Eu pedi: Boa tarde, tio! Pra comprar um chiclete. Aí, o tio não quis comprar, daí ele pagou um prato de comida pra mim, entendeu? Eu falei que tava com fome. Mas aí depois o segurança chegou com meu colega. Aí o segurança falou que não podia pagar, que não podia, que era o trabalho dele”. Esse é o relato da criança de 12 anos que foi impedida pelo segurança de um shopping de almoçar uma refeição paga pelo cliente do centro de compras, em Salvador. Relembre o caso AQUI.

Um vídeo feito pelo cliente, o comerciante Kaique Sofredine, viralizou nas redes sociais. O rapaz não quis dar entrevistas, mas, na internet, agradeceu a mensagens de apoio que tem recebido após a divulgação do vídeo. Nas imagens, ele aparece, de forma firme, defendendo o direito de pagar o almoço para a criança.

O menino estava na companhia de outras crianças no shopping quando pediu que um cliente do estabelecimento comprasse um dos chicletes que ele vende. O cunhado dele, de 14 anos, também presenciou o ocorrido e disse que o segurança afirmou que o garoto não iria comer.

O garoto é morador da periferia da capital baiana e, segundo a família, estuda, além de vender balas e chicletes na frente do Shopping da Bahia.

O caso é acompanhando pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que abriu inquérito civil para apurar a ação do segurança e verificar a responsabilidade do Shopping da Bahia em possível prática de racismo institucional contra a criança negra.

A Defensoria Pública do Estado (DPE) repudiou a ação e ofereceu apoio jurídico à família do menino.

Em nota, em nota, o Shopping da Bahia pediu desculpa pelo ocorrido e informou que afastou o segurança envolvido na situação das atividades de atendimento ao público.