Presidente da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem do Sul da Bahia.

Existe uma enorme sinergia entre chocolate e turismo, são inúmeros os exemplos de cidades que se tornaram referência em destino turístico vinculado ao chocolate, ou que tem no chocolate uma referência importante entre suas atrações.

No estado da Pensilvânia nos EUA, a cidade de Hershey, sede da primeira fábrica de chocolates da famosa marca que leva o seu nome, desprovida de excepcionais belezas naturais ou importância histórica, fez do chocolate sua principal atração, consolidando-se como um destino de referência neste tema, com centenas de atrações nas avenidas Cacau e Chocolate ruas que concentram restaurantes, museus, lojas e boutiques de chocolates.

No México em Tabasco, a cidade de Villa Hermosa, criou a Rota do Cacau Maia, oferecendo história associada a chocolates com sabores tradicionais, assemelhados as misturas que deu origem histórica ao chocolate, há mais de mil anos.

A capital belga, Bruxelas, tem no chocolate uma referência cultural importante é lá que está o principal museu do mundo dedicado a este tema, assim como Paris, que realiza eventos comerciais e promocionais associado a imagem da cidade, já tão badalada, ao chocolate.

cacau-e-choco-300x200

Outras estratégias também são interessantes como hotéis temáticos dedicados ao chocolate, seja na arquitetura,  decoração, serviços e culinária, como o The Chocolate Butique Hotel na Inglaterra e o Fábrica do Chocolate em Viena do Castelo em Portugal, construído no prédio de uma antiga fábrica de chocolates.

Aqui no Brasil, o exemplo mais conhecido de associação de chocolate com turismo, é Gramado na Serra Gaúcha, que fomentou uma parque fabril e comercial de chocolates tradicionais, usando o processo de derreter coberturas já industrializadas, re-formar e embalar sob novas marcas, vinculando-se ao conceito europeu, associado chocolate ao frio e ao leite.

:: LEIA MAIS »

CAOS NO ESPÍRITO SANTO: MOMENTO DE DISCUTIR A DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo.

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo.

No Espírito Santo, familiares de policiais militares armaram acampamentos em frente a batalhões, paralisando atividades da corporação e levando a segurança pública do Estado ao caos.

Protestam por melhores salários e condições de trabalho. Pois, sim, pagamos salários ridículos, de fome, aos policiais e exigimos que se sacrifiquem em uma guerra em nome de nosso patrimônio. Enquanto isso, uma parcela considerável da população – tanto a parte que quer uma sociedade autoritária como a que não quer – está pouco se lixando para eles, elas e suas famílias.

Se tivéssemos um Congresso Nacional preocupado com a qualidade de vida do país, o momento deveria ser usado para discutir o futuro e a natureza das forças policiais para além de endurecer as leis para jogar mais gente na cadeia. Pois a situação-limite no Espírito Santo se repete em todo o território nacional, com maior ou menor intensidade.

Isso passa necessariamente pela discussão da reestruturação da polícia e sua desmilitarização, além de equipá-la, treiná-la e remunerá-la para fazer frente aos desafios de um país que tem na injustiça e na violência sociais suas pedras fundamentais.

O pensamento binário é fascinante. Para algumas pessoas, a vida é simples: é céu ou inferno. Não existe outra coisa entre um polo e outro, nenhuma área cinzenta, nenhuma dúvida, nada. Para elas, o mundo não é complexo. As pessoas idiotas é que tentam turvar aquilo que é certo, confundindo a certeza que deus nos deu. Daí, para a vida fazer sentido, dizem que todos têm que abraçar uma ideia e simplificar o mundo ao máximo.

Por exemplo, para alguns desse tipo, se você critica a atuação da polícia em uma operação realizada em uma comunidade pobre, afirma que há suspeitas de envolvimento de policiais em uma chacina na periferia ou diz que eles tratam com truculência parte das manifestações de rua, é um defensor de bandidos, quer a morte de policiais e deseja beber o sangue de crianças sacrificadas em nome de algum demônio. O mais feio deles.

:: LEIA MAIS »

MORTA NO AVIÃO QUE LEVAVA TEORI, MAÍRA PANAS AGORA É LINCHADA NAS REDES

POR NATHALI MACEDO*

Maíra.

Maíra.

Não nos empolguemos tanto, o Brasil atual não é um seriado eletrizante. É, no máximo, uma novela previsível. Em um país em que um presidente golpista nomeia um ministro no órgão judiciário máximo da república  para julgar a operação em que foi delatado mais de quarenta vezes, é rir pra não chorar.

Pior ainda quando, diante disso tudo – e de todo o resto – as pessoas encontram tempo e disposição para se perguntarem o que estaria fazendo a massoterapeuta Maíra Panas no mesmo avião que o Ministro Teori Zavascki.

Maíra morreu. Sua mãe, que também estava a bordo, morreu. O ministro Teori Zavascki morreu, e tudo o que as pessoas querem saber, tudo o que realmente importa para elas, é por que uma mulher solteira aceitou o convite de um de seus clientes para ir a Paraty em um avião particular. Só mesmo em meio a uma novela entediante alguém pode ter tempo para indagações tão inúteis.

Resolvem agora especular que Maíra era garota de programa, e não massoterapeuta de Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, dono do Hotel Emiliano, que a convidou para um passeio. Vivemos no país em que garotas de programa levam suas mães para o batente?

:: LEIA MAIS »

PUXADA DO MASTRO, SUA ORIGEM, RITUAIS E PERMANÊNCIAS

Foto: Gidelzo Silva.

Foto: Gidelzo Silva.

A festa da Puxada do Mastro de São Sebastião em Olivença , tem origem no século XVI  quando padres jesuítas estabelecidos na região em uma tentativa de catequização dos indígenas, apropriam-se de uma manifestação cultural nativa , a corrida de tora, para disseminar elementos cristão entre os indígenas aldeados.

Sua história, esta intimamente relacionada a história de permanecia e resistência dos indígenas Tupinambá de Olivença, que utilizaram-se da festa para a manutenção de traços culturais  fundamentais na luta afirmação enquanto povo indígena e demarcação de seu território.

A festa que tem vários ciclos ,  inicia-se com a escolha da árvore, por um grupo de machadeiros  os quais determinam qual  será o mastro daquele ano, para que no  segundo domingo de janeiro a comunidade vá buscar e trazer até o centro de Olivença (Aldeia-mãe).

Ainda nos dias que antecedem a puxada do Mastro, a comunidade de Olivença prepara-se para os festejos ornamentando o espaço, realizando apresentações culturais a exemplo do Bloco dos Mascarados, Terno das Camponesas e Boi Estrela. Manifestações essas que ao som da Zabumba e do Sino do Badalo, fornecem o tom da festa e preservam os resquícios da língua Tupi antigo através do Ajuê Dão, Ajuê Dão Dão, única música cantada durante toda o festejo intercalada com trovas e rimas.

No local onde a arvore é  derrubada , denominado de Cepa, existe um misto de fé , devoção e sacralidade, onde indígenas reafirmam seus trocos familiares, refletem sobre a comunidade e repassam a tradição para os mais novos através do Mastaréu; um mastro específico para as crianças que realizam um ritual da mesma maneira que os adultos, desgalhando, descascando e puxando o tronco até chegar na primeira praia.

É importante lembrar que com uma nova concepção de sustentabilidade , novos rituais foram inseridos no festejo ao longo dos anos, sendo o de principal destaque a pratica do poranci antes da saída do cortejo até a mata e o replantio de árvores no local da Cepa.

Vários elementos semióticos são observados nesse instante da festa, folhas de árvores e cipó se tornam adereços de cabeça, pedaços de corda se tornam enfeites para o corpo na busca da memória dos antepassados, o mastro puxado pela população é arrastado pelas praias de Olivença até chegar na ladeira principal onde é aguardado por uma multidão que ao som de bandas locais animam a festa.

Após passado o dia da puxada propriamente dita o mastro é substituído na praça, o tronco novo é retalhado e o antigo guardado junto com o mastaréu para ser queimado nos festejos juninos, muitas simpatias e tradições são realizadas no momento em que o mastro é erguido buscando proteção para toda a comunidade.

Atualmente a Puxada do Mastro tem uma organização institucional por meio da Associação dos Machadeiros de Olivença , que devido as proporções que a festa tomou no calendário turístico regional , busca direcionar a programação para melhor atender a todos que apreciam o folguedo.

Por: Erlon Costa. Mestre em Desenvolvimento Sustentável em Terras Indígenas- Universidade de Brasília, Especialista em Psicologia Social,UESC, Históriador e etnógrafo da Puxada do Mastro há 18 anos.

UM NOVO SUPREMO

PEDRO CARDOSO DA COSTA

supremo

Nesta data, a República Federativa do Brasil declara e dá fé de que foi instituído um novo Supremo. É mais amplo e bem mais poderoso do que o anterior, porque é multipoderoso e se sobrepõe ao Executivo, ao Legislativo e, principalmente, ao Poder Judiciário.

Ele não se enquadra na tripartição dos poderes. Internamente tem soberania absoluta. Seu poder não se expande pelo planeta e chega a Marte porque alguns países, com democracia consolidada, teimam em não obedecer a ordens de soberanos de outros países.

Aqui dentro, ele manda em todos da forma com quem e na hora em que bem entender. E é prontamente obedecido. Determina as leis que serão votadas, e somente se a matéria lhe interessar.

Por estar na Constituição, alguém legitimado formalmente apresenta um projeto de lei para que a merenda das escolas públicas seja doce; porém ele aprova apontando que deve ter sal e com doses acentuadas de pimenta. Todos os seus pares aporvam candidamente. Os motivos que os levam à obediência cega, todos, todos têm noção, mas ninguém pode apontar com certeza, devido ao risco de ser processado. Caso seja de sua vontade, será processado e condenado na hora e por quantos votos ele determinar.

:: LEIA MAIS »

QUANDO O POVÃO FOR ÀS RUAS COBRAR A FATURA, O BRASIL FECHARÁ PARA BALANÇO

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Antes de mais nada, considero mais do que justa e necessária mobilizações contra a corrupção. Como escrevo sempre neste espaço, espero que a operação Lava Jato alcance todos os partidos políticos e suas lideranças envolvidos em falcatruas, bem como grandes empresas, mesmo que isso signifique o fim do mundo. Até porque mobilização contra apenas um lado não é mobilização, é massa de manobra.

Da mesma forma, considero mais do que insana e descabida qualquer mobilização por ”intervenção militar”. Espero que essa minoria barulhenta nas manifestações – minoria que tem problema de cognição no que diz respeito à História do Brasil – não seja contagiosa a ponto de inviabilizar o futuro do país.

Dito isso, é fascinante como é construída a noção de que uma sociedade complexa, como a brasileira, conta com apenas uma única ”opinião pública”.

Milhares de manifestantes tomam as ruas de várias cidades brasileiras contra as mudanças no pacote anticorrupção realizadas pela Câmara dos Deputados e em apoio à operação Lava Jato. A partir desse fato, políticos, jornalistas e formadores de opinião passam a dizer que a ”população brasileira” foi às ruas, que a ”população brasileira” quer tal coisa, que a ”população brasileira” está cansada disso ou daquilo.

Mas sem uma pesquisa de opinião que mostre que os manifestantes representam, de forma proporcional, todos os estratos e grupos da sociedade, não é possível fazer essa tal afirmação. Isso é desejo de quem faz a análise ou, pior, má intenção.

Porque a mesma extrapolação nunca foi aplicada para dizer que a ”população brasileira” exigia uma reforma agrária e a limitação do tamanho dos latifúndios com base nas históricas marchas do MST, que reuniam dezenas de milhares de pessoas.

Tratar das reivindicações do ”grupo que foi às ruas” seria mais honesto. Mas que graça teria, não é mesmo?

:: LEIA MAIS »

NOSSAS OCUPAÇÕES DEVEM IR ALÉM DOS IMPACTOS DA PEC NA EDUCAÇÃO

Mário Schneider é turismólogo, funcionário público, membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela Ufsb.

Mário Schneider é turismólogo, funcionário público, membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela UFSB.

Talvez um dos erros que estão sendo cometidos nas ocupações e suas notas públicas é a ausência de detalhamento do impacto da PEC 241 na Saúde Pública e outros setores. Já existe algumas poucas notas dos trabalhadores do setor, porém ainda é muito pouco diante da gravidade da situação. A saúde é uma das maiores reclamações da população e restringir os argumentos aos impactos na educação talvez não demonstre o tamanho da gravidade da situação e o quanto ela vai impactar no dia-a-dia da população mais pobre e carente.

Eem 20 anos, SUS pode deixar de receber mais de 400 bilhões de reais, com o crescimento e o envelhecimento da população, poderia trazer efeitos trágicos.

“trocando em miúdos”, muita gente vai morrer.

Ainda com respaldo na legislação implementada no governo anterior, o Orçamento da saúde ainda deve crescer em 2017 e será “congelado” em 2018 maior, a partir de 2019, a saúde começa a perder dinheiro, corrigido apenas pela inflação. Qualquer ganho de receita não será repassado à saúde conforme fomos alertados pelo Conselho Nacional de Saúde.

Segundo pesquisa do CNS: “até 2036, a mudança estabelecida pela PEC poderá fazer com que o SUS perca pouco mais de 430 bilhões de reais, projetando-se um crescimento do Produto Interno Bruto anual de 2% neste período e uma inflação de 4,5%. O valor da perda calculada por ele é próximo ao levantado por um estudo de dois pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que falam em 400 bilhões de reais.”.

A Associação Brasileira de Saúde Pública, criticou a PEC. Na carta eles denunciam o sucateamento do SUS, que é utilizado principalmente pela população de baixa renda que não tem plano de saúde.

Além da saúde, temos que contar o que a PEC fará nos outros setores, pois de acordo com o texto da proposta, o reajuste do salário mínimo só poderá ser feito com base na inflação – e não como era feito anteriormente comando a inflação ao valor proporcional ao crescimento do PIB. Isso afetará os salários que estão atrelados ao mínimo.

Paralelo a isto, o texto da PEC limita apenas as despesas primárias do governo, ou seja, não impõe restrições ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública que, representa mais da metade do dinheiro do Brasil. E você sabe pra quem vai este dinheiro? Pra quem o Brasil (Nós Brasileiros) devemos tanto que o Governo sequer aceita uma apuração?

É preciso dissecar o processo de endividamento do País e buscar a verdadeira natureza dessa dívida pública que tem absorvido a parte mais relevante dos recursos nacionais, enquanto faltam recursos para o atendimento aos Direito Sociais básicos de milhões de brasileiros que vivem na pobreza e miséria, nisso a PEC não mexe, pois sabemos que grande parte destes são banqueiros e especuladores financeiros, grandes financiadores de campanhas dos que lá estão para supostamente nos representar.

Vale lembrar que uma auditoria cidadã, como a que está sendo proposta aqui pela organização Auditoria Cidadã (www.auditoriacidada.org.br), no Equador conseguiu emitir um relatório da dívida de lá que apontou uma série de graves indícios de ilegalidades e ilegitimidades e serviu para embasar o Presidente Rafael Correa para a anulação de 70% da dívida externa em títulos do país. Os recursos hoje estão sendo empregados em saúde, educação e outros investimentos reais me vez de ir pro bolso de alguns poucos que realmente mandam nosso Brasil.

É preciso crescer as lutas e as informações contante nas ocupações pelo Brasil, levar essas informações em todos os cantos para a população poder reagir a isto tudo que está acontecendo e que atingirá a todo mundo, principalmente os mais fragilizados e que tanto necessitam dos serviços públicos.

Viva xs guerreirxs deste Brasil, todo poder emana do povo, parabéns a todxs que estão ocupando e/ou planejando ocupar, aos que querem ajudar os já presentes, aos que doam e principalmente aos que já sabem a situação calamitosa que nos aguardam e faz de tudo para ocupar as redes sociais com os alertas à população.

Há braços de luta, viva a juventude Brasileira!

Clique no “leia mais” e confira links com as notas de várias entidades contrárias a PEC.

:: LEIA MAIS »



dom eduardo

lm mudancas













WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia