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A Organização Mundial da Saúde (OMS), que antes havia considerado o risco internacional de contaminação pelo novo coronavírus moderado, passou a classificá-lo como elevado nesta segunda-feira, 27.

A organização esclareceu que, por um “erro de formulação”, havia divulgado o status anterior. Na quinta-feira, 23, a OMS comunicou que seria “muito cedo para falar de uma emergência de saúde pública de alcance internacional”.

A OMS só utiliza esse termo para epidemias que exigem reação global, como a gripe suína H1N1 em 2009, o vírus zika em 2016 e a febre ebola, que atingiu parte da África Ocidental entre 2014 e 2016, e a República Democrática do Congo desde 2018.

Da família dos coronavírus, como o SARS, o vírus 2019-nCoV causa sintomas gripais e pode levar à síndrome respiratória grave. Os primeiros casos surgiram em dezembro e já foram registrado casos na Ásia, na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália.

Casos na Bahia

Segundo dados oficiais, a doença já causou mais de 80 mortes e cerca de 2,7 mil contaminações. Mesmo sem nenhum caso confirmado, o País entrou no nível de alerta 1, em uma escala que vai de 1 a 3, e especialistas chamam a atenção de unidades de saúde para que se preparem e possam atender adequadamente possíveis ocorrências do vírus.

“Neste momento, a gente não tem na Bahia nenhum caso suspeito de coronavírus, mas isso não tira a chance de ter alguém infectado aqui em algum momento. Por isso, é fundamental que as unidades de saúde se preparem, para que no momento em que chegar algum doente com potencial de ter coronavírus, que elas possam atender adequadamente sem que eles contaminem outras pessoas”, afirmou o médico infectologista Dr. Antonio Carlos Bandeira, em entrevista ao Portal A TARDE.

Para o médico, este é um momento de preparo para as unidades de saúde, para a possibilidade da chegada do vírus no Brasil. Com alto poder de contaminação, o vírus é RNA, respiratório, que se multiplica em uma cobertura das células do trato respiratório, nos brônquios, pulmão, e outras partes do corpo. “Por isso que causa doença respiratória”, disse Bandeira. Os sintomas são febre, tosse e dor de garganta, até fazer um quadro de pneumonia grave.

“É muito grave para pessoas idosas e crianças. No Brasil, ainda não teve nenhum caso definido, só suspeito. O mais importante é mapear os locais de onde tiveram o caso. Eu, se fosse autoridade sanitária, faria quarentena nos chineses que chegassem no Brasil para prevenir”, declarou ao Portal A TARDE o médico infectologista Dr. Roberto Badaró. Segundo ele, a maior preocupação deve ser com a possibilidade de a doença chegar no País.