O GLOBO
Os presidentes latino-americanos preparam para esta sexta-feira a formalização de um documento no qual repudiam o monitoramento, pelos Estados Unidos, de dados na internet e telefonemas de cidadãos da América Latina. A ideia é que a declaração apresente a preocupação com as denúncias de espionagem na região, feitas com base nos documentos vazados pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden, a gravidade que elas representam e o fato de serem inaceitáveis. Além do Brasil, Colômbia, México, Chile, Equador e Argentina se manifestaram sobre o assunto, condenando o monitoramento externo de informações de cidadãos.
O tema será abordado na Cúpula do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai, nesta quinta-feira e na sexta. Mas antes, os chanceleres do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela) – o Paraguai está suspenso temporariamente – e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se reúnem para definir os termos do documento.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, ressaltou que o tom do documento será coerente com as premissas da política externa brasileira. Ao ser perguntado se o governo do Brasil pretende elevar as críticas e reações aos Estados Unidos, como fizeram alguns países da região, o chanceler disse que os brasileiros têm uma posição bem definida.
– O Brasil ouve (os demais países), mas não costuma seguir. O Brasil formula suas próprias posições de acordo com os interesses nacionais e com a política externa brasileira – destacou.
Durante uma visita ao norte do México, nesta quarta-feira, o presidente mexicano, Enrique Pena Nieto, disse que se forem comprovadas, as denúncias são totalmente inaceitáveis. Na quarta-feira, Colômbia e Chile também pediram explicações aos EUA por espionagem. Brasil, Argentina, Peru e Equador já haviam se pronunciado sobre a denúncia.
– Nós pedimos muito claramente uma explicação do governo americano, através do Ministério das Relações Exteriores – disse a jornalistas no estado fronteiriço de Chihuahua. – Queremos saber se isso é verdade e, ser for, é totalmente inaceitável.
Na Cúpula do Mercosul, também serão discutidos outros temas polêmicos envolvendo os parceiros latino-americanos. Está em pauta a moção de apoio ao presidente da Bolívia, Evo Morales. Ele teve o avião proibido de sobrevoar e aterrissar na França, em Portugal, na Itália e na Espanha, quando voltava da Rússia. A proibição, segundo as autoridades bolivianas, foi causada pela desconfiança dos europeus de que o fugitivo americano Edward Snowden, que prestava serviços para a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, estivesse na aeronave presidencial. Snowden revelou que cidadãos brasileiros foram monitorados pelos Estados Unidos.
A exemplo dos representantes do Mercosul, em Cochabamba (Bolívia), na semana passada, e da Organização dos Estados Americanos (OEA), os presidentes deverão aprovar uma declaração exigindo explicações e desculpas a Morales pelos quatro europeus.