gurita e wagner
O PP é um partido, digamos, um tanto quanto controverso. Se analisarmos a sua postura a nível municipal, aí que essa faceta se torna ainda mais explícita. Principalmente na relação com o partido do governador Jaques Wagner, o PT.
Se por aqui a palavra de ordem da cúpula dos progressistas é perseguição extrema ao partido da estrela vermelha, no âmbito estadual as coisas mudam drasticamente.
Beneficiado até a tampa por ser parte da base aliada do Galego, o partido de Jabes, Jonh, Negromontes e Cia, se vê na obrigação, contrariando seus instintos, de rezar na cartilha do governador. Afinal de contas, no mundo da política, cargos e chefias de alguns órgãos são coisas preciosas demais e valem muito no jogo do “olha só o quanto eu estou fazendo”, em época de eleições.
Quando falamos “contrariando seus instintos”, é porque, vez ou outra os progressistas enchem o peito com orgulho ao afirmar que fizeram parte da base de sustentação do carlismo.
Mas uma coisa é fato: o governador tem um pé atrás com o PP. Até porque eles, os progressistas, vez ou outra são pegos em declarações controversas, explicitando que a qualquer momento podem abandonar o barco e rumar para as suas origens, ou seja, a direita. Basta que vislumbrem uma pequena fagulha de vantagem.
Mas se há uma pessoa dentro do PP que não esconde sua admiração ao governador, ela é o vereador ilheense Gurita.
Prova disso é que recentemente enviou solicitação à câmara para que fosse concedido a Wagner o título de cidadão ilheense. Segundo ele, pelos serviços prestados e por ser o governador que mais trabalhou pela região.
Acontece que, o citado edil, líder do jabismo na câmara, é um dos alvos mais mirados (e acertado) pela oposição no legislativo ilheense, capitaneada pelo PT do vereador Alisson Mendonça. No mínimo, Gurita vez ou outra se vê em uma crise política existencial.
Na semana passada, durante solenidade onde foi lançado o processo licitatório para a construção do gasoduto Ilhéus-Itabuna, onde o governador esteve presente, flagramos o vereador progressista em um diálogo ao pé do ouvido do comandante do palácio de Ondina.
Há quem diga que o tom da conversa foi: “Meu governador, eu gosto tanto do senhor, pede para o pessoal do seu partido aliviar a barra para o meu lado. Assim eu acabo me desgastando”.
Pelo riso de Wagner, subentende-se que ele estava pensando: “Problema seu meu camarada”.
São coisas da política.