A Tenda do Teatro Popular de Ilhéus abrigou nos dias 27 e 28 de Setembro, às 18:30, momentos finais da formação de 20 gestores culturais do Projeto ORI em Ilhéus. A iniciativa do Instituto IRIS, que tem coordenação pedagógica do Dr. Hélio Santos, um dos nomes mais ativos do movimento negro brasileiro, teve encerramento emocionante. “Aqui entendi que o turbante é uma coroação, e que todos nós somos reis”, afirmou o aluno Magno Vieira durante sua apresentação.

Além dos novos gestores, o Projeto ORI entregou para a região 10 projetos culturais marcados pela inovação, envolvimento social e engajamento político. Dentre os projetos desenvolvidos de forma individual, e em grupos de dois e três alunos, um terço teve foco dedicado as mulheres, outros a comunicação quilombola, a educação através de linguagens artísticas como grafite, hip hop, e diversas oficinas, e ao trabalho com a memória, ancestralidade e sua história através da fotografia, cosmiatria e a Lei 10.639. Para Aquis dos Santos, do Quilombo do Fojo de Itacaré e aluno de comunicação da UESC, “Cresci muito dentro do ORI. As trocas com os colegas foram fundamentais. Fiquei muito feliz com esse projeto voltado ao público negro. A gente não tem oportunidades como essa”. A professora e jornalista, Nane Albuquerque, durante noite de avaliação, alertou, “É preciso ocupar os espaços, participar de iniciativas como essa. Quanto menos voz, mais subalternos seremos”.

A noite de certificação contou com protocolo formal de conclusão, apresentações culturais e depoimentos de alunos, professores e parceiros do Projeto na cidade. Por ordem de fala, a Profa. Maria Domingas, representou os professores do ORI Ilhéus, e os alunos Uigue Nunes, líder da turma e Rafaela dos Santos, representaram os alunos. Durante os seus discursos, Uigue, aluno de administração da UESC, entregou um quadro com foto e poesia realizadas pela turma, e atestou, “Das vivências que eu tive na vida, essa foi uma das mais significativas. Em tempos em que se mata a democracia em nome da manutenção do sistema falido patriarcal caucasiano cristão, fortalecer a formação de jovens negros é algo extremamente ousado. Descolonizar essas mentes para fora da lógica do capitalismo é vital!”

Rafaela fez todos se entregarem as lágrimas ao narrar e demonstrar com fotos a sua transformação pessoal durante o Projeto. “Tinha vergonha de mim, dos meus cabelos crespos, viviam presos e alisados, com o ORI eu renasci e não abrirei mão dessa felicidade, de ser quem eu realmente sou!”, declarou a aluna quilombola toda trançada e arrumada em renda.

Na sequência, Prof. Paulo Roberto do Mestrado de Linguagens e Representações/UESC, departamento responsável pelo acolhimento desse projeto pela universidade, Marinho Santos do Terreiro Matamba Tombenci Neto, um dos parceiros culturais do ORI, e o Vice-Prefeito de Ilhéus, Nazal Soub, falam da alegria de estarem ali e se colocaram à disposição a dar desdobramentos a projetos. A coordenadora geral do ORI, Joana Fialho, falou do orgulho da trajetória, a sensação do dever cumprido, e da emoção em perceber o empoderamento daqueles jovens com um grupo coeso e repleto de propósito. “Aqui conseguimos cumprir e superar o nosso objetivo! Projetos prontos para serem colocados em prática. Alguns com metodologia própria”, prof. Hélio Santos, durante a sua fala. A noite foi finalizada com poesia de Magnus Vieira, e apresentação musical da artista Eloah Monteiro.