Ônibus sempre cheios, muitos deles caindo aos pedaços.

O Município de Ilhéus, a população, e as empresas que exploram o transporte coletivo na cidade, possuem uma relação, no mínimo, diferenciada. Digamos que seria até possível contar parte da História recente ilheense, analisando essa interação.

Prova disso é que em 2004, um folclórico e milionário empresário do setor, saiu das catacumbas do imaginário político popular ilheense, e foi alçado, nos braços do povo, ao comando da prefeitura.

Como comprovação de que essa referida relação (povo-empresas de ônibus-Município) é de fato um conturbado capítulo à parte, o citado prefeito empresário, tal qual um passageiro indigesto que resolve pular a catraca e xingar o cobrador, foi devidamente catapultado, não do ônibus, e sim da vida política local.

Mas a estranha relação seguiu vivíssima e pulsante. Atravessou os anos incólume. E,  infelizmente, se fosse possível sintetizar o sentimento do ilheense médio em relação ao serviço oferecido por tais empresas, poderíamos resumir dessa forma: “Insatisfação e sensação total de desrespeito”. Exemplos não faltam para justificar isso.

Latas velhas circulando para a zona rural, e que vez ou outra deixam trabalhadores no meio da estrada; frota insuficiente; horários mal distribuídos, acarretando em ônibus sempre lotados nas horas de pico; risco de contágio em tempos de pandemia; alto preço da passagem, não condizente com a qualidade do serviço, etc.

Vale ressaltar que tais problemas se arrastam por décadas. Perante isso, a sensação que fica entre a população, é a de que as gestões que se sucederam frente à Prefeitura de Ilhéus, que deveriam fiscalizar tal seguimento, foram coniventes, ou fizeram vistas grossas. Pior, seguem fazendo. Pelo menos é o que aparenta.

Por que isso? Perguntaria um ilheense mais distraído. Digamos que ninguém nesse mundo há de apertar a corda da fiscalização, e com isso, atrapalhar o lado de quem financia suas campanhas eleitorais. Pelo menos é o que comenta-se há anos, à bocas nem tão miúdas, nos bastidores da política local.

Enquanto isso, os problemas de anos seguem. As denúncias continuam chegando ininterruptamente às redações, como reflexo da lastimável qualidade do serviço oferecido.

A mais recente diz respeito à quantidade insuficiente de ônibus para Olivença, e o  péssimo estado de conservação dos veículos. “Um total descaso”, aponta um usuário da linha, em contato com o site Ilhéus 24H.

Ele afirma que os ônibus passam sempre cheios, muitos deles ‘caindo aos pedaços’, e às vezes demoram até duas horas para passar nos pontos.

“Essas empresas não têm compromisso nenhum com a população. Os distritos estão abandonados, o Rio do Engenho só tem ônibus das 6 da manhã até o meio-dia. E quem trabalha, como fica?”, questiona indignado.

Para finalizar, ele manda um recado para o prefeito Mário Alexandre, e diz que a população espera providências urgentes. “Estamos cansados dessa humilhação, essas empresas precisam ser punidas”, desabafa.

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