.

A Bahia lidera a lista de estados com maior número de vítimas de homicídios no Atlas da Violência 2020, estudo produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 27. Em 2018, 6.787 pessoas morreram por homicídio no estado, maior taxa do país. Apesar de líder, a Bahia teve uma diminuição de -9,3 de 2017 para 2018.

Desde o início da série histórica do Atlas em 2008, a Bahia teve um aumento de 40,8% no número de homicídios. Se considerar a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, a Bahia ficou em sétimo lugar em 2018 e teve um aumento de 37,9% de 2008 para 2018.

O Atlas da Violência é elaborado a partir de uma parceria entre o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e o Instituto de Econômica Aplicada (Ipea) e tem como base de dados os números apresentados pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.

De 2008 a 2018, a taxa no país aumentou 13,3%, passando de 53,3 homicídios a cada 100 mil jovens para 60,4. Entre 2017 e 2018, contudo, apenas três estados tiveram acréscimo na taxa de homicídios de jovens. Na Bahia foram 110,7 jovens mortos em 2018 a cada 100 mil habitantes.

Apesar do número ainda ser um dos maiores do país e estar acima da média nacional de 60,4, o número teve uma queda de 7,6% de 2008 para 2018.

Questionada sobre os números, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) disse que, desde 2018, existe um trabalho integrado para entender as divergências entre os dados da pasta com os dos órgãos de saúde. Informa que as mortes violentas registraram quedas consecutivas em 2017, 2018 e 2019, no estado, somando um total de 20%.

Sobre esse tipo de notificação, a SSP informa que a taxa, no ano 2018, de mortes a esclarecer foi de 4,8% (268 casos em números absolutos). Reforça que as polícias Civil e Técnica seguem protocolos para tipificações das mortes. Se a perícia e investigação no local, em conjunto com outros laudos referentes ao corpo não apontarem a causa do óbito, a ocorrência é registrada como morte a esclarecer.

Mulheres

Ainda conforme o levantamento, entre 2017 e 2018, houve uma queda de 12,3% nos homicídios de mulheres não negras, e entre as mulheres negras essa redução foi de 7,2%. Analisando-se o período entre 2008 e 2018, essa diferença fica ainda mais evidente: enquanto a taxa de homicídios de mulheres não negras caiu 11,7%, a taxa entre as mulheres negras aumentou 12,4%. Na Bahia, 89,3% das mulheres assassinadas eram negras.

Já entre 2013 e 2018, ao mesmo tempo em que a taxa de homicídio de mulheres fora de casa diminuiu no país 11,5%, as mortes dentro de casa aumentaram 8,3%, o que é um indicativo do crescimento de feminicídios.

A pesquisa completa pode ser conferida neste link.