Dois espetáculos em cinco sessões, além de um debate e uma mostra, ambos com feira de produtos regionais, são os eventos programados para o mês de março no Teatro Popular de Ilhéus. A programação começa às 19 horas do próximo sábado, dia 09, com o espetáculo de dança “Mariana: a história que se perdeu”, produzido pela A-rrisca Cia de Dança, com reapresentação no dia 16 em mesmo horário. A montagem, que tem classificação livre, foi criada em 2017 sob direção de Juliana Faltz, Rafaela Costa e Liliane Couto, e traz uma reflexão crítica sobre um dos maiores crimes ambientais ocorridos no país: o rompimento da barragem de rejeitos de minério do Fundão, ocorrida em 2015, sob responsabilidade da Samarco (comandada pela Vale e BHP billiton), liberando milhões de metros cúbicos desses rejeitos e formando uma lama tóxica que devastou o município de Mariana, apagando parte de sua história e deixando centenas de desabrigados, mortos e feridos, prejudicando a fauna e flora do local, contaminando a água e levando à extinção espécies animais e vegetais. Pouco mais de 3 anos após esse crime ocorre outro rompimento de barragem, também sob responsabilidade da Vale, dessa vez na cidade de Brumadinho – acontecimento que faz este espetáculo ainda mais atual.

No dia 12 (terça-feira), a partir das 19 horas, o TPI realiza mais uma edição do projeto “Improviso, oxente!”, quadro criado pelo grupo que combina painéis, debates e intervenções artísticas através de temas que tenham relevância social. A edição especial do mês de luta das mulheresrecebe o título “Corpos invisíveis: mulheres na política, mulheres em situação de rua e mulheres trans”. Com mediação da professora e ativista Indiara Rosa, o encontro contará com a presença de Elizabeth Zorgetz, que é historiadora, mestranda em Economia Regional e Políticas Públicas, colunista e militante da União da Juventude Comunista; Dejeane de Olivera, doutora em Enfermagem e docente da UESC; e Isabella Silva, professora de história, mestranda em Ensino e coordenadora técnica do primeiro cursinho Trans+ na UFSB. Na abertura dos debates, entre as sessões e também no final, o evento contará ainda com intervenções artísticas das poetas Má Reputação (Karen Oliveira) e Pretinha (Claudiane Amorim) e da exibição do vídeo “Mulheres em vulnerabilidade de rua em Ilhéus”. Ainda compondo a programação do “Improviso, oxente!”, a Tenda sediará uma Feira Interativa de Mulheres, com exposição de produtos feitos e vendidos por mulheres da região. A entrada é franca e a classificação do debate é 14 anos.

Em três sessões programadas para os dias 14, 22 e 30, sempre às 19h30, vai em cena o espetáculo teatral “O Quadro: a revolução começa nas margens”. Escrito por Romualdo Lisboa em 2003 e adaptado pelo O Coletivo 7, o texto narra a história de Nino e Lia, um casal de jovens que vivem situações de violência e de abuso dentro de suas realidades familiares e de comunidade. Ambos assumem espaços de comando que se alternam.Segundo a diretora Valdiná Guerra, a peça não se omite sobre questões sociais vivenciadas nas periferias e centros, criando o pano de fundo para que o empoderamento – principalmente, o feminino – seja conclamado, trazendo ainda o retrato de uma realidade que precisa ser repensada com urgência. O espetáculo, de classificação 14 anos, tem produção do O Coletivo 7 em parceria com O Arte no Atto, grupo de teatro do Curso Técnico de Teatro do CEEP do Chocolate Nelson Schaun.

No dia 29, a partir das 18 horas, a Tenda TPI realiza ainda a “Mostra de Poesia Popular de Cordel” e a “Feirinha Popular de Produtos Regionais”. O evento, de entrada franca e classificação livre, tem o objetivo de incentivar a expressão da literatura popular e de cordel em nossa cidade e na região, e trará um encontro de poetas cordelistas em performances declamadas de poemas de cordel para o público. A mostra contará com a presença do professor e poeta Lourival Piligra numa exposição oral sobre o reconhecimento da Literatura de Cordel como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, e na sequência ocorrerá uma homenagem a Minelvino Francisco dos Santos, grande nome da poesia de cordel em nossa região e na Bahia. Na ocasião será feito também o lançamento do cordel O Encontro de Helena com o Sereio, de autoria de Alessandra Simões e Franklin Costa. O evento contará com a Feira Popular de Produtos Regionais montada para oferecer vários produtos, artesanato, além de comida e bebidas regionais servidas a preço popular.

Localizada na Av. Soares Lopes, a Tenda TPI é uma das principais opções culturais para os finais de semana ilheenses. Os ingressos dos eventos pagos podem ser adquiridos na Livraria Papirus (parceira da Tenda TPI), no site do TPI (www.teatropopulardeilheus.com.br/programacao) ou na própria bilheteria do evento por R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). O TPI lembra ainda que aqueles que não têm direito à meia-entrada podem adquirir o Cartão Fidelidade TPI, que por apenas R$ 25 anuais dá o direito à meia entrada em todos os espetáculos da companhia.

O Teatro Popular de Ilhéus é uma instituição cultural mantida pelo programa de Ações Continuadas de Instituições Culturais – uma iniciativa da Secretaria de Cultura da Bahia com recursos do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, mecanismo que custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada.