FOTO: REUTERS/Ricardo Moraes

A TV Globo promoveu o último encontro entre os candidatos à Presidência da República antes do primeiro turno. Participaram Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede).

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) não participou alegando estar impedido pelos médicos, já o Cabo Daciolo (Patriota), que ganhou as redes sociais com memes, não foi ao debate por não ter sido convidado pela Globo.

Bolsonaro foi alvo de críticas dos demais candidatos à presidência, segundo alguns deles o ex-militar que sofreu um atentado a faca no mês passado teria fugido do debate. Henrique Meirelles (MDB) disse que “Quem foge do debate, não tem condições de ser presidente, pois para administrar o País tem que se expor, enfrentar intempéries”. Marina Silva engrossou o coro e arrancou aplausos da plateia ao dizer “Bolsonaro mais uma vez amarelou. Ele deu uma entrevista pra Record e não veio aqui debater conosco”, a plateia teve que ser contida por William Bonner.

Ciro Gomes e Geraldo Alckmin também criticaram a postura que julgaram “extremista” do candidato ausente no debate, “O caminho também não é o radical de direita, que não tem a menor sensibilidade com as mulheres, que não respeita os trabalhadores que sustentam esse país, que quer criar imposto novo. Precisamos de uma reflexão: não podemos ir para esse 2º turno de extremos” afirmou Alckmin. Já Ciro, falou que “mudanças estruturais necessitam de um ambiente com energia e condição política para enfrentar o fascismo e a radicalização”.

Segundo nas pesquisas, Haddad também foi alvo de questionamentos. Alvaro Dias (Podemos) provocou o candidato petista afirmando que entregaria uma carta para ele levar ao verdadeiro candidato, em alusão ao ex-presidente Lula. Alckmin também questionou as políticas econômicas adotadas pelo PT, o que foi rebatido por Haddad, “O que o candidato não reconhece é que depois que seu partido foi derrotado em 2014, o PSDB se associou ao Michel Temer para sabotar o governo com as chamadas pautas bomba. Um absurdo e foi isso que levou o país para a crise” disse.

BOLSONARO E A ENTREVISTA NA RECORD

Em entrevista à Record (exibida no mesmo horário do debate da TV Globo), o candidato do PSL à Presidência, que foi alvo de críticas durante o debate, atacou o PT, dizendo que a campanha de Fernando Haddad está sendo conduzida por Lula de dentro da cadeia. Ele também afirmou acreditar que Adélio Bispo não agiu sozinho ao lhe dar uma facada: “Um ato como esse não é isolado”.

O candidato ainda menosprezou as movimentações em torno da campanha #EleNão que ganhou as ruas na última semana, afirmando que o movimento é composto por “artistas que estão mamando há anos na Lei Rouanet”.

CONFUSÃO NOS BASTIDORES

O candidato do PDT, Ciro Gomes, reclamou da TV Globo após o debate e disse que foi procurado em seu camarim por um oficial de Justiça. A intenção do oficial era notificar o presidenciável sobre um processo eleitoral movido por João Dória, candidato ao governo de São Paulo, que teria sido chamado por Ciro de “farsante”.

Ciro disparou contra a emissora com tom de irritação: “A Globo colocou o oficial de Justiça dentro do meu camarim. O Doria conseguiu que uma juíza do Rio de Janeiro mandasse o oficial de justiça agora, uma hora da manhã, no camarim que a Globo deu, e a Globo deixou o cara entrar, para me notificar de uma ação do Doria contra mim”, disse Ciro. “Eu chamei (Doria) de farsante. Quando eu penso que ele é mesmo um corrupto” afirmou revoltado após a situação.