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julho 2019
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:: ‘Artigos’

DIÁLOGO COM A SOCIEDADE ILHEENSE SOBRE OS SEUS MORADORES DE RUA

Por Edson Alves, cientista social pela UESC

edsonO porquê das ruas

Dessa maneira, acreditamos que todos esses processos de mudança de configuração econômica local e internacional, ocasionada com a derrocada do cacau, influenciaram um alto número de sujeitos a viverem nas ruas da cidade

Antes de qualquer coisa, cabe lembrar que quando buscamos caracterizar as transformações sociais ocorridas no século XX e nesse início de século XXI, com a chamada globalização, percebemos o abismo social que é protagonizado pelo chamado capital financeiro internacional, aliado às transformações econômicas, políticas e culturais e que transformam as rotinas do nosso tempo para satisfazer a burguesia.
De acordo com Mattei (2004), “no início do século XXI, o mundo assiste a uma grande contradição, há muita pobreza em meio a abundancia”. O que resulta dizer em outras palavras, que no advento da globalização, a desigualdade se mostra com a sua faceta mais cruel, pois existem pessoas que alijadas deste processo que se faz mais intenso nos países em desenvolvimento, acabam por terem  suas vidas drasticamente modificadas em  função deste novo modelo econômico, onde as desigualdades se acirram  gerando profundas contradições e em  alguns casos, a miséria.
Para ler o artigo completo, clique aqui.

CARNAVAL EM ILHÉUS

Júlio Cezar Gomes é professor e advogado | [email protected]

julioNossa cidade tem uma vocação turística, e não tem o direito de não fazer carnaval, como ocorreu no ano passado e em várias gestões de prefeitos anteriores. Sabemos que o custo das bandas locais, de um palanque, de sonorização e outras pequenas despesas é relativamente baixo, e que há verbas do governo estadual e de empresas públicas que podem ser captadas para cobrir ao menos parte destes custos. 

Começou no sábado à noite, e não na sexta-feira, como sempre foi de costume nos carnavais de Ilhéus. Mesmo assim, de forma tímida, vacilante, sem nenhuma decoração específica. Mas o povo veio, embora em pouca quantidade. E foi bom, deu para pular carnaval até 1 ou 2 horas da madrugada, horário em que a última banda encerrou a apresentação.
A segunda noite teve um público melhor, embora nada que lembrasse os grandes carnavais de Ilhéus. É importante dizer que, de fato, este carnaval com bandas locais ou, no máximo, regionais, sem renome na mídia, em nada se compara àqueles que já tivemos em Ilhéus, com bandas e artistas nacionalmente conhecidos. Mas valoriza os artistas de nossa cidade, e talvez por isso muitos deles se apresentam dando o melhor de si.
Na terceira noite já havia uma quantidade de pessoas digna de um carnaval. Os blocos afros, marca do carnaval de Ilhéus, infelizmente se apresentaram muito juntos. Ficou a impressão de que o show proporcionado por estas importantes agremiações poderia ser melhor aproveitado. Mas estavam presentes os elementos que caracterizam um carnaval: presença e alegria popular, e blocos diversos. Ao fim dos shows no palco, uma tremenda chuva alagou completamente a Avenida Soares Lopes. Ninguém controla a natureza.

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QUEM VÊ CUBANOS COMO ESCRAVOS, NUNCA SE INDIGNOU COM ESCRAVOS DE VERDADE

LEONARDO SAKAMOTO/ BLOG DO SAKAMOTO
"Mais de 45 mil pessoas foram libertadas desde 1995 pelo governo e um número maior do que isso permaneceu nessas condições. Muitos dos que “descobriram'' a escravidão contemporânea agora irão “esquecer'' logo que o argumento não lhes for mais útil".

“Mais de 45 mil pessoas foram libertadas desde 1995 pelo governo e um número maior do que isso permaneceu nessas condições. Muitos dos que “descobriram” a escravidão contemporânea agora irão “esquecer” logo que o argumento não lhes for mais útil”.

Do caso da fazenda Vale do Rio Cristalino, no Sul do Pará, que pertencia à Volkswagen, entre as décadas de 70 e 80, até a responsabilização da OAS por conta do resgate de trabalhadores em obras de ampliação do aeroporto internacional de São Paulo no passado, respeitáveis corporações foram envolvidas em denúncias relacionadas a esse crime.
Contudo, alguns dos paladinos da Justiça que agora erguem a voz contra a “escravidão” de médicos cubanos nunca abriram a boca para dar um pio sequer de solidariedade nesses casos supracitados.
E sabe por quê? Por que não dão e nunca deram a mínima se um trabalhador escravizado vive ou morre, nos campos ou nas cidades. Querem apenas ganhar sua guerra ideológica e política particular usando as ferramentas que têm em mãos, dobrando a lei para se necessário.
Mais de 45 mil pessoas foram libertadas desde 1995 pelo governo e um número maior do que isso permaneceu nessas condições. Muitos dos que “descobriram” a escravidão contemporânea agora irão “esquecer” logo que o argumento não lhes for mais útil.
Ou seja, se for para atacar Cuba e, com isso, constranger o governo brasileiro vale a pena batizar qualquer coisa de trabalho escravo. Criam-se os maiores malabarismos a fim de explicar que aquilo pode se enquadrar nessa forma de exploração. Mas alguém duvida que, quando todo esse furdúnculo desaparecer, se tentarmos ampliar o conceito para beneficiar o trabalhador brasileiro com a mesma facilidade com que agora fazem, iremos ouvir que não é bem assim que as coisas funcionam?
Por exemplo, quando o ministro Joaquim Barbosa usou a teoria do domínio do fato na condenação dos envolvidos no escândalo do mensalão, houve quem avaliasse que ela poderia ser usada na responsabilização de donos de empresas que se beneficiaram de trabalho análogo ao de escravo. Afinal de contas, não importa se eles sabiam ou não. Eles deveriam saber. Mas aí veio a turma do deixa disso, informando que a ideia só valeria para a ação penal 470 mesmo. Afinal de contas, garantia da qualidade de vida dos trabalhadores do país é assunto secundário na República.
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CONFUSÃO IDEOLÓGICA: E VOCÊ, SAMBA DE QUE LADO?

LAPSO CAVALCANTE
confuso
Uma das piores mazelas que pode acometer o ser humano é a sua indefinição ideológica. Porém, há de se deixar claro, isso não quer dizer que as pessoas devam permanecer sempre com as mesmas ideias para todo o sempre. O mudar é natural, é um processo evolutivo. Mas, em compensação, ser um desbaratinado ideológico, dançando conforme o hit do momento, é algo que, pelo menos ao nosso entendimento, é digno de lamentações.
Tem gente que consegue a proeza de se contradizer em pouquíssimo tempo, agindo como uma espécie de camaleão faminto, que muda de cor a depender de onde esteja a sua fonte de comida. Isso, aos sentidos dos leigos, pode soar como algo natural. Mas não é. E, a depender de onde essa vulgaridade de princípios se manifeste, o protagonista em questão assume o papel de ridículo bobo da corte, servindo à interesses que, sob à otica da coletividade, são altamente nocivos e execráveis.
E segue o biruta das sensações contraditórias: Bate aqui, sopra acolá, baba o ovo daqui, esperneia mais a frente, que nem menino amarelo que não teve os caprichos atendidos pela mamãe.
E como diria o saudoso Speed: “A maldade dos outros não é nada. E sim, a imaturidade”.

MOBILIDADE: UM TEMA FUNDAMENTAL

Por Aldenes Meira, presidente da câmara de vereadores de Itabuna
aldenesAntes de propor a meia passagem aos domingos e feriados, nós já demonstramos de outras maneiras a preocupação com a mobilidade. Mesmo antes de chegar à Câmara, organizamos, em parceria com o amigo Roger Sarmento, um passeio ciclístico com o objetivo de chamar a atenção da comunidade para formas alternativas e sustentáveis de transporte
Quem acompanha nosso mandato já sabe: a mobilidade urbana é um dos temas que têm prioridade em nossa pauta. Formular políticas públicas para as cidades exige um compromisso efetivo da sociedade com essa questão, e a discussão deve envolver a todos: homens e mulheres, jovens e idosos, motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
Fazemos essa introdução para esclarecer que nosso projeto de lei que institui a meia passagem no transporte coletivo aos domingos e feriados, em Itabuna, não é uma proposta isolada e sem maior razão de ser. Não há ilusões de que a meia passagem naqueles dias especiais mudará radicalmente o que precisa ser mudado, mas é inequívoca a ideia de caminhar com foco na inclusão.
O mais importante é que o projeto tem o mérito de despertar essa discussão e ampliá-la. Itabuna é uma cidade que se torna cada vez mais intransitável, com cerca de 60 mil veículos em circulação por suas ruas apertadas, muitas esburacadas e mal sinalizadas. É notório que vivemos em uma cidade que cresceu sem planejamento e com pouco compromisso com o futuro, mas não se pode falar em “jogar a toalha”.
Antes de propor a meia passagem aos domingos e feriados, nós já demonstramos de outras maneiras a preocupação com a mobilidade. Mesmo antes de chegar à Câmara, organizamos, em parceria com o amigo Roger Sarmento, um passeio ciclístico com o objetivo de chamar a atenção da comunidade para formas alternativas e sustentáveis de transporte. Além disso, a iniciativa foi um mote para cobrar do poder público a construção de ciclovias e a instalação de ciclofaixas em Itabuna.
Milhares de itabunenses de todas as idades e classes sociais utilizam a bicicleta como meio de transporte ou para simplesmente se exercitar. Como esporte, o ciclismo tem crescido em nossa cidade, fenômeno que se vê, aliás, em muitos outros centros urbanos. De certa forma, a bicicleta vem ganhando um status mais elevado, talvez pela simples razão de que o automóvel, preso nos engarrafamentos, se torna cada vez mais inviável como meio de transporte urbano.
Em algumas capitais europeias, como Amsterdã, há muito mais bicicletas do que carros nas ruas e, além disso, o transporte público funciona com eficiência. Por lá, já se sabe há algum tempo que não é inteligente nem possível privilegiar os veículos automotores, constatação que alguns já começam a fazer por aqui.
O fato é que Itabuna precisa tratar a mobilidade com a urgência e a seriedade necessárias. Transporte coletivo acessível e eficiente, ciclovias e ciclofaixas, melhor sinalização, mais segurança e espaço para os pedestres, carona solidária. Tudo isso deve ser pensado e providenciado, e “para ontem”.
Para nós, é uma satisfação ver que o projeto da meia passagem, além de facilitar o acesso dos mais pobres ao transporte coletivo, serve também para fomentar esse debate.

“O EMPREGADO TEM CARRO E ANDA DE AVIÃO. ESTUDEI PRA QUÊ?”

MATHEUS PICHONELLI/ CARTA CAPITAL
O condômino é, antes de tudo, um especialista no tempo. Quando se encontra com seus pares, desanda a falar do calor, da seca, da chuva, do ano que passou voando e da semana que parece não ter fim. À primeira vista, é um sujeito civilizado e cordato em sua batalha contra os segundos insuportáveis de uma viagem sem assunto no elevador. Mas tente levantar qualquer questão que não seja a temperatura e você entende o que moveu todas as guerras de todas as sociedades em todos os períodos históricos. Experimente. Reúna dois ou mais condôminos diante de uma mesma questão e faça o teste. Pode ser sobre um vazamento. Uma goteira. Uma reforma inesperada. Uma festa. E sua reunião de condomínio será a prova de que a humanidade não deu certo.
Dia desses, um amigo voltou desolado de uma reunião do gênero e resolveu desabafar no Facebook: “Ontem, na assembleia de condomínio, tinha gente ‘revoltada’ porque a lavadeira comprou um carro. ‘Ganha muito’ e ‘pra quê eu fiz faculdade’ foram alguns dos comentários. Um dos condôminos queria proibir que ela estacionasse o carro dentro do prédio, mesmo informado que a funcionária paga aluguel da vaga a um dos proprietários”.
Mais à frente, ele contava como a moça havia se transformado na peça central de um esforço fiscal. Seu carro-ostentação era a prova de que havia margem para cortar custos pela folha de pagamento, a começar por seu emprego. A ideia era baratear a taxa de condomínio em 20 reais por apartamento.
Sem que se perceba, reuniões como esta dizem mais sobre nossa tragédia humana do que se imagina. A do Brasil é enraizada, incolor e ofuscada por um senso comum segundo o qual tudo o que acontece de ruim no mundo está em Brasília, em seus políticos, em seus acordos e seus arranjos. Sentados neste discurso, de que a fonte do mal é sempre a figura distante, quase desmaterializada, reproduzimos uma indigência humana e moral da qual fazemos parte e nem nos damos conta.
Dias atrás, outro amigo, nascido na Colômbia, me contava um fato que lhe chamava a atenção ao chegar ao Brasil. Aqui, dizia ele, as pessoas fazem festa pelo fato de entrarem em uma faculdade. O que seria o começo da caminhada, em condições normais de pressão e temperatura, é tratado muitas vezes como fim da linha pela cultura local da distinção. O ritual de passagem, da festa dos bixos aos carros presenteados como prêmios aos filhos campeões, há uma mensagem quase cifrada: “você conseguiu: venceu a corrida principal, o funil social chamado vestibular, e não tem mais nada a provar para ninguém. Pode morrer em paz”.
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QUANDO ENCURRALADA, A DIREITA MOSTRA A CARA HOMOFÓBICA

Por Gabriel Nascimento, professor

gabriel artigoA contraofensiva do deputado permite dizer que o enquadramento político da direita vive ainda sob o signo do coronelismo, onde não há argumentação, manda quem pode e obedece quem tem juízo, como sempre foi. Vivem ainda sob a égide de uma sociedade autoritária que se redemocratizou, mas é prejudicada todos os dias pela perpetuação de práticas coronelistas, clientelistas e fisiologistas que abastecem dia após dia um eleitorado conservador (mesmo entre os vulneráveis sociais).

Não é difícil arrancar um gesto de ódio de classe, xenofobia, racismo e homofobia de um membro da direita brasileira. Basta pressionar, bater na tecla e encurralar. Nenhum deles consegue aguentar o debate público e, na falta de uma argumentação sólida, o jeito é partir para a agressão. Foi assim com o senador Álvaro Dias que chamou o Bolsa família de “Bolsa esmola”, foi assim com Jair Bolsonaro, Marco Feliciano e muitos outros.
A agressão da vez foi a do deputado estadual Bruno Reis (PRP), fiel escudeiro da família ACM e assessor direto do deputado federal ACM Neto (DEM-BA). Questionado por mim em uma rede social sobre envolvimento em esquema flagrado pela operação Octopus da Polícia Federal, o nobre deputado não pensou duas vezes: desfilou o veneno homofóbico de quem representa interesses conservadores que há muito deviam deixar de existir em qualquer civilização com princípios de defesa aos direitos humanos.

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PELO DIREITO À MOBILIDADE

Por Aldenes Meira, presidente da câmara de vereadores de Itabuna pelo PCdoB
aldenesApesar dos problemas que afetam a qualidade do serviço, alguns dos quais fogem à competência das empresas, é impressionante a reação diante de qualquer tentativa de favorecer a parte mais vulnerável nessa relação, que é o usuário. 
As manifestações que ocorreram em todo o Brasil em meados de 2013 tiveram como principal mote a luta por um transporte público eficiente e com preço justo. Encabeçada pela juventude, aquela mobilização reflete o anseio geral de uma camada significativa da população que utiliza o ônibus e outros meios coletivos para se deslocar, mas sofre historicamente com a precariedade do serviço.
Basta conversar com os moradores de bairros periféricos de Itabuna sobre o transporte público para se ouvir relatos lamentáveis. Para muitos, o que se oferece são ônibus em péssimo estado de conservação, pelos quais se tem que esperar às vezes mais de uma hora, algo que atormenta e humilha cidadãos e cidadãs diariamente. Isto sem falar nas condições ruins de muitas vias de acesso, além da falta ou precariedade dos abrigos destinados aos passageiros.
Apesar dos problemas que afetam a qualidade do serviço, alguns dos quais fogem à competência das empresas, é impressionante a reação diante de qualquer tentativa de favorecer a parte mais vulnerável nessa relação, que é o usuário. Em junho, foi somente à base de muita pressão popular que essa equação injusta começou a ser modificada, mas um espírito de retrocesso ainda paira no ar.

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EMERGIMOS COMO BICHOS-DE-PÉ NOS DEDOS DOS EUA E DA EUROPA

RUI DAHER/ CARTA CAPITAL
Dilma e Fidel, em Havana.

Dilma e Fidel, em Havana.

O caríssimo leitorado, por certo, tem-se esfalfado conjuminando sobre os motivos que levam jovens da periferia a se reunirem nos shoppings da cidade. Como se o fato fosse inédito e pudesse tirar as ciências sociais da letargia pós-embasbacamento com a queda do Muro de Berlim.
Somem-se a isso as multidões que irão impedir a realização da Copa do Mundo e certo neoambientalismo, que sugere brecar o crescimento mesmo em populações divididas entre miseráveis, remediados e ativistas da hipocrisia. Ricos, estes, sempre crescerão.
É justo, pois, impedir pobres de aquisições que durante séculos foram privilégio de poucos no planeta? Ou o rótulo emergente basta para a satisfação? Sim, emergimos. Como bichos-de-pé nos dedos de EUA e Europa.
Reconheço que a comunicação digital e as redes sociais trouxeram tempos árduos a quem deseja aprofundar o conhecimento. É muita informação. Poderia fazer desta coluna um refresco, anunciando estarmos próximos de ter cebolas longa vida, adensar o plantio de algodão e plantar canola como alternativa ao milho safrinha. Temas leves e da minha alçada.
Creio, no entanto, que assim não recolheria dedinhos de recomendação nem os louros de abundantes comentários. O brasileiro internáutico está mais para polêmicas do que para polímeros recobrindo sementes.
Vamos, então, de Cuba, motivo frequente de acirrados debates, ainda mais em semana presidencial e portuária na ilha do Caribe. Como dizia Caetano Veloso a Dona Canô: “Mamãe, eu quero ir a Cuba, quero ver a vida lá, e quero voltar”.
Na ditadura dos Castro todo mundo come. E não são criancinhas. Dezesseis países cumpriram a meta estipulada pela FAO, em 1996, de erradicar a fome. Cuba foi um deles. Apesar do embargo norte-americano e dos editoriais em nossas folhas e telas cotidianas.
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DISTRITO DE BANCO CENTRAL ESTÁ NO ESCURO

Por Gabriel Nascimento, professor
gabriel artigoBanco Central é um desses distritos de Ilhéus e também curral eleitoral jabista. Lá, por diversas vezes, acompanhei a incursão jabista que sempre foi determinante: as atitudes de coronel, o que continua sendo, e o profundo esquecimento que o povoado recebeu desse gestor em toda sua história. Sou ainda da época que existia cacau e que o escoamento de fato era uma realidade. 
Um dos currais eleitorais mais preponderantes para a vitória de Jabes na última eleição foi a zona rural. Os mais de 30 distritos e subdistritos pertencentes ao município também foram os que mais sofreram com as mazelas herdadas do jabismo e que tiveram continuidade nas últimas gestões. Últimas gestões que, pode-se dizer, foram jabistas ou neojabistas, como queiram chamar, desde que jabismo signifique atraso.
Tudo isso inclui dizer, aliás, que aquele jovem político que surgiu décadas atrás chamado Jabes Ribeiro e que representava uma alternativa para Ilhéus, hoje é claramente visto como um dos maiores fracassos da cidade em sua história. Fracasso administrativo, fracasso na negociação com os diversos setores, total fracasso. Sou do tempo que, ainda criança no distrito de Banco Central, acompanhei a gestão de Jabes perseguindo professores. Hoje quando vejo o nosso ex-jovem político fazendo o mesmo com os funcionários públicos, fico a pensar que nosso atraso é muito maior do que parece. É um atraso cultural fomentado por esses fantasmas filhotes dos governos militares, das elites atrasadas e provincianas e de um clero falso moralista que há mais de 500 anos chegou aqui em caravelas. O jovem político logo se tornou um emblemático filhote do carlismo, do fisiologismo puro que vai de partido a partido (de direita) buscando se associar a quem está ganhando. Dessa vez no Partido Progressista, uma espécie de seita ainda viva e apoiadora do que é mais conservador e atrasado nesse país. Esse é o partido de Jabes, aquele jovem político.
Banco Central é um desses distritos de Ilhéus e também curral eleitoral jabista. Lá, por diversas vezes, acompanhei a incursão jabista que sempre foi determinante: as atitudes de coronel, o que continua sendo, e o profundo esquecimento que o povoado recebeu desse gestor em toda sua história. Sou ainda da época que existia cacau e que o escoamento de fato era uma realidade. O esquecimento que o distrito recebia era tanto que, no auge da crise do cacau, o escoamento era feito em cidades como Ubaitaba e Ubatã, por causa da estrada. A estrada (como mostrado recentemente pelo Ilhéus24horas) continua a mesma coisa. O total esquecimento foi prática recorrente desde os governos jabistas até a atualidade. Nunca houve uma alternativa diferente eleita em Ilhéus, senão esse atraso retumbante. Durante a campanha eleitoral de 2013, o atual alcaide, então candidato, nem se importou em dar atenção exagerada ao distrito, pois sabia que aquele era oportunamente um de seus mais importantes currais de cabeça, dado a quantidade pequena de eleitores e o conservadorismo ali presente. Também não houve dificuldade porque os mesmos candidatos a vereadores que faziam parte da aliança de oposição a Jabes, capitaneada pela candidata Carmelita Oliveira (PT) tinham cabos eleitorais pedindo voto, às escondidas, para Jabes. Um deles foi o candidato Gilmar Sodré, o “Liquinha”, na época pelo PMN. Possivelmente, essa foi uma das pedras no calcanhar de Carmelita.
O fato é que agora voltamos à estaca zero, com o mesmo coronel de sempre, o mesmo professor que abandonou as aulas na UESC e nunca mais voltou e o mesmo fisiologista que somente acredita no poder pelo poder (vide o apoio ao governador Jaques Wagner, para poder indicar cargos), voltando agora para acabar sua reforma do atraso com mais atraso. Sem médico, enfermeira, professores e com uma estrada ruim e atuação ineficiente do legislativo ilheense, Banco Central pode servir de prova à constatação de que, se Ilhéus está no escuro nessa gestão tragicômica, em Banco Central, há mais de 70 quilômetros da zona urbana, nenhuma luz chegou, graças a uma herança de chumbo da esquizofrenia política desse velho novo político da direita mais atrasada do Brasil. 

dom eduardo

arquiteto













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