Naja ficou famosa nas redes sociais nos últimos dias e chegou a ganhar um ensaio fotográfico.

Depois de capturar cobras de diversas espécies, entre elas a naja kaouthia que picou o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Lehmkuhl, a Polícia Civil do Distrito Federal, por intermédio da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (Dema), capturou, ontem, três tubarões. Os peixes estava dentro de aquários, em uma chácara localizada na Colônia Agrícola Samambaia, em Taguatinga.

Na mesma residência, foram encontradas sete serpentes —  cinco jiboias de Madagascar e duas Python da Birmânia — uma moreia e um lagarto teiú. O responsável pelos animais apresentou documentações de, apenas, uma das jiboias e do teiú. Ele foi autuado em flagrante por crimes ambientais e será multado pelo Ibama. Fontes policiais ouvidas pelo Correio informaram que a suspeita é de que a residência onde os animais foram encontrados pertence a um dos amigos de Pedro. Com isso, as investigações caminham para uma possível rede de tráfico de animais.

Até o final deste sábado (11), o Ibama não havia confirmado as espécies do tubarões, e nem os tamanhos dos peixes. A polícia investiga a procedência e se o proprietário tinha ou não autorização para criá-lo. Enquanto isso, o jovem, de 22 anos, picado pela naja, deve receber, hoje, alta da unidade de terapia intensiva (UTI). Ele estava internado, desde a última terça-feira, dia do ataque, na UTI do Hospital Maria Auxiliadora, no Gama. A cobra está no serpentário do Zoológico de Brasília.

A polícia trabalha com algumas linhas de investigação para chegar ao desfecho do caso. Entre elas, é o envolvimento de Pedro e de outros colegas em um esquema internacional de tráfico de animais e em pesquisas clandestinas de animais exóticos. “Se a naja for proveniente de um cruzamento que aconteceu em território brasileiro, é muito provável que existam outras pelo país. E isso é perigoso, já que as cobras não são da fauna local e podem causar um desequilíbrio ambiental se forem soltas na natureza”, esclarece o delegado Willian Ricardo, da 14ª Delegacia de Polícia (Gama), responsável pelo caso. Na sexta (10), a polícia ouviu três colegas de Pedro, entre eles o amigo que estava em posse da naja e que teria a deixado perto do shopping Pier 21. De acordo com o delegado, ele não colaborou com as investigações e permaneceu calado durante o interrogatório. “Ainda que esses rapazes tenham esses animais para a coleção, há um grupo organizado de tráfico por trás disso, e que será esclarecido”, frisou o investigador.

Nenhum dos jovens foi indiciado por algum crime. O delegado Willian Ricardo ressaltou que isso só será feito ao final das investigações. Até lá, outros alunos do grupo de estudos serão procurados para esclarecerem dúvidas sobre o caso.

Mistério 

Na última quinta-feira, o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) capturou outras 16 serpentes em uma chácara no núcleo rural Taquara, em Planaltina. O proprietário do local é um amigo de Pedro, como apontam as investigações. Aos policiais, o jovem informou que um colega teria deixado os répteis perto de uma baia de cavalos. “Acreditamos que a naja estava junto às outras e foi retirada de lá. Por se tratar de um aras, os répteis seriam mantidos no local para a produção de soro antiofídico. Os cavalos, quando são picados, produzem os anticorpos necessários para a produção do antídoto”, explicou o delegado.

Todas as serpentes foram para o Zoológico. Durante a apreensão, os militares encontraram, ainda, duas caixas vazias. A suspeita é de que, em uma delas, haveria uma outra serpente de espécie naja. O Correio apurou que as cobras estão magras e apresentam quadro de desnutrição. Com isso, as investigações também seguem para um possível caso de maus-tratos a animais.

Pedro Henrique Lehmkuhl tem reagido bem aos tratamentos e deve receber alta em breve. Na quinta-feira, o rapaz acordou do coma e os médicos retiraram os tubos. Ele conversou com os profissionais de saúde e agradeceu pelo socorro prestado. No entanto, ele desenvolveu necrose no braço e lesões no coração devido ao veneno da serpente.

O estudante recebeu uma dose de soro antiofídico que foi cedida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, ainda na quarta-feira. Ele também passou por uma sessão de hemodiálise. A família importou mais 10 doses de soro vindas dos Estados Unidos. As que não foram utilizadas no tratamento do rapaz serão encaminhadas ao Butantan para estoque.