Foto: Karoline Vital.

O Teatro Popular de Ilhéus foi fundado há 25 anos, e o trabalho do grupo sempre teve como vocação a representação da classe trabalhadora e das minorias. Esse trabalho artístico, para além de buscar entreter o público, é também um trabalho de conscientização política e social. Um exemplo é o espetáculo “Teodorico Majestade: as últimas horas de um Prefeito”, que foi criado em 2006 como um posicionamento do TPI diante dos escândalos políticos ocorridos na cidade, e sua repercussão contribuiu para a mobilização da população ilheense contra o então prefeito. Tantos anos depois, a obra permanece atual, pois a fictícia Ilha Bela poderia muito bem representar muitas cidades brasileiras. Além disso, sua importância histórica não deixa de ser um refresco para a memória dos Ilheenses, que poderão relembrar o episódio que inspirou a montagem e assim manterem alerta sua consciência política.

Adaptada para uma versão inteiramente virtual, levando teatro ao público de forma remota durante a pandemia do Covid-19, a montagem “Teodorico Majestade: a última Live de um Prefeito” chega à sua última semana de apresentação da segunda temporada. Nesta sexta-feira (25), às 21 horas, “Teodorico” fará parte da programação do Festival Literário Sul-Bahia (FLISBA), e a inscrição pode ser feita no link www.sympla.com.br/flisba.

Já no sábado (26), o TPI faz a última transmissão ao vivo da temporada, às 20 horas. Após a apresentação, acontece ainda um bate-papo entre o grupo, o público e dois convidados especiais – a atriz e  produtora teatral Tuca Moraes e o dramaturgo, ator  e diretor teatral Luiz Fernando Lobo são da Companhia Ensaio Aberto, do Rio de Janeiro (RJ), e vão falar sobre os encontros com o Teatro Popular de Ilhéus e sobre os modos de produção e processo de formação de novos públicos. Os ingressos são limitados, e estão à venda na plataforma Sympla por 10 e 20 reais. O público pode ainda ajudar o grupo com colaborações voluntárias de 50 e 100 reais, e dessa forma contribuir para a manutenção da Tenda TPI durante a pandemia. A transmissão acontecerá pelo Zoom, cujo link será enviado por e-mail, e o espectador deverá ter o programa instalado em seu smartphone ou computador para assistir ao espetáculo. Para realizar a compra dos ingressos, basta acessar o site www.sympla.com.br/teatropopulardeilheus.

Inspirada na literatura de cordel, na xilogravura e no cancioneiro nordestino, a peça narra o drama do prefeito Teodorico Majestade, da fictícia Ilha Bela, acuado em seu gabinete, cercado pela população revoltada com suas trapaças. Boca-suja e beberrão, o alcaide se vê abandonado pelos seus comparsas e, num ato de desespero para se manter no poder, tenta negociar com o povo, que pede sua cassação imediata. O espetáculo tem texto e direção de Romualdo Lisboa e conta com Ely Izidro no papel do prefeito “Teodorico Majestade”; Takaro Vítor como “Malote”; Tânia Barbosa como “Maria Antônia das Armas; Aldenor Garcia como “Gersinaldo Quina”; e Cabeça Isidoro como o “Cantador”.

A comédia recebeu duas indicações ao Prêmio Braskem de Teatro em 2008, e já rodou diversas cidades do interior da Bahia e na capital do estado, além de ter se apresentado em palcos do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Alagoas e Pernambuco. Participou, a convite da Cooperativa Paulista de Teatro, da VI Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo em 2011. Além disso, ainda participou de festivais como o Festival de Curitiba (2012), Festival Recife do Teatro Nacional (2016), Festival de Teatro da Caatinga (2018) e em diversas edições do Filte Bahia. Alcançou as terras europeias e se apresentou em julho de 2019 durante o Sommerwerft Theater Festival 2019, na cidade alemã de Frankfurt. Adentrando a área do audiovisual, em 2011 o espetáculo se tornou tema de documentário que, dirigido por Elson Rosário, foi selecionado para um edital da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.

Fundado em 1995, o grupo já produziu dezenas de espetáculos, e interfere positivamente no município de Ilhéus e região, promovendo debates, encontros e estudos que contribuem para a formação cultural de seu público. A longevidade do Teatro Popular de Ilhéus é um indicador de um projeto de empreendedorismo cultural exitoso que tem um planejamento a longo prazo bastante sólido e em constante avaliação. O TPI é uma instituição cultural independente, atualmente mantida pelo programa de Ações Continuadas de Instituições Culturais – uma iniciativa da Secretaria de Cultura da Bahia com recursos do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, mecanismo que custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada.