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Em uma situação hipotética, pensemos no fictício caso de um cidadão. Ele, tomado pela necessidade de ouvir bons aconselhamentos, resolve ir à igreja. Chegando lá, ouve atentamente uma pregação a respeito dos malefícios do tabagismo, e como o seu uso pode acarretar em diversos problemas à saúde. Absorve o recado. No dia seguinte, ao dobrar a esquina, ele se depara com o mesmo cidadão que estava pregando, sentado à mesa do bar, com um Marlboro fumegante entre os dedos.

Mudança de cena. Pense agora naquele amigo vegetariano convicto – que não titubeia em demonstrar todos os seus argumentos científicos contra a indústria da carne – sendo flagrado em um rodízio, em meio à suculentas picanhas, alcatras e maminhas, como se nada mais importasse nesse mundão.

Situações inusitadas que, caso ilustrassem um livro de autoajuda, poderiam nos deixar a seguinte pérola da vida: Hajamos de acordo com as nossas falas. Ou melhor, ao cobrarmos, ou aconselharmos que alguém faça algo de determinada maneira, pelo menos não sejamos contraditórios, e evitemos fazer justamente o contrário. Isso para que o cobrador de condutas e posturas alheias, possa gozar de credibilidade mínima para se fazer respeitado.

E é tal situação que vem se sucedendo com alguns servidores lotados na Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito de Ilhéus. A situação, no mínimo merecedora de punições exemplares, viralizou nas redes sociais da região. Nas imagens, os agentes em serviço, incumbidos de fiscalizar possíveis transgressões às leis de Trânsito, foram flagrados cometendo infrações. Pior, infrações grosseiras, tal qual pilotar moto de sandália, sem capacete relembre aqui, e realizando ultrapassagem em local proibido.

Caso fossem cidadãos comuns, e fossem flagrados pelos mesmos agentes da Sutrans, cometendo transgressões similares, de acordo com o Código de Trânsito, amargariam multas de até R$ 1.400,00, e sete pontos negativos na CNH. Isso, além de terem as documentações recolhidas, e com o direito de dirigir suspenso até segunda ordem.

E o munícipe, em posse do seu boleto de multa a ser quitado, refazendo cálculos para saber como inserir o prejuízo no já parco orçamento, ao se deparar com tais situações, como deve ficar?  Surpreso e desanimado, só lhe resta questionar: Afinal de contas, quem multa àqueles que nos multam?

Eis a questão!

Por Rans Spectro, para redação do site Ilhéus 24H.