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:: ‘Artigos’

CAOS NO ESPÍRITO SANTO: MOMENTO DE DISCUTIR A DESMILITARIZAÇÃO DA POLÍCIA

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo.

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo.

No Espírito Santo, familiares de policiais militares armaram acampamentos em frente a batalhões, paralisando atividades da corporação e levando a segurança pública do Estado ao caos.

Protestam por melhores salários e condições de trabalho. Pois, sim, pagamos salários ridículos, de fome, aos policiais e exigimos que se sacrifiquem em uma guerra em nome de nosso patrimônio. Enquanto isso, uma parcela considerável da população – tanto a parte que quer uma sociedade autoritária como a que não quer – está pouco se lixando para eles, elas e suas famílias.

Se tivéssemos um Congresso Nacional preocupado com a qualidade de vida do país, o momento deveria ser usado para discutir o futuro e a natureza das forças policiais para além de endurecer as leis para jogar mais gente na cadeia. Pois a situação-limite no Espírito Santo se repete em todo o território nacional, com maior ou menor intensidade.

Isso passa necessariamente pela discussão da reestruturação da polícia e sua desmilitarização, além de equipá-la, treiná-la e remunerá-la para fazer frente aos desafios de um país que tem na injustiça e na violência sociais suas pedras fundamentais.

O pensamento binário é fascinante. Para algumas pessoas, a vida é simples: é céu ou inferno. Não existe outra coisa entre um polo e outro, nenhuma área cinzenta, nenhuma dúvida, nada. Para elas, o mundo não é complexo. As pessoas idiotas é que tentam turvar aquilo que é certo, confundindo a certeza que deus nos deu. Daí, para a vida fazer sentido, dizem que todos têm que abraçar uma ideia e simplificar o mundo ao máximo.

Por exemplo, para alguns desse tipo, se você critica a atuação da polícia em uma operação realizada em uma comunidade pobre, afirma que há suspeitas de envolvimento de policiais em uma chacina na periferia ou diz que eles tratam com truculência parte das manifestações de rua, é um defensor de bandidos, quer a morte de policiais e deseja beber o sangue de crianças sacrificadas em nome de algum demônio. O mais feio deles.

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MORTA NO AVIÃO QUE LEVAVA TEORI, MAÍRA PANAS AGORA É LINCHADA NAS REDES

POR NATHALI MACEDO*

Maíra.

Maíra.

Não nos empolguemos tanto, o Brasil atual não é um seriado eletrizante. É, no máximo, uma novela previsível. Em um país em que um presidente golpista nomeia um ministro no órgão judiciário máximo da república  para julgar a operação em que foi delatado mais de quarenta vezes, é rir pra não chorar.

Pior ainda quando, diante disso tudo – e de todo o resto – as pessoas encontram tempo e disposição para se perguntarem o que estaria fazendo a massoterapeuta Maíra Panas no mesmo avião que o Ministro Teori Zavascki.

Maíra morreu. Sua mãe, que também estava a bordo, morreu. O ministro Teori Zavascki morreu, e tudo o que as pessoas querem saber, tudo o que realmente importa para elas, é por que uma mulher solteira aceitou o convite de um de seus clientes para ir a Paraty em um avião particular. Só mesmo em meio a uma novela entediante alguém pode ter tempo para indagações tão inúteis.

Resolvem agora especular que Maíra era garota de programa, e não massoterapeuta de Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, dono do Hotel Emiliano, que a convidou para um passeio. Vivemos no país em que garotas de programa levam suas mães para o batente?

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PUXADA DO MASTRO, SUA ORIGEM, RITUAIS E PERMANÊNCIAS

Foto: Gidelzo Silva.

Foto: Gidelzo Silva.

A festa da Puxada do Mastro de São Sebastião em Olivença , tem origem no século XVI  quando padres jesuítas estabelecidos na região em uma tentativa de catequização dos indígenas, apropriam-se de uma manifestação cultural nativa , a corrida de tora, para disseminar elementos cristão entre os indígenas aldeados.

Sua história, esta intimamente relacionada a história de permanecia e resistência dos indígenas Tupinambá de Olivença, que utilizaram-se da festa para a manutenção de traços culturais  fundamentais na luta afirmação enquanto povo indígena e demarcação de seu território.

A festa que tem vários ciclos ,  inicia-se com a escolha da árvore, por um grupo de machadeiros  os quais determinam qual  será o mastro daquele ano, para que no  segundo domingo de janeiro a comunidade vá buscar e trazer até o centro de Olivença (Aldeia-mãe).

Ainda nos dias que antecedem a puxada do Mastro, a comunidade de Olivença prepara-se para os festejos ornamentando o espaço, realizando apresentações culturais a exemplo do Bloco dos Mascarados, Terno das Camponesas e Boi Estrela. Manifestações essas que ao som da Zabumba e do Sino do Badalo, fornecem o tom da festa e preservam os resquícios da língua Tupi antigo através do Ajuê Dão, Ajuê Dão Dão, única música cantada durante toda o festejo intercalada com trovas e rimas.

No local onde a arvore é  derrubada , denominado de Cepa, existe um misto de fé , devoção e sacralidade, onde indígenas reafirmam seus trocos familiares, refletem sobre a comunidade e repassam a tradição para os mais novos através do Mastaréu; um mastro específico para as crianças que realizam um ritual da mesma maneira que os adultos, desgalhando, descascando e puxando o tronco até chegar na primeira praia.

É importante lembrar que com uma nova concepção de sustentabilidade , novos rituais foram inseridos no festejo ao longo dos anos, sendo o de principal destaque a pratica do poranci antes da saída do cortejo até a mata e o replantio de árvores no local da Cepa.

Vários elementos semióticos são observados nesse instante da festa, folhas de árvores e cipó se tornam adereços de cabeça, pedaços de corda se tornam enfeites para o corpo na busca da memória dos antepassados, o mastro puxado pela população é arrastado pelas praias de Olivença até chegar na ladeira principal onde é aguardado por uma multidão que ao som de bandas locais animam a festa.

Após passado o dia da puxada propriamente dita o mastro é substituído na praça, o tronco novo é retalhado e o antigo guardado junto com o mastaréu para ser queimado nos festejos juninos, muitas simpatias e tradições são realizadas no momento em que o mastro é erguido buscando proteção para toda a comunidade.

Atualmente a Puxada do Mastro tem uma organização institucional por meio da Associação dos Machadeiros de Olivença , que devido as proporções que a festa tomou no calendário turístico regional , busca direcionar a programação para melhor atender a todos que apreciam o folguedo.

Por: Erlon Costa. Mestre em Desenvolvimento Sustentável em Terras Indígenas- Universidade de Brasília, Especialista em Psicologia Social,UESC, Históriador e etnógrafo da Puxada do Mastro há 18 anos.

UM NOVO SUPREMO

PEDRO CARDOSO DA COSTA

supremo

Nesta data, a República Federativa do Brasil declara e dá fé de que foi instituído um novo Supremo. É mais amplo e bem mais poderoso do que o anterior, porque é multipoderoso e se sobrepõe ao Executivo, ao Legislativo e, principalmente, ao Poder Judiciário.

Ele não se enquadra na tripartição dos poderes. Internamente tem soberania absoluta. Seu poder não se expande pelo planeta e chega a Marte porque alguns países, com democracia consolidada, teimam em não obedecer a ordens de soberanos de outros países.

Aqui dentro, ele manda em todos da forma com quem e na hora em que bem entender. E é prontamente obedecido. Determina as leis que serão votadas, e somente se a matéria lhe interessar.

Por estar na Constituição, alguém legitimado formalmente apresenta um projeto de lei para que a merenda das escolas públicas seja doce; porém ele aprova apontando que deve ter sal e com doses acentuadas de pimenta. Todos os seus pares aporvam candidamente. Os motivos que os levam à obediência cega, todos, todos têm noção, mas ninguém pode apontar com certeza, devido ao risco de ser processado. Caso seja de sua vontade, será processado e condenado na hora e por quantos votos ele determinar.

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QUANDO O POVÃO FOR ÀS RUAS COBRAR A FATURA, O BRASIL FECHARÁ PARA BALANÇO

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Antes de mais nada, considero mais do que justa e necessária mobilizações contra a corrupção. Como escrevo sempre neste espaço, espero que a operação Lava Jato alcance todos os partidos políticos e suas lideranças envolvidos em falcatruas, bem como grandes empresas, mesmo que isso signifique o fim do mundo. Até porque mobilização contra apenas um lado não é mobilização, é massa de manobra.

Da mesma forma, considero mais do que insana e descabida qualquer mobilização por ”intervenção militar”. Espero que essa minoria barulhenta nas manifestações – minoria que tem problema de cognição no que diz respeito à História do Brasil – não seja contagiosa a ponto de inviabilizar o futuro do país.

Dito isso, é fascinante como é construída a noção de que uma sociedade complexa, como a brasileira, conta com apenas uma única ”opinião pública”.

Milhares de manifestantes tomam as ruas de várias cidades brasileiras contra as mudanças no pacote anticorrupção realizadas pela Câmara dos Deputados e em apoio à operação Lava Jato. A partir desse fato, políticos, jornalistas e formadores de opinião passam a dizer que a ”população brasileira” foi às ruas, que a ”população brasileira” quer tal coisa, que a ”população brasileira” está cansada disso ou daquilo.

Mas sem uma pesquisa de opinião que mostre que os manifestantes representam, de forma proporcional, todos os estratos e grupos da sociedade, não é possível fazer essa tal afirmação. Isso é desejo de quem faz a análise ou, pior, má intenção.

Porque a mesma extrapolação nunca foi aplicada para dizer que a ”população brasileira” exigia uma reforma agrária e a limitação do tamanho dos latifúndios com base nas históricas marchas do MST, que reuniam dezenas de milhares de pessoas.

Tratar das reivindicações do ”grupo que foi às ruas” seria mais honesto. Mas que graça teria, não é mesmo?

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NOSSAS OCUPAÇÕES DEVEM IR ALÉM DOS IMPACTOS DA PEC NA EDUCAÇÃO

Mário Schneider é turismólogo, funcionário público, membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela Ufsb.

Mário Schneider é turismólogo, funcionário público, membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela UFSB.

Talvez um dos erros que estão sendo cometidos nas ocupações e suas notas públicas é a ausência de detalhamento do impacto da PEC 241 na Saúde Pública e outros setores. Já existe algumas poucas notas dos trabalhadores do setor, porém ainda é muito pouco diante da gravidade da situação. A saúde é uma das maiores reclamações da população e restringir os argumentos aos impactos na educação talvez não demonstre o tamanho da gravidade da situação e o quanto ela vai impactar no dia-a-dia da população mais pobre e carente.

Eem 20 anos, SUS pode deixar de receber mais de 400 bilhões de reais, com o crescimento e o envelhecimento da população, poderia trazer efeitos trágicos.

“trocando em miúdos”, muita gente vai morrer.

Ainda com respaldo na legislação implementada no governo anterior, o Orçamento da saúde ainda deve crescer em 2017 e será “congelado” em 2018 maior, a partir de 2019, a saúde começa a perder dinheiro, corrigido apenas pela inflação. Qualquer ganho de receita não será repassado à saúde conforme fomos alertados pelo Conselho Nacional de Saúde.

Segundo pesquisa do CNS: “até 2036, a mudança estabelecida pela PEC poderá fazer com que o SUS perca pouco mais de 430 bilhões de reais, projetando-se um crescimento do Produto Interno Bruto anual de 2% neste período e uma inflação de 4,5%. O valor da perda calculada por ele é próximo ao levantado por um estudo de dois pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que falam em 400 bilhões de reais.”.

A Associação Brasileira de Saúde Pública, criticou a PEC. Na carta eles denunciam o sucateamento do SUS, que é utilizado principalmente pela população de baixa renda que não tem plano de saúde.

Além da saúde, temos que contar o que a PEC fará nos outros setores, pois de acordo com o texto da proposta, o reajuste do salário mínimo só poderá ser feito com base na inflação – e não como era feito anteriormente comando a inflação ao valor proporcional ao crescimento do PIB. Isso afetará os salários que estão atrelados ao mínimo.

Paralelo a isto, o texto da PEC limita apenas as despesas primárias do governo, ou seja, não impõe restrições ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública que, representa mais da metade do dinheiro do Brasil. E você sabe pra quem vai este dinheiro? Pra quem o Brasil (Nós Brasileiros) devemos tanto que o Governo sequer aceita uma apuração?

É preciso dissecar o processo de endividamento do País e buscar a verdadeira natureza dessa dívida pública que tem absorvido a parte mais relevante dos recursos nacionais, enquanto faltam recursos para o atendimento aos Direito Sociais básicos de milhões de brasileiros que vivem na pobreza e miséria, nisso a PEC não mexe, pois sabemos que grande parte destes são banqueiros e especuladores financeiros, grandes financiadores de campanhas dos que lá estão para supostamente nos representar.

Vale lembrar que uma auditoria cidadã, como a que está sendo proposta aqui pela organização Auditoria Cidadã (www.auditoriacidada.org.br), no Equador conseguiu emitir um relatório da dívida de lá que apontou uma série de graves indícios de ilegalidades e ilegitimidades e serviu para embasar o Presidente Rafael Correa para a anulação de 70% da dívida externa em títulos do país. Os recursos hoje estão sendo empregados em saúde, educação e outros investimentos reais me vez de ir pro bolso de alguns poucos que realmente mandam nosso Brasil.

É preciso crescer as lutas e as informações contante nas ocupações pelo Brasil, levar essas informações em todos os cantos para a população poder reagir a isto tudo que está acontecendo e que atingirá a todo mundo, principalmente os mais fragilizados e que tanto necessitam dos serviços públicos.

Viva xs guerreirxs deste Brasil, todo poder emana do povo, parabéns a todxs que estão ocupando e/ou planejando ocupar, aos que querem ajudar os já presentes, aos que doam e principalmente aos que já sabem a situação calamitosa que nos aguardam e faz de tudo para ocupar as redes sociais com os alertas à população.

Há braços de luta, viva a juventude Brasileira!

Clique no “leia mais” e confira links com as notas de várias entidades contrárias a PEC.

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CARO GILMAR MENDES, O BRASIL NÃO TUTELA TRABALHADOR. TUTELA EMPRESÁRIO

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo.

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo.

Gilmar Mendes, em crítica à Justiça do Trabalho, afirmou que haveria uma espécie de hiperproteção do trabalhador no Brasil. Que teria passado a ser tratado ”quase como um sujeito dependente de tutela”.

Quando alguém fala em tutela, eu me lembro de um caso ocorrido em Brasília. Centenas de trabalhadores e patrões lotaram, há alguns anos, a Câmara dos Deputados para acompanhar os acalorados debates sobre o projeto que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com aumento do valor da hora extra e sem redução salarial.

Na época, em entrevista a uma rádio, o deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP), defendeu que os deputados devem manter a jornada do jeito em que está para evitar que os empregados aproveitem as horas a mais de lazer para encher a cara.

“Se você reduzir a carga horária, o que vai fazer o trabalhador? Eles [os defensores da mudança na lei] dizem: vai para casa para ter lazer. Eu digo: vai para o boteco, beber álcool, vai para o jogo. Não vai para casa. Então, você veja bem, aí é que tá o mal: ele gastar o tempo onde ele quiser, se nós podemos deixá-lo produzindo para a sociedade brasileira.”

Essa declaração não é desconectada da realidade e se repete com triste frequência não apenas em nossa elite política, econômica e burocrática, mas também entre parte do povão que, comprando esse discurso vazio e preconceituoso, torna-se cão de guarda do capital alheio.

A última redução de jornada ocorreu na Constituição de 1988 (aquela que deve ser picotada pelo Congresso Nacional), quando caiu de 48 para 44 horas semanais. O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calculou que uma jornada de 40 horas com manutenção de salário aumentaria os custos de produção em apenas 1,99%. O aumento na qualidade de vida do trabalhador, por outro lado, seria muito maior: mais tempo com a família, mais tempo para o lazer e o descanso, mais tempo para formação pessoal.

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APÓS A QUEDA DE DILMA, SÓ UMA COISA É ACEITÁVEL: ELEIÇÕES DIRETAS JÁ

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Consumada a deposição do governo Dilma Rousseff, resta uma única coisa a ser feita para que nosso sistema político não se torne uma piada completa entre o resto do mundo livre: eleições diretas para a Presidência da República.

Sob qualquer ponto de vista que considere um mínimo de ética no trato com a coisa pública, Michel Temer não tem condições para exercer o mandato.

Sendo ele companheiro de chapa e tendo dado anuência aos mesmos malabarismos fiscais pelos quais Dilma foi condenada, deveria, portanto, ter tido o mesmo destino que a ex-mandatária. Isso sem contar as acusações que pesavam contra ele e seu gabinete na Lava Jato, colocando em suspeita seu real apoio à continuidade da operação e à investigação a integrantes de outros campos políticos. Agora, ele ganha uma certa imunidade, pois só poderá ser investigado por crimes cometidos no exercício das novas funções.

Mas, principalmente, as tungadas propostas pelo governo Michel Temer nos direitos trabalhistas e previdenciários, além da criação de um teto limitando gastos públicos, são alterações tão profundas no Estado brasileiro que deveriam, para serem efetivadas, passarem pelo voto popular.

Se a população brasileira aceitar um programa de governo que transforme a CLT em confete, implante uma idade mínima de 65 a 70 anos para a Previdência Social e bloqueie novos investimentos nas áreas de educação e saúde, amém, que assim, seja.

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GOVERNO VAI FAZER BANCAS PARA DEFINIR QUEM É NEGRO

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo.

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo.

O governo federal decidiu que candidatos que se autodeclararem negros terão que ser submetidos a uma comissão para verificar a sua aparência a fim de evitar fraudes em concursos públicos que preveem cotas. O Ministério do Planejamento e Gestão publicou, nesta terça (2), instrução normativa nesse sentido.

Uma banca. Para dizer se uma pessoa é negra ou não.

A autodeclaração tem suas falhas, mas ainda não há nada melhor para que pessoas afirmem quem são ou a qual grupo pertencem. Qual legitimidade tem uma comissão constituída pelo poder vigente para dizer o contrário? Quem poderá atestar que uma pessoa não sofreu preconceito ou teve seus direitos limitados ao longo da vida por ser considerada negra em um país onde o racismo corre solto como o Brasil? Haverá uma escala de cor para ser usada como referência?

Isso bem lembra as medições de tamanho de crânio e de comprimento de nariz e comparações com cartelas com cores de olhos e de cabelos pelas quais passavam alunos na Alemanha hitlerista no intuito de verificar, através de uma pseudociência racial, quais grupos eram verdadeiramente arianos.

Isso abre o precedente, por exemplo, para que se institua bancadas a fim de definir se uma pessoa é indígena ou quilombola, grupos também previstos em ações afirmativas.

Nesse sentido, melhor seria se o governo brasileiro passasse a tatuar minorias em direitos desde seu nascimento para não gerar celeumas no futuro quanto à natureza de sua insignificância.

REFLEXÕES SOBRE A PASSAGEM DA TOCHA OLÍMPICA EM ILHÉUS

MÁRIO SCHNEIDER SHI
Mário Schneider é turismólogo, funcionário público, membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela Ufsb.

Mário Schneider é turismólogo, funcionário público, membro da RAiZ Movimento Cidadanista, estudante de Administração e bacharelando em Humanidades pela Ufsb.

Eu refleti muito sobre o evento da passagem da tocha em Ilhéus, no último sábado, e lá vão as minhas considerações:

– De nada vale um evento festivo simbólico para uma população, ainda mais investindo dinheiro público, se a mesma ainda carece de serviços básicos, principalmente na periferia e zona rural. Ao mesmo tempo que a tocha passava, um rapaz agonizava no corredor do regional precisando de um médico para operá-lo, salário de um médico por mês +ou- R$ 10 mil, a tocha, segundo informações, custa R$ 180 mil por um dia.

– O evento por si só não movimenta turismo, não gira muitos recursos com ambulantes ou vendas no comércio, não contempla muito menos a cidade ficar desguarnecida de segurança pública, haja visto que quase todos foram pro evento.

– A passagem da tocha ainda colocou a oportunidade das falcatruas que rondam as obras na cidade, aos moldes do que ocorrem com as empreiteiras, permitindo uma reforma da praça de modo nada transparente (Quanto custou a nova Cairú?) e nada participativo já que a população mais uma vez não foi consultada.

Por fim, a nova praça, que foi o símbolo desse evento e sua semelhança com um cemitério, demonstra o fim agonizante em que este governo está. Sugiro a todos levar uma cruz e fixar no gramado para simbolizar nossa indignação.

dom eduardo

arquiteto











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