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Se há nesse país, símbolos que honram a nossa jovem democracia, com certeza, uns deles são as nossas casas legislativas. Local de pluralidade de ideias, respeito às diferenças e as liberdades conquistadas com muita luta, os parlamentos, a exemplo da Câmara de Vereadores de Ilhéus, devem ser modelos inabaláveis no combate a qualquer tipo de esboço mínimo de ameaça à democracia. Sem voz para camuflados discursos de ódio, preconceitos, difusão de desinformações, negacionismos, e coisas do gênero.

Agora imagine a situação absurda que seria, para esse verdadeiro templo sagrado ilheense da democracia, permitir que essas “forças estranhas” a adentrem, explicitando com isso uma gritante e vergonhosa contradição. Forças do tipo que, intimidam artistas nas ruas, os interpelando com violência somente porque eles tem predileções políticas diferentes. Forças destoantes que, usam das redes sociais para insuflar o ódio da população contra espaços culturais de Ilhéus.

Pensemos no quão difamatório seria para uma casa legislativa, permitir a presença de alguém entre seu quadro de servidores nomeados, que responde ação judicial movida por uma das mais respeitadas instituições de ensino da Bahia. Isso porque expôs a escola de maneira sensacionalista, apenas porque ela adotou um livro que fala sobre o feminismo. Seria impensável a Câmara aceitar isso!

Agora mesmo, seria de fato desabonador para uma Câmara, local de pleno respeito à Ciência, e que desempenhou papel crucial durante a pandemia da Covid-19, conviver tranquilamente entre seus corredores, com alguém que, desde o seu começo, usou incansavelmente as redes sociais, para desmerecer todas as medidas de segurança. Imagine o absurdo que seria, um ocupante de cargo de confiança no legislativo ilheense, agir totalmente na contramão do bom senso, e gravar inúmeros vídeos incentivando o não uso de máscaras, fazendo apologia irresponsável a medicamentos sem comprovação, desmerecendo criminosamente a eficácia da vacina, e seguindo ipsis litteris, todo o repertório excrescente que rege a cartilha negacionista.

Porém, o mais absurdo mesmo seria permitir que uma pessoa, nomeada para exercer uma função de confiança na Câmara, fosse reconhecida por incitar a desobediência da população, ante as fiscalizações dos órgãos municipais responsáveis no gravíssimo período da pandemia. Pior ainda seria se essa pessoa, não satisfeita, partisse para embates alucinados com os servidores municipais nas redes sociais, os expondo publicamente, usando tentativas de intimidações, por suas predileções partidárias. Calma. Isso seria inaceitável. Um servidor da Câmara jamais poderia ter esse Histórico de sabotador do poder constituído do Município. Isso nunca aconteceria. Jamais. Será?

Ainda bem, a Câmara de Ilhéus não é lugar para esse tipo de coisa…