Juraci, em destaque na foto.

Juraci, em destaque na foto.

Depois de um dia de intensos protestos, confrontos diretos com a polícia e de quebra-quebra em Buerarema, familiares e toda a cidade ainda aguardam a liberação do corpo do agricultor Juraci Santana, líder do Assentamento Ipiranga, em Una.
Juraci foi assassinado a tiros, dentro de casa, na madrugada de terça-feira (11). Segundo informações da esposa da vítima, ele sofria ameaças há algum tempo.
A morte do assentado levou cerca de 5 mil moradores de Buerarema a fechar, durante toda terça, a BR-101, no trecho que dá acesso à cidade. O fechamento levou ao confronto entre manifestantes e policiais militares da tropa de choque. 
A região de Buerarema é o centro da disputa de terras entre pequenos produtores e índios tupinambá, apontados como responsáveis pela morte de Juraci Santana.
Na última semana, a Força Nacional de Segurança deixou a área, o que levou os indígenas a invadir novas propriedades. Ontem, o governador Wagner pediu ao ministro da justiça, José Eduardo Cardozo, garantias da manutenção da ordem. O governo federal deve enviar homens das forças armadas para a região.
O corpo do líder do assentamento ainda está no Departamento de Polícia Técnica de Ilhéus e deve chegar a Buerarema na tarde desta quarta (12). O velório deve acontecer no ginásio de esportes da cidade.
Ao ILHÉUS 24H, a agricultora Eliane, integrante da associação de pequenos produtores da região, informou que o dia começou tranquilo na cidade, apesar do saque a um posto de gasolina e  depois de duas agências bancárias serem apedrejadas na madrugada.
De acordo com Eliane, não há qualquer manifestação marcada para hoje, mas, como a comoção pela morte de Juraci Santana é grande, é possível que o povo volte às ruas e que a situação volte a ficar tensa.