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Nesta quarta-feira (29), a reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), professora Joana Angélica Guimarães da Luz, assinou acordo de cooperação com a Rede Internacional de Cidades-Refúgio (ICORN, na sigla em Inglês), representada pelo presidente do conselho da rede, Chris Gribble.

O acordo faz da UFSB a segunda universidade do país a integrar a rede, tornando-se espaço de refúgio e apoio para artistas, escritores e jornalistas perseguidos. A assinatura aconteceu na sessão de abertura da assembleia geral da ICORN, em Roterdã (Holanda).

O evento ocorre a cada dois anos e reúne também a Associação Internacional dos Escritores (PEN International), entidades responsáveis pela salvaguarda dos direitos civis de escritores, artistas, intelectuais e também jornalistas que estejam sendo perseguidos em função de seus trabalhos. O evento ocorre até amanhã (31) e o tema deste ano é “Em casa em todo lugar”.

Um pouco da história dessa iniciativa

O escritor Salman Rushdie foi condenado à morte no Irã em 1989, tornando-se o primeiro escritor a ser perseguido no mundo inteiro, alvo de ação condenatória de um país que não era o seu (o escritor tem dupla cidadania indiana e britânica). Anos mais tarde, o mundo testemunhou o assassinato de diversos escritores, intelectuais, jornalistas, sociólogos e professores de universidades na Argélia, vítimas de perseguição de grupos fundamentalistas. Em 1993, pela iniciativa do próprio Rushdie e outros 350 escritores, foi criado na França o Parlamento Internacional de Escritores (IPW), entidade voltada para denunciar perseguições políticas e atentado contra os direitos humanos e de expressão dos escritores. Na oportunidade também foi lançado o Cities of Asylum Network (INCA), uma rede de apoio internacional a intelectuais perseguidos. O IPW foi dissolvido em 2003, mas a rede de apoio persistiu.

A iniciativa se tornaria independente em 2006, quando a cidade de Stavanger (Noruega) criou uma organização internacional de sócios com o objetivo de oferecer lares seguros a escritores vítimas de perseguição em seus países de origem. Foi criado, assim, o International Cities of Refuge Network (ICORN), uma organização independente de cidades e regiões cujo objetivo é oferecer abrigo a escritores e artistas em risco, garantindo liberdade de expressão, defendendo os valores democráticos e promovendo a solidariedade internacional.

Conforme dados da Associação Internacional dos Escritores (PEN International), em 2014 haviam cerca de 800 escritores perseguidos no mundo, havendo necessidade da rede ser expandida. Diversas organizações do país e do exterior uniram-se e lançaram o projeto Casas Brasileiras de Refúgio (CABRA), visando apoiar a criação de casas de refúgio no Brasil, promovendo a liberdade de expressão e os direitos humanos. A CABRA promove a rede ICORN no Brasil, congregando as cidades brasileiras às demais cidades refúgio para escritores, artistas e intelectuais perseguidos no mundo. A iniciativa foi divulgada em evento da UFSB relacionado aos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em dezembro de 2018.