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:: ‘Artigos’

MIRANTE DA SERRA DAS BALEIAS

Por Júlio Ernesto Baumgarten* e Maria Isabel Gonçalves**

Imagem: Maria Isabel.

As baleias estão chegando! Este pensamento, que há poucos anos vinha à mente apenas de pesquisadores e acadêmicos quando o inverno se aproximava, hoje é comum para os habitantes de todo o litoral baiano. Com o fim da caça comercial em 1987, as baleias jubarte começaram a se recuperar e a repovoar nosso litoral. Rapidamente, elas se tornaram protagonistas do então recém-criado Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, desbancando os fantásticos e  exclusivos corais cérebro como estrelas da região. Na última década, elas começaram a marcar presença também no litoral norte da Bahia.

A comunidade da vila de Serra Grande, cerca de 35 km ao norte de Ilhéus, tem o privilégio de acompanhar a temporada de reprodução das jubartes a partir de pontos de observação de até mais de 90 metros de altura junto à praia. Situação única na região Nordeste, que permite o avistamento dos cetáceos até vários quilômetros da costa. O mirante de Serra Grande, cartão postal da região, é agora também o mirante das baleias.

Um trabalho científico recentemente publicado na revista Journal of the Marine Biological Association of the United Kingdon, desenvolvido na região por pesquisadores do Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação da Universidade Estadual de Santa Cruz (LEAC/UESC), mostrou como as baleias jubarte estão usando a área para terem os seus filhotes além do Arquipélago dos Abrolhos, conhecido como o principal berçário da espécie na costa brasileira. “Este estudo apoia a expansão das áreas de reprodução das baleias jubarte na costa brasileira. Como o número de baleias está aumentando, elas tendem a se espalhar por toda a costa” explica a Doutora Maria Isabel Gonçalves, que desenvolveu sua tese na região de Serra Grande.

“Nós verificamos como as baleias mudam o uso do habitat ao longo da temporada reprodutiva. Elas se aproximam mais da costa com o passar do tempo, pois com o nascimento dos filhotes esta zona de águas mais rasas e quentes provavelmente dão maior proteção contra predadores, assim como de machos que estejam procurando fêmeas para acasalar”, diz Maria Isabel. “Os machos tendem a se agrupar para competirem pela fêmea, ficando mais agitados e muitas vezes apresentando comportamentos espetaculares como saltos, batidas de caudal e batidas de peitoral. Essa agitação pode assustar e afastar o filhote da sua mãe, reduzindo o tempo de amamentação, e, portanto, aumentando o gasto energético de ambos. Desse modo, as mães preferem ficar mais perto da costa, onde elas conseguem se dedicar exclusivamente a cuidar do recém nascido. Estas características vão beneficiar o crescimento dos filhotes, tendo melhores condições de sobreviver e crescer nos primeiros meses de vida, se preparando para a sua primeira migração, de aproximadamente 4.000 km rumo às águas mais frias do Sul para a alimentação” completa a pesquisadora. :: LEIA MAIS »

ADVOGADA ESCLARECE DÚVIDAS SOBRE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA

A advogada Ilheense, Renata Mendonça, publicou um artigo no Jus Brasil sobre os prazos para filiação e regras da janela partidária para as eleições de 2018. Confira:

A filiação partidária é uma condição de elegibilidade, deste modo, a pessoa que desejar concorrer a um cargo eletivo deve estar filiada a um partido político. Essa exigência está prevista no art. 14, § 3º, V, da Constituição Federal.

Limite temporal:

A legislação determina que, para concorrer às eleições, o candidato deverá estar com a filiação deferida pelo partido no prazo máximo de 06 (seis) meses antes do pleito.

Para as Eleições de 2018, esse prazo se finda em 07 de abril de 2018.

  • O partido, em seu estatuto, poderá estabelecer exigência de prazo maior do que seis meses de filiação.

Condições especiais para os militares:

Esta exigência não cabe ao militar da ativa que pretenda concorrer a cargo eletivo, bastando para este o pedido de registro de candidatura após prévia escolha em convenção partidária.

Janela partidária:

Aquele que exerce mandato que está próximo do término, poderá, no período de 30 (trinta) dias que antecede o prazo para filiação partidária, desfiliar-se do seu partido atual, bem como filiar-se em partido diverso, sem estar sujeito a perda de mandato por infidelidade partidária.

Nas Eleições Gerais de 2018 os Deputados Federais, Estaduais e Distritais, poderão utilizar-se desta janela partidária, que ocorrerá entre 08 de março e 07 de abril de 2018.

Obs.: Os eleitos pelo sistema majoritário (Senadores, Presidente, Governadores e Prefeitos) não estão sujeitos à perda do mandato por infidelidade partidária, podendo trocar de partido a qualquer tempo.  Se pretenderem se candidatar, deverão manter-se no mesmo partido desde 06 (seis) meses antes do pleito.

Renata Mendes Mendonça, Advogada Eleitoral – Ayres Catelino & Pimentel Advogados Associados

O PROTESTO COMO UMA DAS FORMAS DE CIDADANIA E ELEMENTO ESSENCIAL DE EQUILÍBRIO DA DEMOCRACIA

Hernani Lopes De Sá é um dos representantes do movimento ÁREA VERDE SIM !!!

No Brasil, o direito ao protesto é garantido constitucionalmente pela combinação de três direitos previstos no artigo 5º da Constituição Federal, sendo eles: Liberdade de Expressão, Liberdade de Reunião e Liberdade de Associação.

 A Liberdade de Expressão consta no art. 5º, inciso IV, da CF que diz: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;”.

Dentro dessa perspectiva, considerando que vivemos em uma democracia representativa, em que os nossos governantes e legisladores precisam estar atentos aos anseios populares e ao dinamismo da sociedade, é através do PROTESTO que a voz do povo se manifesta, podendo assim, nortear as políticas públicas prioritárias. Segundo Abraham Lincoln, “a democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo”.

Triste saber que, na madrugada entre os dias 01 e 02 de março de 2018, faixas com os dizeres: “FORUM AQUI NÃO”, “QUEREMOS PRAÇA ARBORIZADA, NÃO FÓRUM!” e “A PRAÇA É DO LOTEAMENTO!”, colocadas, com recursos próprios, por moradores do Loteamento Jardim Atlântico I, que lutam pela preservação da área verde daquele loteamento, tiveram suas faixas de protesto subtraídas por pessoas que querem enfraquecer o movimento ÁREA VERDE SIM !!!

Na intenção de empurrar goela baixo à construção de um novo fórum, foi apresentado projeto de lei pelo Prefeito de Ilhéus em 22/02/2018, tombado junto à câmara de vereadores sob o número 004/2018, frise-se, que visa DOAR a ÁREA VERDE do referido loteamento para o Tribunal de Justiça da Bahia, que pretende construir um novo fórum no local. Não é demais ressaltar que a pretensão do poder executivo fere claramente a legislação constitucional, a lei federal de loteamento nº 6.766/79, o Estatuto da Cidade (lei nº 10.257/2001), o Código Florestal (lei nº 12.651/2012), o Plano Diretor Participativo de Ilhéus (lei Municipal nº 3.265/2006), a Lei de Uso e Ocupação do Solo (lei municipal nº 3.746/2015), a Lei Orgânica doMunicípio, além de tratados internacionais, a exemplo da “Convenção para a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas Naturais dos Países da América de 1949” – ratificado pelo Decreto-Lei 58.054/66 e promulgado pelo Senado Federal Brasileiro em 23 de março de 1966, tornando, por conseguinte, caso a construção do fórum seja aprovada e realizada, um CRIME AMBIENTAL FEDERAL.

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O EXERCÍCIO DA CIDADANIA NUM CONTEXTO DE DESGOVERNO: POR QUE LUTAMOS PARA PRESERVAR A ÁREA VERDE DO LOTEAMENTO JARDIM ATLÂNTICO I?

O movimento “Área Verde, SIM!” já conta 500 assinantes no abaixo assinado. Participe!

Não poderia, de início, dissociar cidadania de responsabilidade.

Ao assumirmos a responsabilidade de lutar por um melhor destino à nossa cidade, nós nos investimos da responsabilidade de sermos atores principais do seu desenvolvimento.

Neste exato momento, enquanto cidadãos, somos nós quem tomamos as rédeas, ao exigir do poder público que observe a lei e debruce sobre o bom senso.

O Governo Municipal, como amplamente divulgado pela imprensa, anunciou que doará a área verde do Loteamento residencial Jardim Atlântico I, localizado na zona sul de Ilhéus, ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a fim de que ali sejam construídas as sedes do Fórum de Justiça, Ministério Público e Defensoria Pública.

Um abaixo-assinado repudiando tal ato foi lançado, de forma eletrônica, no dia 29 de outubro de 2017, e até o presente momento recolheu mais de 550 (quinhentas e cinquenta) assinaturas entre moradores e não moradores do local.

Lutamos para preservar a área verde do Loteamento Jardim Atlântico 1 porque o espaço é bem comum do povo e tem uma destinação específica, a de ser área de recreação e de convívio para a população, não somente para os que ali moram.

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“PELA SAÚDE DE ILHÉUS, CADA NÍQUEL E TODOS OS ESFORÇOS”, RESPONDE O SECRETÁRIO DO GOVERNO MÁRIO ALEXANDRE

Em atenção ao editorial publicado pela Folha da Praia Online, intitulado “O Município terá que catar as nicas para reestruturar a saúde de Ilhéus”, o Secretário de Comunicação do Município,  Alcides Kruschewsky, publicou um comunicado no qual a presente redação, em respeito aos princípios democráticos e da comunicação, divulga:

O governo atual tem a obrigação de entregar a saúde melhor do que a encontrou. Em apenas um ano de gestão , os resultados do planejamento começam a aparecer. No entanto, a atual realidade do setor é a mesma do país em que vivemos, onde a saúde está mergulhada em crise já faz muito tempo. Ilhéus não é um caso isolado desse contexto.

Diante disso e debruçando-se sobre a realidade local, é que as alternativas e soluções estão sendo apresentadas. A dedicação de um ano de planejamento e trabalho está culminando em uma UPA- Unidade de Pronto Atendimento – no Malhado, construída pela Governo da Bahia que bancará, também, 50% do custeio , cabendo ao município pactuar e bancar os outros 50%. Até o início das atividades da UPA, a Policlínica da Conquista, que será adequada já para isso, estará atendendo Pronto Atendimento Médico 24 horas, que somando-se aos que já atendem, Zona Sul, COCI e Hospital São José, será o 4º PA 24 horas da cidade.

Os 3 PA’s que já funcionam representam um investimento anual de 4 milhões de reais. A Secretaria de Saúde de Ilhéus convocou 14 profissionais concursados e acabou de contratar mais 20 médicos para o atendimento à população. No caso dos médicos, somente os salários representam 160 mil reais ao mês, por 40 horas de trabalho semanais, ou seja, com os recolhimentos obrigatórios, mais de 2,5 milhões por ano. :: LEIA MAIS »

PUXADA DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO, UMA FESTA DE COMUNIDADE PARA TODAS COMUNIDADES

Por : Erlon Costa

A Puxada do Mastro de São Sebastião que acontecerá no próximo domingo na Estância Hidromieral de Olivença, é uma festividade secular  que traz em seu bojo uma característica de ritualidade, de memória e de tradição. A atividade tem na comunidade e nas suas ações o diferencial na celebração dos festejos, o envolvimento dos nativos para a realização da festa é o ponto crucial da Puxada do Mastro.

A festa da Puxada do Mastro de São Sebastião em Olivença , tem origem no século XVI  quando padres jesuítas estabelecidos na região em uma tentativa de catequização dos indígenas, apropriam-se de uma manifestação cultural nativa , a corrida de tora, para disseminar elementos cristão entre os indígenas aldeados.

Sua história, esta intimamente relacionada a história de permanecia e resistência dos indígenas Tupinambá de Olivença, que utilizaram-se da festa para a manutenção de traços culturais  fundamentais na luta afirmação enquanto povo indígena e demarcação de seu território.

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SOBRE O PRIMEIRO ANO DO GOVERNO DE MÁRIO / NAZAL

Gerson Marques é cacauicultor e chocolateiro.

Governar Ilhéus não é fácil, além dos problemas normais de governança, existe aqui uma cultura política depreciativa, atávica e especulativa.

Há quatro anos após seu primeiro ano de governo, o ex-prefeito Jabes Ribeiro já estava triturado. O vitorioso movimento dos jovens do Reúne Ilhéus, reduziu Jabes à cinzas em menos de um ano. Daí em diante seu governo foi pato manco, com um fim foi melancólico. Sem chances de se reeleger, tentou à ” contra gosto” um caminho com Cacá Colchões , obtendo uma votação de pouco mais de onze mil votos.

Diferente de Jabes que foi eleito com a minoria dos votos, Mário foi eleito por grande maioria e com muito carisma; tem muita força e gordura para queimar…

Claro que tem muitos problemas, que o governo tem erros, mas longe de ser sequer equivalente ao primeiro ano de Jabes.

Mário tem uma qualidade que nunca vi em nenhum prefeito de Ilhéus, trabalha muito e tem muita iniciativa. Com seu estilo brincalhão e alegre cativou o governador Rui Costa, com quem trata direto, sem intermediários. Dessa parceria sairá a sua obra mais importante: uma reforma completa no sistema de saúde da cidade. Não tenho dúvida de que, ao final do segundo para o terceiro ano de governo, a saúde pública de Ilhéus será modelo, com postos médicos recuperados, hospital materno-infantil, hospital da Costa do Cacau e UPA(Unidade de Pronto Atendimento).

Mário abriu diálogo com as categorias de trabalhadores da PMI e deu o reajuste que Jabes congelou por quatro anos.

Tomou iniciativa em relação ao trágico problema do endividamento trabalhista do município caminhando para saneá-lo.

Em outra frente, se prepara para obras que vão mudar a cidade. Algumas já estão sendo executadas, outras projetadas e outras sendo licitadas.

Quem conhece a maquina pública sabe que o primeiro ano de um governo é sempre o mais difícil, mas se tiver mão firme e ideias claras, somado a um planejamento e coordenação, o governo entra nos trilhos.

Claro que existem problemas e parte da equipe ainda não disse pra que veio. Daí surge outra qualidade de Mário: ele é reativo e sabe transformar críticas em soluções e problemas em respostas.
Nestes tempos de redes sociais tem gente que reduz o mundo ao seu pequeno círculo de curtidas e compartilhamentos imaginando estar ali uma espécie de realidade. Ledo engano, a vida corre lá fora, é real e palpável.

O governo Mário / Nazal está só no começo.

ARTESÃ DE SONHOS

Luh Oliveira é professora de Língua Portuguesa, poeta, escritora e Mestre em Letras.

Sento-me no banco da praça 
lindo fim de tarde 
sol se pondo 
luzes acendendo a cidade. 
Fito as linhas em minhas mãos 
cada matiz 
cada nuance 
arco-íris. 
Entrelaço os fios 
em doce aquarela 
tecelando desejos 
e suspiros. 
De ponto em ponto 
de cruz em cruz 
bordados de sonhos 
revelam  
suaves tons 
de vida 
que anseia. 
Colcha em mãos 
percorre caminhos 
na afiada ponta 
da agulha 
que permeia 
a direção 
dos ventos. 
Tecelã de estradas 
encruzilhadas 
cruzadas 
amadas 
no vai-e-vem 
das linhas 
do horizonte. 
Noite adentra 
sentada na praça 
Artesã 
de meus próprios 
sonhos. 

IN: OLIVEIRA, Luh. Versos enluarados. Rio de Janeiro: Multifoco, 2012, p. 15-16. 

OS GALOS E OS HOLANDESES

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate e Diretor Presidente da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem do Sul da Bahia.

O galo de Manoel Ascanio cocoricou três vezes, era o arauto do Sol, o título mais imponente na hierarquia do mundo dos galos, era dele a primazia de inaugurar o dia, status conseguido ao longo de muitos anos, madrugada após madrugada, até ter o peito forte e a garganta afinada para impor seu carcarejar, e ser respeitado pela galaiada da Vila.

O galo da viúva Maria Dolores, alguns quintais depois, era sempre o segundo, fazia a contra resposta ao primeiro e chamava o seguinte, assim, galo após galo e cada vez mais distante todos cumpriam seu papel de tecer o amanhã.

O arauto reinava de cima do galho mais alto do pé de araçá, no quintal de Manoel Ascanio, atento ouvia orgulhoso tempos depois a resposta do galo mais distante, lá pelos quintais da ilha dos sapos, ai então, começava tudo novamente.

Pronto, estava decretado o fim do silêncio da alta madrugada, agora já era boca do amanhecer,  quando nossas vistas ainda ver tudo escuro  mas os galos, com olhos de galos já enxergam os primeiros raios do sol em um horizonte que ainda nem existe.

Contrariado, Manoel Ascanio levantou da tarimba meio cambaleante, arrastou os pés no chão frio de terra batida, caminhou com dificuldade no escuro em direção a porta do fundo que não passava e um pano velho, seguiu em meio do mato manso do quintal até debaixo do pé araçá, deu bom dia pro galo, baixou as calças e começou a mijar, lembrou do tenebroso sonho que teve há pouco,a morte lhe chegava sem avisar na forma de fogo e ferro, partia seu corpo em milhares de pedaços e sua alma atordoada não sabia para onde ir, tudo tão rápido como piscar dos olhos, teve medo e frio, com esforço afastou o pensamento ruim da cabeça e lembrou dos tempos de criança, nos anos da invasão dos sapos,quando mijava ali mesmo debaixo do pé de araçá, derrubando um por um com seu mijo de rapaz sadio, te tanto praticar desenvolveu uma técnica de lançar jatos intermitentes e fortes como uma bala de canhão, sorrio em silêncio quando comparou com seu mijo fraco e gotejando do homem velho que se tornou,  estava absorto nestes pensamentos urinários quando ouviu um barulho tão forte como o fim do mundo.

Quando o galo de Manoel anunciou o dia, já na segunda chamada, o português Felisberto Homem Del Rei estava fornicando com a índia Maíra da Lua, assim faziam todas manhãs, entre a primeira e segunda chamada do galo de Manoel.

De forma mecânica e rápida Felisberto levantou-se do leito de palha seca improvisado de ninho de amor, caminhou para o quintal e observou as estrelas matinais ainda brilhando no céu escuro, sentia calor, estava nu e se pós a mijar, admirava a força que a urina saia e lembrou do sonho que teve antes de Maíra acordá-lo em ardências sexuais, no sonho viu um monstro de ferro cuspindo fogo que saiu do fundo do mar e voava sobre a Vila dos Ilhéus e destruindo tudo em uma velocidade de piscar de olhos, via também sua bela e jovem índia Maíra da Lua ser devorada pelo monstro, se assustou com o barulho tenebroso que ouviu,um barulho dos fins do mundo.

O padre Domingos foi o primeiro capuchinho a chegar por aqui depois dos tempos que os jesuítas ocuparam-se sozinhos de doutrinar o povo pecador dos Ilhéus,diferente dos outros, Domingos tinha duas mulheres e cinco filhos, quase um herege, moravam todos na antiga casa dos padres construída ainda no tempo dos Jesuítas e abandonada desde que o padre Manoel de Andrade enlouqueceu com a invasão dos sapos, já fazia  quarenta anos, e foi queimado na Santa Fogueira da Inquisição.

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A INVASÃO DOS SAPOS

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate e Diretor Presidente da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem do Sul da Bahia.

Quando o castelhano Filipe de Guillem chegou aqui, fazia três anos que tinha começado a praga dos sapos, nestes tempos viviam em Ilhéus umas oitenta almas, – índios e negros não contavam – em umas doze moradias quase todas no Outeiro de São Sebastião e em três engenhos de cana de açúcar, eram habitações muito rústicas feitas de madeira, pedra, barro e palhas. A pequena igreja de Nossa Senhora e a Casa dos padres eram as edificações mais importantes da Vila, feitas em adobe ajuntados por uma espécie de cimento com areia, pó de conchas, e óleo de baleia, não existia nem um padre morando por aqui, já que não restou um vivo na cidade depois que começou a praga dos sapos, o ultimo, Manoel de Andrade, havia morrido queimado na Santa Fogueira da Inquisição, depois de enlouquecer atormentado com a invasão dos anfíbios batráquios, como explicou Tertulino Alvarenga o coroinha da Paróquia, que  naqueles tempos era única autoridade eclesial da comunidade.

Segundo o relatado na missiva mandada ou Rei D. João III em 1539  por Filipe Guillen, a Vila era o lugar mais parecido com o inferno que ele podia imaginar, se não fosse aqui o próprio Hades, Ilhéus nesta época vivia uma desolação completa, tomada por uma praga de sapos que invadiu todos os lugares, casas, ruas, igreja, plantações, e todo espaço possível, a perturbação era potencializada pelo enorme barulho do coaxar incessante dia e noite, capaz de enlouquecer até um monge tibetano, o único lugar da cidade que não tinha sapos era a praia.

Essa tragédia teria começado quando o fidalgo português João de Tiba aportou na Vila vindo de Portugal em uma nau muito avariada depois de quatros meses e doze dias de navegação errante pelo Atlântico, seu destino era a Capitania de Porto Seguro, onde o donatário Pedro Tourinho, teria lhe ofertado uma enorme sesmaria, trazia na bagagem entre as coisas que pode salvar, ( já que metade dos pertences foram jogados ao mar para aliviar o peso e evitar naufrágio certo), uma gaiola onde mantinha um rebanho de sapos, trinta fêmeas e seis machos, que, segundo João de Tiba, seria muito útil para comer besouros e todo tipo de inseto que infestavam as terras ainda virgens do Brasil.

Deixando sua carga mal arrumada no improvisado porto da Vila de São Jorge dos Ilhéus, enquanto consertava sua nau, João de Tiba teve sua gaiola de sapos surrupiado pelos moleques que viviam de mariscarem pelo cais, desta galhofa terminou que os sapos fugiram e passaram a habitar um brejo mal cheiroso que existia na altura de onde hoje é a Praça Cairú no centro da cidade, deste brejo infestado de mosquitos os sapos se proliferaram de tal maneira que apenas um ano após a malfadada passagem de João de Tiba, a pequena Vila foi tomada por uma sapaiada dos infernos tornando a vida aqui um suplício.

Um ano antes de sua trágica morte o padre Manoel Andrade, fechou a igreja entregando-a em definitivo aos sapos, principalmente depois que no domingo de Páscoa, os fiéis foram servidos com vinho de um barril infestado de anfíbios, causando febre e dores intestinais em todos, dizem até que deste acontecimento nasceu a expressão “engolindo sapos”.

O padre Manoel de Andrade, fui o ultimo de um grupo de cinco padres jesuítas que chegaram a Ilhéus por volta de 1536, destes, dois foram comidos por Botocudos quando catequizavam na região do Gongogi, outro morreu afogado em um naufrágio com a canoa que viajava afundando em uma tormenta na foz do Itaípe, e do outro corre a história de que teria se  achamegado com uma Índia e sumido para dentro da floresta, de quem nunca mais se teve notícias, assim só restou Manoel de Andrade, lusitano de nascimento da cidade de Aviedo, formado padre no famoso  Seminário Nossa Senhora da Conceição na cidade do Porto, chegou ao Brasil ainda novo, aqui três  anos depois teria sido acometido da loucura dos sapos para uns, ou possuído pelo diabo para outros, no caso os inquisidores da Igreja,  fato é que o padre Manoel estava cada vez mais esquisito nos últimos tempos, atormentado pelo coaxar incessante de milhares de sapos dia e noite, sem conseguir dormir, nem comer foi definhando a cada dia, passava a vida trancado em um minúsculo quarto, em rezas e penitência,  tinha certeza que sua vida de pastor em Ilhéus era um castigo divino, por ter na infância cometido de forma excessiva o pecado da masturbação, os sinais da loucura porém,  foram se apresentando aos poucos,  primeiro quando rezava uma missa foi tomado por uma súbita crise, agarrando um sapo que repousava sobre a imagem de Nossa Senhora e devorando vivo, para horror dos fiéis, tempos depois, criou  uma campanha para coletar sapos em troca de bênçãos, que acumuladas em certa quantidade  permitiria ao fiel, em sua morte, ascender diretamente aos céus sem a necessária passagem pelo purgatório, chegou a fazer uns escritos, “duzentos sapos morte tranquila, trezentos sapos morte assistida por anjos, mais de quatrocentos passagem direta para o céu ao lado de Deus”. Um caso que entrou para história da Igreja, como a venda de indulgência por sapos, assim foi denunciado ao conselho da inquisição, onde terminou condenado por heresia a pena de perder a batina e morrer queimado em uma fogueira, levado em maio  para Portugal em um galeão da marinha real, foi queimado em dezembro de 1539.

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A HISTÓRIA DO CRISTO DE ILHÉUS

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate e Diretor Presidente da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem do Sul da Bahia.

Aos primeiros raios do dia a notícia varreu a cidade como um terremoto, em sua casa o prefeito foi acordado aos gritos, havia uma frenesi generalizada e uma histeria coletiva por todos os cantos, o Bispo, muito nervoso correu para igreja acompanhado por um grupo de padres e devotos, todos se perguntavam como isso tinha acontecido, por que? Seria coisa de Deus? Ou daquele?

Para o prefeito, não havia dúvidas, era coisa da oposição, aqueles comunistas ateus, materialistas dos diabos interessados em combater seu governo, com golpes baixos e sabotagem.

Em pouco tempo uma multidão já se formava no local, as pessoas vinham de todos os lugares e se dirigiam em hordas para a ponta do Unhão (conhecida hoje como praia do Cristo), as ruas e a praia estavam apinhadas de gente assombradas com a notícia e completamente incrédulas com o que viam, assim começou o dia vinte e sete de junho de mil novecentos e quarenta e dois, em Ilhéus, véspera do aniversário da cidade.

Nas proximidades do local, um conhecido estivador morador do Outeiro, dos primeiros a ver o ocorrido, comentava em voz alta que nos últimos dias coisas estranhas estavam acontecendo em Ilhéus, para ele,tudo era sinal do fim dos tempos, disse lembrando o caso do fantasma alado que fora visto por muitos no povoado do Banco da Vitória, voando a noite entre o cemitério e a fazenda dos suíços, fazia um barulho tenebroso, disse o estivador,  soltando um grunhido macabro que assustou os presentes, lembrou também do padre holandês, que morreu afogado no Rio do Braço e dias depois foi visto por muitos rezando uma missa na capela da fazenda dos Catalão, e agora isso aqui uma coisa inexplicável e assustadora, era sem dúvida um sinal do fim dos tempos, insistiu o estivador.

Perto dali, em uma roda de fazendeiros de cacau e comerciantes o líder oposicionista Nelson Adami de Carvalho, apresentava sua tese para o acontecimento, baseado em uma teoria conspiratória, dizendo que o ocorrido fora sem dúvida uma invenção do próprio prefeito, só para caluniar a oposição, no que era apoiado por uns e refutado por outros.

O fato, porém começa um ano antes no verão de 1941, segundo notícias vinculadas no vespertino Diário da Tarde, ao chegar de uma viagem a capital da República, o prefeito Alfredo Pessoa, alegou que durante sua estadia no Rio de Janeiro, teve um sonho em que Deus “teria aparecido em pessoa” como disse o prefeito, a sua frente pedindo que ele construísse uma estátua do Cristo Redentor em Ilhéus, que deveria ficar localizada no cume do Morro de Pernambuco, de braços abertos, saudando navios, veleiros, lanchas, brigueis e todo tipo de embarcações com seus marinheiros e passageiros que chegavam a cidade pelo mar.

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KAUÃ E IACINA UMA ENCANTADA HISTÓRIA DE AMOR

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate e Diretor Presidente da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem do Sul da Bahia.

Quando o português Pero Magalhães Gândavo chegou a Lagoa de Itaípe em fevereiro de 1570, ficou completamente extasiado com a beleza do lugar, chamou de “mar de dentro” tamanha era mas águas da lagoa, sua extensão e beleza.

Gândavo estava com Felisberto Lisboa, seu imediato auxiliar, oficial do exército português encarregado de lhe acompanhar, a viagem de Gândavo era uma missão de prospecção a serviço da Coroa de Sebastião I, o objetivo era registrar e relatar a vossa alteza, tudo sobre as terras de Santa Cruz, a mais nova e mais desconhecidades coberta lusitana, o Novo Mundo português.

A Vila de São Jorge dos Ilhéus já era habitada por duas dúzias de portugueses, uns oito padres e cinquenta e dois índios catequizados, foram eles que levaram Gandâvo e Felisberto até a Lagoa que os portugueses já chamavam de Encantada.

A viagem foi em parte a pé e depois em canoa, a lagoa era terra dos índios Tupinambás de comportamento imprevisível, no entanto, amigos dos padres jesuítas, que já andavam por aquelas paragens catequizando os ribeirinhos. Situada ao norte de Ilhéus umas três léguas, existiam na lagoa duas pequenas aldeias, uma com oito ocas e uns cem índios, contando as crianças, que se chamava Patiti, e outra um pouco menor, chamada de Aldeia Pequena, viviam todos da pesca e caça, além dos roçados. Junto aos índios vivia também uma família mestiça, formada por um francês já idoso, que fora deportado e abandonado na costa por um navio corsário, trinta anos antes da chegada de Gândavo, casado com uma índia da nação Botocudo, tinham oito filhos entre eles um cego de nascença de nome Çaaci, moravam em uma choupana fora do núcleo da aldeia, também na margem da Lagoa, eram no entanto, integrado são cotidiano dos demais índios da Aldeia Patiti.

A história que vou contar não está no livro “Tratado da Terra do Brasil, História da Província de Santa Cruz” que Pero Gândavo publicou depois que voltou a Portugal, trata-se do casamento da filha do Cacique da Aldeia Patiti com o filho do Cacique da Aldeia Pequena, me foi contada ao pé de ouvido por gente antiga que morou e morreu na Lagoa, que por sua vez ouviu de outros ainda mais antigos, uma história oral que será escrita pela primeira vez.

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A INCRÍVEL HISTORIA DE CHE GUEVARA EM ILHÉUS

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate e Diretor Presidente da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem do Sul da Bahia.

O navio da Costeira havia chegado na madrugada, jogou âncora nas proximidades da entrada da barra, esperou o dia amanhecer, soltou cinco apitos longos e graves entrando na baía do Pontal  com a elegância de um cisne negro, ancorou pouco tempo depois no cais da companhia, o movimento frenético do desembarque começou imediatamente, uma multidão logo se formou na balbúrdia do cais, estivadores, marinheiros, passageiros, pessoas que esperavam parentes, vendedores de pastel, picolé e jornal, carregadores de bagagens oferecendo seus serviços em carrinhos de mãos, e toda fauna humana que habita beiras de cais em qualquer lugar do mundo, pescadores, marujos, prostitutas, meliantes amadores e profissionais. O ar estava tomado pelo cheiro nauseante da maresia, misturado a peixes, perfumes, suor e charutos, tão intenso que  inebriava os mais sensíveis e gerava reclamações dos mal humorados, isso tudo debaixo de uma chuva fina e um calor abafado.

Passou sem ser notado, carregando uma pequena maleta de couro  marrom, vestido em um surrado terno de linho branco, apesar de alto e jovem, caminhou a passos lentos em direção ao Hotel Coelho, duas quadras de distância do porto, lá escreveu na ficha de hospedagem o nome de Ernesto G. de La Serna, natural da Argentina, 30 anos, médico de profissão.

Do contrário, navio, desembarcou com idêntica discrição, o cidadão americano Porter J. Goss, nome que colocou na ficha de hospedagem do mesmo hotel, preenchida dezessete minutos após o argentino Ernesto.

A Ilhéus de 1956, era pequena mas cosmopolitana cidade, com grande presença de estrangeiros, tanto em sua população fixa como de visitantes, muitos deles atraídos pelos milhões gerados no próspero negócio do cacau.

Os hóspedes estrangeiros do Hotel Coelho, juntaram-se a outros tantos que iam e vinham nas ruas próximas ao cais, a cidade fervilhava logo cedo, o movimento dos poucos automóveis disputava o espaços das ruas com tropas de muares carregando cacau para o cais, a estudantada passava fazendo algazarras, e as lojas começavam a abrir suas portas, já era quente e abafado o início do dia, com sol matinal e chuvas eventuais de verão, nesta época, os libaneses e sírios dominavam o comércio, algumas firmas exportadoras de cacau eram de suíços e outras de grandes empresários de Salvador, os ingleses eram os homens da ferrovia, e os sergipanos vindo de todo nordeste inclusive do sertão baiano, tocavam as bodegas, mercearias, vendas e o negocio de quinquilharias em geral, aos negros cabia o trabalho pesado da estiva e os serviços gerais das roças de cacau nas matas úmidas da região, tudo girava em torno do fruto dourado e do movimento de navios no cais do porto.

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O OUTEIRO DE SÃO SEBASTIÃO: UMA HISTÓRIA DE ILHÉUS

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate e Diretor Presidente da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem do Sul da Bahia.

O mar calmo do dia 20 de janeiro de 1536, permitiu a fácil navegação até o interior da baía, uma ancoragem tranquila marcou o fim de uma longa viagem que havia começado quatro meses antes em Portugal, era verão nos Ilhéus, já batizado de São Jorge, que recebia a primeira embarcação com colonos enviada pelo donatário da Capitania, Jorge Figueiredo Correia.

A exuberante colina tomada por uma densa floresta que dominava a entrada da baía, foi logo apontada como o ponto ideal para a construção das primeiras moradias e fortificações, a data deu o nome a colina, Outeiro de São Sebastião.

Nascido na cidade do Porto,  experiente em navegações pelos Açores e África, o marujo Manoel Antônio Gonzaga, foi encarregado de derrubar as primeiras árvores, abrir clareira e construir moradias, no dia seguinte acompanhado por mais três marujos subiu o Outeiro com grande dificuldade, trabalho duro, aberto a primeira clareira puderam se deslumbrar com a beleza da paisagem descortinada para o Atlântico, quando se preparavam para descer foram tomados de surpresa ao descobrirem uma família de macacos no alto de uma árvore, Manoel o único que possuía uma arma, não teve dúvidas,  apontou a velha besta carregada de pólvora e chumbo na direção dos bichos, notou que tratava-se de uma fêmea com filhote no colo e um macho forte pouco acima, com a mira feita em distância curta preparou para o disparo quando ouviu a macaca dizer em alto e bom som, “ou Inácio segura aqui Ignacio, vou ver se esse português é macho” descendo em balada carreira na direção ao português Manoel, assustado, tanto pela reação e mais ainda por ver bicho falar, fugiu em disparada desengonçado que escorregou na borda de um precipício e caiu de grande altura, falecendo imediatamente.

Em 1567, a Vila de São Jorge dos Ilhéus já se espalhava do Outeiro ao baixio plano e brejado que circundava o sopé do morro,  da beira mar até a enseada de dentro, onde o cais improvisado aportavam raras caravelas que bordeavam a costa, ligando os pequenos povoados a Salvador e Lisboa.

Foto: Ilhéus 24h.

Por essa época, travava-se no Rio de Janeiro, ainda um povoamento, uma ranzinza batalha entre os franceses liderados por Nicolau Durand de Villegagnon, contra os portugueses, por sua vez liderados por Estácio de Sá. Com dificuldades para vencer a batalha e expulsar os franceses da Guanabara,          o governador Geral do Brasil,  Mem de Sá, resolve formar uma tropa, e ajudar seu sobrinho, recrutou em Ilhéus um exército mambembe formado por índios, caboclos e uns poucos portugueses, partiram por terra para o Rio de Janeiro em outubro de 1567, entre os Ilheenses logo se destacou Felisberto Duvivier, filho de um francês deportado, com uma Índia nativa de Olivença,  catequisada pelos Jesuítas, aceitou casar com o francês, tiveram vários filhos, o mais velho, Duvivier, nasceu no Outeiro de São Sebastião em maio de 1545, recebendo a reencarnação do espírito do finado Manuel, aquele dos macacos.

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OH! O NOME DA DELAÇÃO É “PREMIADA”

Agora, as críticas se generalizaram em razão dos benefícios que teriam sido concedidos aos proprietários do grupo empresarial JBS ou outras siglas no acordo de delação premiada.

São reclamações que vêm de todos os setores da sociedade; de alguns com maior ênfase, de outros, mais moderadas, todos numa onda gigante contra o Ministério Público Federal.

Não há argumentos nem análises sobre o fato de ser a delação uma negociação mesmo. Se não fossem pelos benefícios, não haveria delação. Deveria sobrepesar os benefícios trazidos à sociedade decorrentes das delações. Também, se de outra maneira eles surgiriam. Se de outra maneira figurões pegos em gravações seriam alcançados a tempo de sofrerem punições.

Antes das delações, até se poderia chegar ao andar de cima, mas apenas para dar uma aparência de funcionalidade aos órgãos jurisdicionais. Mas, os eventuais atos delitivos já estariam prescritos. Essa tal de prescrição sempre foi uma máquina da impunidade. Uma figura jurídica que 99% dos brasileiros não têm a vaga noção de como e por que ocorre. Era – e ainda é – utilizada por muitos, com bastante rococó dos aplicadores do direito, exatamente por ser desconhecida da sociedade.

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dom eduardo
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