ILZANo mês da Consciência Negra, que é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira, um projeto ousado lança, em Ilhéus, uma cartilha impressa acompanhada do documentário em DVD “Mãe Ilza Mukalê – Histórias e Saberes”, no próximo dia 27, às 19h, no Terreiro de Matamba Tombenci Neto, situado nos Carilos, no alto da Conquista em Ilhéus.
O projeto foi pensado para contribuir, com conteúdo, para a aplicação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que visam incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Parte dos exemplares será doada para escolas públicas e bibliotecas da região, possibilitando o acesso às informações compartilhadas por Mãe Ilza, referência do Candomblé Angola-Congo na região.
O projeto é fundamentado na tradição da oralidade como matriz principal. “Participei de oito rodas de conversa abertas ao público em novembro e dezembro do ano passado. Assim, pude falar sobre coisas que não estão registradas em outros lugares, como histórias da minha família, aspectos do Candomblé Angola-Congo”, explica Mãe Ilza. A matriarca comemora o lançamento da cartilha e do documentário e diz: “espero contribuir para que alunos, professores de escolas públicas e privadas saibam mais sobre esses assuntos”.
A profª Drª Ana Cláudia Cruz da Silva, do grupo de pesquisa do Laboratório de Ensino, Pesquisa, Extensão, em Ciências sociais, Educação e Saberes, da Universidade Federal Fluminense, mediou algumas rodas de conversa e realizou a assessoria pedagógica do projeto, compilando todas informações compartilhadas por Mãe Ilza, para adequá-las ao formato da cartilha. Segundo ela, “Mãe Ilza falou da história do Terreiro, que é também a sua própria história; dos mitos dos inquices; da culinária, das plantas, da vestimenta e dos adereços utilizados no candomblé angola; dos antigos e dos novos carnavais; da música, das danças e dos ritmos presentes nas festas do candomblé e que inspiram os afoxés, os blocos afro, os balés afro e tantas manifestações ar­tísticas e culturais que também são movimentos negros”.
Com 10 minutos de duração, o documentário que vai acompanhar a cartilha foi realizado pelo comunicólogo Flávio Rebouças, que registrou momentos corriqueiros da comunidade e também de festas religiosas no terreiro, além de mencionar fotografias do arquivo do Memorial Unzó Tombenci Neto e imagens mais recentes. “Diferentemente da cartilha, no documentário a narrativa é da própria Mãe Ilza, que conclui o sentido que foi introduzido na cartilha, e abre outras janelas, de temas que devem ser mais aprofundados nas próximas publicações”, comenta Rebouças.
Neste primeiro momento, foram feitas 500 cópias do DVD e a cartilha teve uma tiragem de 1.000 exemplares. Metade de cada será doada para escolas públicas, bibliotecas e para a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), patrocinadora do projeto. A outra metade será vendida a R$10, para contribuir com a sustentabilidade das ações socioculturais do Terreiro. “A intenção agora é mobilizar recursos e estabelecer outras parcerias visando novas edições com maior tiragem para atingirmos um número maior de escolas, já que falar da história do terreiro é também falar da história do Brasil”, afirmou o coordenador técnico do projeto, Edson Ramos.
A cartilha Mãe Ilza Mukalê – História e Saberes foi publicada pela editora Mondrongo e tem ilustrações assinadas por Quinho Fonseca. A coordenação geral é de Gilmário Rodrigues e tem Glauce de Souza como assistente de coordenação. O projeto é uma iniciativa da Organização Gongombira de Cultura e Cidadania e da Rede Matamba Tombenci Neto e foi contemplado pelo Edital nº 07 / 2012 – Culturas Identitárias – da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Para mais informações, acesse: www.matambatombencineto.blogspot.com e www.maeilzamukale.blogspot.com.