Festejos de Iemanjá no último sábado (2). FOTO: SECOM PMI

Religiosos de matriz africana, populares e turistas compareceram na praia da Maramata (Nova Brasilia) e na Avenida Litorânea Norte (Malhado), para saudar Iemanjá, a mãe das águas, pedir paz e fim da intolerância religiosa, neste último sábado (2), em Ilhéus. Logo cedo, os caramanchões foram abertos para receber os presentes trazidos pelos devotos, adeptos e simpatizantes do candomblé. A celebração do dia de Iemanjá é uma das principais do calendário de festas populares da cidade e mantém tradições dos povos de religião africana e de pescadores.

O altar com a imagem do orixá estava repleto de flores, perfumes e muitas lembranças para a divindade. A todo momento, formava-se filas com centenas de pessoas que pediam proteção e benção a Iemanjá no tradicional banho de cheiro. Samba de roda, ao som do atabaque, embalava os cânticos de louvor à rainha do mar. Por volta do fim da tarde, o cortejo com os presentes e flores dentro dos balaios seguiu para a praia, rumo às embarcações que levavam as oferendas para o mar.

A festa foi prestigiada pelo prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, que circulou no local e destacou a importância das tradicionais festas populares para o turismo. “Este final de semana, por exemplo, a cidade está recheada de eventos culturais, religiosos e esportivos. Apoiamos todas as festas oficiais do calendário turístico, pois merecem o nosso respeito por tudo o que representam” salientou.

A professora Claudia Oliveira, que mora em Ilhéus, prestigiou o evento na Maramata. Ela disse que o sincretismo religioso e a mitologia que envolvem a historia do orixá chamam a sua atenção e por isso fez questão de participar dos festejos. “Acredito que o ano só começa agora, tomei banho de cheiro, deixei minha oferenda no altar e pedi paz a Iemanjá” contou. A carioca Suelen Louise, que veio conhecer a cidade, curtiu a energia da festa e falou sobre a receptividade dos baianos. “Estou amando participar da festa de Iemanjá, o dia tá lindo. O baiano é um povo receptivo e de muita fé” ressaltou.

Segundo mãe Laura, do Terreiro Ilê Guainia de Oiá, responsável pela festa na Maramata há mais de 30 anos, a celebração é uma das principais para sua religião. “Espero que essa festa perdure por muito tempo”, disse a ialorixá. Pai Toninho, do terreiro Ilê Axé Ballomi,e coordenador do evento no Malhado, diz que celebrar a mãe das águas é um orgulho, resistência contra a intolerância religiosa e garantia da tradição no município. “O grande pedido que a gente faz a Iemanjá é paz, saúde, prosperidade, muita harmonia, desenvolvimento para o município, que nos livre de tudo que é ruim e traga muito axé” concluiu.